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Preços do Café se Mantêm Firmes em Meio a Incertezas Sobre a Safra Brasileira

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A semana foi marcada por volatilidade, mas os preços do café arábica na Bolsa de Nova York mantiveram-se firmes, influenciando a comercialização global. Por outro lado, o robusta na Bolsa de Londres apresentou desempenho inferior. No mercado físico brasileiro, as cotações também mostraram resistência, impulsionadas pela alta do dólar, que serviu como um elemento adicional de suporte.

As incertezas em relação à safra de 2025 do Brasil continuam a dominar as atenções no mercado. Apesar do retorno das chuvas, que favorecem a abertura das floradas, e da previsão de uma maior regularidade nas precipitações, persistem grandes dúvidas sobre o que já pode ter sido perdido em termos de potencial produtivo, em razão dos longos períodos de seca e das altas temperaturas.

Gil Barabach, consultor da Safras & Mercado, aponta que as chuvas da última semana não atenderam às expectativas, o que pode explicar o comportamento dos preços do café no terminal de Nova York. No entanto, ele destaca que os mapas meteorológicos indicam a possibilidade de mais chuvas nas próximas semanas, sugerindo uma mudança no padrão climático que deverá beneficiar as lavouras de café no Brasil. “A questão é: essas chuvas chegarão a tempo de salvar a próxima safra? Para algumas lavouras, a resposta é positiva; para outras, não. Esse é o ponto central do debate no mercado”, comenta Barabach.

O consultor observa que há uma cautela significativa entre os operadores do mercado, que hesitam em adotar posturas mais decisivas. “Os fundos mantêm uma carteira líquida comprada expressiva, assegurando-se contra riscos climáticos, enquanto os produtores estão se apresentando de maneira mais discreta. Após a recomposição dos estoques, a indústria mundial prefere aguardar novas informações sobre a próxima safra”, acrescenta Barabach.

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“O longo período sem chuvas e as temperaturas acima do normal no Brasil certamente trarão consequências para a produção. Já havíamos alertado sobre a perda de potencial. Nesse sentido, as previsões do início do ano, que apontavam para uma safra brasileira de 2025 com potencial para um novo recorde, já não se sustentam”, avalia. Barabach enfatiza que será necessário esperar mais um pouco para compreender melhor esse potencial. A sequência de chuvas, as floradas e o pegamento pós-florada serão determinantes para essa definição.

Atualmente, o pessimismo em relação à produção de arábica predomina no mercado, embora a situação possa melhorar com o avanço das chuvas e o surgimento das floradas. Barabach não descarta a possibilidade de uma surpresa produtiva positiva no futuro. Em relação ao conilon/robusta brasileiro, as expectativas são mais otimistas, uma vez que, apesar do clima não ser ideal, não apresenta condições tão adversas. “As floradas foram satisfatórias, mas as irregularidades nas chuvas geram incertezas. Contudo, a perspectiva é mais positiva em comparação ao arábica”, ressalta.

“Essas percepções permanecem em evidência e, ao contrário de anos anteriores, quando o mercado reagia rapidamente a sinais climáticos, este ano o movimento tem se mostrado mais lento. O mercado busca evitar a repetição de erros do passado, quando sinais passageiros levaram a decisões precipitadas”, conclui o consultor.

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No balanço da semana, entre os fechamentos das quintas-feiras (10 e 17 de outubro), o contrato de dezembro na Bolsa de Nova York registrou um ganho de 0,16%, subindo de 254,75 centavos de dólar para 255,15 centavos por libra-peso. Em Londres, o mercado de robusta acumulou uma desvalorização de 3,0% no contrato para janeiro de 2025, pressionado pela entrada da safra de robusta do Vietnã, em um contexto sazonal natural que se soma às incertezas sobre o tamanho da produção em um ano de desafios climáticos.

O mercado físico interno brasileiro opera em um cenário cauteloso, mas avança nas negociações conforme as necessidades de compra e a postura moderada dos produtores nas vendas. A valorização do dólar contribuiu para o suporte das cotações domésticas do café, com a moeda americana registrando alta de 1,34% entre 10 e 17 de outubro.

