AGRONEGÓCIO
Desafios Climáticos e Geopolíticos Redefinem Perspectivas do Mercado Internacional de Trigo
Publicado em
17 de outubro de 2024por
Da Redação
A Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) promoveu, no dia 15 de outubro, o Webinar “Safra de Trigo Internacional 2024”, com o objetivo de fornecer informações estratégicas sobre o mercado global e auxiliar na tomada de decisões. Durante a transmissão, o superintendente da Abitrigo, Eduardo Assêncio, destacou as dificuldades enfrentadas pelo setor em 2024, incluindo a quebra de safra no Sul do Brasil e os desafios impostos pela geopolítica. “Espero que o cenário se estabilize a partir de 2025, proporcionando um ambiente mais favorável para o setor”, concluiu Assêncio.
A moderação do evento ficou a cargo de Pedro Sampaio, diretor de Suprimentos da J. Macêdo, que abordou a crescente complexidade do mercado global de trigo. Ele enfatizou que fatores como a simultaneidade de conflitos armados e condições climáticas extremas dificultam cada vez mais as previsões para o mercado. “A Rússia ainda domina o mercado de trigo, mas o Brasil se consolidou como exportador, o que adiciona novas camadas de complexidade na precificação interna, já que o país passa a depender mais das dinâmicas globais”, afirmou Sampaio.
EUA: Perspectivas Otimistas para a Próxima Safra
Miguel Galdos, diretor Regional da U.S. Wheat Associates, reforçou a relação comercial de longa data entre os Estados Unidos e o Brasil no setor de trigo. “Nos últimos 45 anos, os EUA mantiveram exportações ininterruptas para o Brasil, com volumes variando de um navio até três milhões de toneladas, dependendo da demanda”, declarou Galdos. Segundo ele, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) estima uma produção de 53,7 milhões de toneladas para a safra 2024/2025, superando as 49,1 milhões da temporada anterior. “Esse aumento significativo é resultado de melhores rendimentos, proporcionados por condições climáticas favoráveis e pelo desenvolvimento de novas variedades”, acrescentou, destacando o papel das universidades norte-americanas na criação de cultivares que aliam alta produtividade e qualidade.
As previsões para as exportações também são otimistas, com uma estimativa de crescimento de 19,2 milhões de toneladas em 2023/2024 para 22,5 milhões de toneladas em 2024/2025. Galdos observou ainda um aumento na participação da classificação Red Spring nas Américas. “Embora o Soft Red seja bem conhecido no Brasil, estamos vendo uma maior entrada do Red Spring, especialmente na região”, complementou, ressaltando que a qualidade continua sendo uma prioridade na produção de trigo nos Estados Unidos.
Paraguai: Aumento nas Exportações para o Brasil
O assessor Externo da empresa paraguaia Unexpa, Guido Vera, apresentou um panorama positivo para a safra do Paraguai em 2024/2025, com uma área de plantio estimada em 390 mil hectares. “Apesar das condições climáticas adversas no ano passado, principalmente para a produção de sementes, observamos um crescimento surpreendente na adoção do trigo, especialmente na região do Chaco, onde tradicionalmente a soja domina”, relatou Vera. Ele destacou a forte conexão genética entre as variedades paraguaias e brasileiras, o que facilita o acesso ao mercado brasileiro.
Vera informou que a produção deste ano superou as expectativas, atingindo 1,2 milhão de toneladas de trigo, com um consumo interno estimado em 650 mil toneladas, e 100 mil toneladas destinadas ao uso doméstico de qualidade inferior. “Isso nos deixa com um saldo de exportação de 400 mil toneladas, uma quantidade significativamente maior em relação aos anos anteriores”, disse o assessor. O rendimento médio também foi expressivo, alcançando 3 mil quilos por hectare, superando os 2,1 mil quilos por hectare da safra anterior.
O Brasil permanece como o principal destino do trigo paraguaio, com exportações já aumentando em 100 mil toneladas desde setembro, impulsionadas por problemas climáticos no Paraná. Vera revelou que a futura habilitação da nova ponte entre Presidente Franco, no Paraguai, e Foz do Iguaçu, no Brasil, facilitará o fluxo comercial por caminhões entre os dois países, reforçando a importância do Brasil como parceiro comercial.
Argentina: Vendas Expressivas Permitem Recuperação de Mercado
A analista de Cultivo do Trigo na Bolsa de Cereais, Daniela Venturino, apresentou números positivos para o comércio internacional argentino. “Já foram vendidas 3,28 milhões de toneladas de trigo deste novo ciclo, representando um aumento de 93% em relação à safra 2023/2024”, anunciou. No entanto, Venturino alertou que, apesar do crescimento em relação ao ciclo anterior, o volume é 37% menor do que a média das últimas cinco safras.
Daniela destacou que, até o momento, essas vendas representam 17% da produção esperada, um avanço de 6 pontos percentuais em comparação ao ciclo anterior. Entretanto, esse número ainda está 13 pontos percentuais abaixo da média dos últimos cinco anos, indicando espaço para novas negociações. “A comercialização está avançando de forma acelerada, mas ainda estamos abaixo da média histórica”, avaliou.
Quanto às exportações, a Argentina já possui 11,95 milhões de toneladas programadas para venda, com operações previstas para iniciar em dezembro. “Esse movimento é crucial para o país, que se mantém como um importante fornecedor de trigo na América do Sul, com o Brasil entre seus principais mercados compradores”, concluiu Venturino.
Uruguai: Clima Pode Impactar Produtividade e Exportações
A coordenadora da Área de Cadeias Agroindustriais do Ministério da Agricultura do Uruguai, Catalina Rava, anunciou uma redução na produção de trigo em relação ao ano anterior. “Estimamos uma área plantada de 340 mil hectares, uma queda de 3% em relação à safra anterior, e uma produção projetada em 1,4 milhão de toneladas, o que representa uma redução de 19% quando comparado às 1,7 milhões de toneladas colhidas em 2023/2024”, informou Rava. Ela ressaltou que o recorde de produtividade do ciclo anterior, que ultrapassou 5 mil quilos por hectare, não será mantido este ano, prevendo-se um rendimento de 4,2 mil quilos por hectare.
Catalina comentou que, mesmo com a queda nos preços do trigo, o Uruguai conseguiu manter uma área semeada significativa em comparação a outras culturas. “No Uruguai, o trigo não é transgênico e compete com outras culturas pela área plantada. A baixa nos preços permitiu que tanto o trigo quanto a cevada mantivessem uma boa área de semeadura”, observou. Contudo, as condições climáticas são motivo de preocupação. “A ausência de chuvas tem sido um problema. As previsões indicam que os próximos três meses terão chuvas abaixo do normal, o que pode afetar ainda mais a produtividade”, alertou.
No campo das exportações, o Uruguai registrou números positivos para o ciclo comercial de novembro de 2023 a outubro de 2024, com embarques de 1,4 milhão de toneladas de trigo, o dobro do volume do ciclo anterior (700 mil toneladas). “O Brasil representa 54% do total que exportamos”, destacou Rava.
Mar Negro: Preços Agressivos Resultam em Restrições Comerciais
O executivo da Louis Dreyfus Company (LDC), Guillermo Benedit, apresentou um panorama desafiador para a safra 2024/2025 na região do Mar Negro. As exportações da Rússia iniciaram de forma agressiva, atingindo níveis próximos ao recorde do ano anterior. “No ciclo 2023/2024, a Rússia exportou cerca de 55 milhões de toneladas de trigo, e para 2024/2025 a estimativa é de 44 milhões de toneladas”, explicou Benedit. Mesmo com uma queda de 11 milhões de toneladas, os embarques permanecem robustos, com 5,5 milhões de toneladas exportadas mensalmente entre agosto e outubro.
Entretanto, a postura agressiva da Rússia no mercado internacional trouxe consequências. Benedit mencionou rumores de uma possível limitação nas exportações do país, devido ao alto volume exportado a preços baixos. “A União de Exportadores de Cereais da Rússia alertou para esse ritmo intenso e os preços muito baixos. Uma das formas de limitar essas exportações seria por meio de barreiras técnicas”, observou o executivo, reforçando que sinais de restrições já começaram, com relatos de problemas fitossanitários em alguns navios de novos exportadores.