Nos últimos sete dias, o preço do café arábica bebida boa no sul de Minas Gerais, na base de compra, subiu de R$ 1.455,00 para R$ 1.510,00 a saca, o que representa uma alta de 3,8%. O conilon tipo 7, em Vitória, Espírito Santo, também apresentou uma elevação de 1,44%, passando de R$ 1.390,00 para R$ 1.410,00 a saca na mesma base.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Soja recua em Chicago após volatilidade e pressão logística limita rentabilidade no Brasil

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O mercado da soja iniciou a quarta-feira (20) em queda na Bolsa de Chicago, devolvendo parte dos ganhos acumulados nos últimos dias em meio à forte volatilidade internacional. Os investidores seguem atentos às negociações comerciais entre China e Estados Unidos, às tensões no Oriente Médio e às condições climáticas no Meio-Oeste norte-americano, fatores que continuam ditando o comportamento das commodities agrícolas.

Por volta das 6h40 (horário de Brasília), os contratos futuros registravam perdas entre 5,75 e 6 pontos nos principais vencimentos. O contrato julho/26 era cotado a US$ 12,07 por bushel, com recuo de 2,25 centavos. Já os vencimentos julho e agosto operavam próximos de US$ 12,03 e US$ 12,04 por bushel, respectivamente.

O movimento representa um ajuste técnico após a alta recente, sustentada principalmente pelas expectativas envolvendo possíveis compras agrícolas chinesas nos Estados Unidos. Apesar disso, o mercado ainda não observa sinais concretos de avanço da demanda asiática, o que mantém os agentes mais cautelosos.

Além do cenário geopolítico, o clima nos Estados Unidos segue no radar. O plantio da nova safra americana avança em ritmo acelerado, favorecido pelas condições climáticas relativamente positivas em grande parte do cinturão produtor. O desenvolvimento das lavouras também ocorre de forma satisfatória, fator que reduz espaço para altas mais intensas nas cotações internacionais.

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Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostram que o plantio da soja avançou de 49% para 67% da área prevista, superando as expectativas do mercado e também o ritmo registrado no mesmo período do ano passado.

No complexo soja, os futuros do farelo também operavam em baixa nesta manhã, acompanhando o milho. Já o óleo de soja apresentava leves ganhos.

Mercado interno tem sustentação, mas logística preocupa

No Brasil, os preços seguem relativamente firmes em algumas regiões, embora os gargalos logísticos e os elevados custos de armazenagem e frete continuem limitando a rentabilidade dos produtores.

No Paraná, a soja no interior era indicada a R$ 123,67 por saca, com leve alta diária de 0,13%, enquanto o porto de Paranaguá registrava R$ 130,57, avanço de 0,66%. Em Ponta Grossa, as indicações chegaram a R$ 128,50 por saca.

A disputa por armazenagem se intensificou no estado diante do avanço da produção de etanol de milho e do início do plantio de trigo, pressionando a logística regional.

No Rio Grande do Sul, os preços apresentaram recuperação nominal, com Santa Rosa e Passo Fundo cotados a R$ 126,00 por saca e o porto de Rio Grande a R$ 131,00. A revisão da safra gaúcha para pouco mais de 19 milhões de toneladas — abaixo da projeção inicial de 21,44 milhões — reforçou a percepção de perdas provocadas pela irregularidade das chuvas ao longo do ciclo.

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O mercado também monitora o risco de paralisações no transporte rodoviário e as incertezas envolvendo o piso mínimo do frete, fatores que elevaram os prêmios de risco no setor.

Em Santa Catarina, a colheita já supera 70% da área cultivada, com preços ao redor de R$ 131,00 no porto de São Francisco do Sul.

Centro-Oeste registra safra recorde, mas enfrenta gargalos

No Centro-Oeste, os números de produção seguem robustos. Mato Grosso do Sul encerrou a safra com volume recorde de 17,759 milhões de toneladas, enquanto Mato Grosso confirmou produção histórica de 51,56 milhões de toneladas.

Apesar da safra elevada, produtores enfrentam dificuldades relacionadas à capacidade de armazenagem, ao alto custo dos fretes e à pressão sobre a infraestrutura logística, cenário que reduz margens e limita oportunidades de comercialização mais vantajosas.

Segundo a Conab, a colheita brasileira da soja já alcança 98,8% da área cultivada, consolidando a reta final dos trabalhos no campo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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