Na Ucrânia, os efeitos da guerra continuam a prejudicar a logística de exportação. “Com os bombardeios constantes nos terminais do porto em Odessa, o país pode ser forçado a encontrar novas rotas logísticas, o que aumentaria os custos e o tempo de exportação”, afirmou Benedit. Apesar dos desafios trazidos pelo conflito, as condições produtivas na Ucrânia permanecem favoráveis, com o ritmo de semeadura do trigo de inverno ligeiramente superior ao ano anterior (59% contra 54%). Contudo, o conflito reduziu drasticamente a área plantada na Ucrânia, que agora é de 4 milhões de hectares, em comparação aos 100 milhões de hectares anteriores à guerra.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Entidade diz que o campo preserva, mas há excesso de regras travando os produtores
Published
23 minutos agoon
21 de abril de 2026By
Da Redação
A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) decidiu reagir às críticas sobre o impacto ambiental do agronegócio e levou ao debate público um conjunto de dados para sustentar que a produção agrícola no Brasil ocorre com preservação relevante dentro das propriedades rurais.
A iniciativa ocorre em um momento de maior pressão sobre o setor, especialmente em mercados internacionais, e busca reposicionar a narrativa com base em números do próprio campo.
Entre os dados apresentados, levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) indica que 65,6% do território brasileiro permanece coberto por vegetação nativa, enquanto a agricultura ocupa cerca de 10,8% da área total. A entidade usa o dado para reforçar que a produção ocorre em uma parcela limitada do território.
No recorte estadual, a Aprosoja-MT destaca um levantamento próprio que identificou mais de 105 mil nascentes em 56 municípios de Mato Grosso, com 95% delas preservadas dentro das propriedades rurais . O dado é usado como exemplo prático de conservação dentro da atividade produtiva.
A entidade também aponta que o avanço tecnológico tem permitido aumento de produção sem expansão proporcional de área. O Brasil deve colher mais de 150 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26, mantendo a liderança global, com Mato Grosso respondendo por cerca de 40 milhões de toneladas.
Segundo a Aprosoja-MT, práticas como plantio direto, rotação de culturas e uso de insumos biológicos têm contribuído para esse ganho de produtividade, reduzindo a pressão por abertura de novas áreas.
Isan Rezende, presidente do IA
A associação também cita investimentos em prevenção de incêndios dentro das propriedades e manejo de solo como parte da rotina produtiva, argumentando que a preservação é uma necessidade econômica, e não apenas uma exigência legal.
Na avaliação de Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA) a preservação ambiental no campo deixou de ser uma pauta teórica e passou a ser parte direta da gestão da propriedade rural. Segundo ele, o produtor brasileiro já incorporou práticas que garantem produtividade com conservação, muitas vezes acima do que é exigido.
“Quem está na lida sabe que sem água, sem solo bem cuidado e sem equilíbrio ambiental não existe produção. O produtor preserva porque precisa produzir amanhã. Isso não é discurso, é sobrevivência da atividade”, afirma.
Rezende aponta, no entanto, que o ambiente institucional ainda cria distorções que dificultam o reconhecimento desse esforço. Para ele, há excesso de exigências, insegurança jurídica e regras que mudam com frequência, o que acaba penalizando quem já produz dentro da lei.
“O produtor cumpre, investe, preserva, mas continua sendo tratado como problema. Falta coerência. Quem está regular não pode continuar pagando a conta de um sistema que não diferencia quem faz certo de quem está fora da regra”, diz.
Na avaliação do dirigente, o debate sobre sustentabilidade no Brasil precisa avançar com base em dados e realidade de campo, e não em generalizações. Ele defende que o país já possui uma das legislações ambientais mais rígidas do mundo, mas enfrenta falhas na aplicação e na comunicação dessas informações.
“O Brasil tem uma das produções mais eficientes e sustentáveis do planeta. O que falta é organização e clareza nas regras, além de uma comunicação mais firme para mostrar o que já é feito dentro da porteira”, conclui.
Fonte: Pensar Agro
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