AGRONEGÓCIO

Governo amplia para 35% o percentual de etanol na gasolina

Publicado em

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou ontem a Lei nº 528/2020, conhecida como “Lei do Combustível do Futuro”, aprovada previamente pelo Congresso. A medida busca promover a descarbonização e incentivar o uso de combustíveis mais limpos e sustentáveis. Uma das principais mudanças trazidas pela nova legislação é o aumento da mistura de etanol na gasolina, que poderá variar entre 22% e 35%, superando o limite atual de até 27,5%.

Além do etanol, a lei prevê o aumento progressivo da mistura de biodiesel no diesel fóssil, que será elevado em 1% ao ano a partir de 2025, até atingir 20% em 2030. Atualmente, o biodiesel compõe 14% da mistura.

Essa mudança no percentual de etanol é parte da estratégia do governo Lula, iniciada em maio de 2023, com o envio do projeto ao Congresso. A proposta visa reduzir a dependência da importação de gasolina e acelerar a transição para fontes de energia mais sustentáveis. Contudo, a alteração levanta questionamentos sobre o impacto nos veículos e no preço dos combustíveis.

Impacto nos veículos e no consumo

A introdução de um maior teor de etanol na gasolina traz preocupações, especialmente entre proprietários de veículos não flex, como carros importados ou modelos mais antigos. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) já manifestou que, embora não haja obstáculos para veículos flex, são necessários testes específicos para os movidos exclusivamente a gasolina. “Precisamos de avaliações mais detalhadas para garantir que o aumento no percentual de etanol não traga problemas técnicos a esses veículos”, afirmou a entidade.

Leia Também:  Governo prepara regra sobre taxação de criptoativo e ajustes em tributação de ações e paraísos fiscais

No entanto, os efeitos benéficos para o meio ambiente são claros. Segundo a Copersucar, maior empresa global de comercialização de açúcar e etanol, o aumento de três pontos percentuais na mistura de etanol resultaria no consumo adicional de 1,3 bilhão de litros de biocombustível por ano, reduzindo em até 2,8 milhões de toneladas as emissões anuais de dióxido de carbono.

O professor Renato Romio, do Instituto Mauá de Tecnologia, concorda com os benefícios ambientais, mas ressalta que é fundamental analisar o impacto sobre veículos a gasolina, verificando possíveis danos às peças e a influência na emissão de poluentes como óxidos de nitrogênio (NOx), hidrocarbonetos (HC) e monóxido de carbono (CO).

Essa mesma preocupação foi levantada em 2015, quando o percentual de etanol passou de 25% para os atuais 27,5%. À época, veículos movidos a gasolina foram orientados a utilizar gasolina premium, que manteve o limite de 25% de etanol. Posteriormente, estudos mostraram que a nova mistura não prejudicava os motores a gasolina.

Consumo e custo

Uma dúvida comum entre os consumidores é se o aumento no percentual de etanol influenciará o consumo de combustível. O especialista Renato Romio explica que o desempenho dos veículos provavelmente será afetado, já que o etanol tem menos energia por litro do que a gasolina. “Na prática, o consumo deve aumentar levemente, mas o impacto dependerá do preço final do combustível”, afirma Romio.

Leia Também:  Custo de produção do leite cai, mas preço ao produtor continua em queda no RS

Embora o etanol seja mais barato de produzir que a gasolina, seu preço pode variar conforme a disponibilidade de cana-de-açúcar, sendo influenciado por fatores sazonais, como as safras e entressafras.

Em termos de preço, ainda não é possível prever o impacto exato, pois a regulamentação da nova mistura ainda está em fase inicial. No entanto, a história recente sugere cautela. Em 2015, quando o percentual de etanol foi elevado, uma das principais críticas foi que os consumidores continuaram a pagar o mesmo valor por um combustível cuja produção era mais barata.

Em resumo, enquanto a nova legislação visa avançar na agenda de sustentabilidade e reduzir as emissões de gases poluentes, seus efeitos práticos sobre o consumo e o custo dos combustíveis ainda estão em fase de análise e dependerão da regulamentação e da resposta do mercado.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

AGRONEGÓCIO

Tecnologia nutricional no hortifruti reduz perdas pós-colheita e melhora qualidade dos alimentos, aponta especialista

Published

on

O setor de hortifruti enfrenta um desafio crescente para equilibrar produtividade e qualidade, ao mesmo tempo em que busca reduzir perdas ao longo de toda a cadeia, do campo até o consumidor final. Por serem altamente sensíveis a fatores como clima, manejo nutricional, logística e armazenamento, frutas e hortaliças podem ter seu valor comercial comprometido por desequilíbrios ao longo do ciclo produtivo.

Especialistas apontam que parte significativa dessas perdas tem origem ainda na fase de cultivo, o que reforça a importância de um manejo nutricional mais preciso e tecnificado desde o início da produção.

Perdas começam no campo e impactam toda a cadeia produtiva

De acordo com a engenheira agrônoma Fernanda Dantas, especialista em Desenvolvimento Técnico de Mercado da Nitro, muitas perdas atribuídas ao pós-colheita têm origem no campo.

Segundo a especialista, falhas no manejo nutricional comprometem a resistência, a uniformidade e a vida útil dos produtos, afetando diretamente a qualidade final.

“Embora as perdas sejam mais visíveis no transporte, armazenamento e varejo, grande parte delas começa no campo, com desequilíbrios nutricionais que reduzem a qualidade dos frutos e hortaliças”, explica.

Esse cenário impacta diretamente a rentabilidade do produtor, aumenta custos operacionais, reduz a eficiência da cadeia produtiva e contribui para o desperdício de alimentos, além de pressionar os preços ao consumidor.

Leia Também:  Investimentos de mais de R$ 29 milhões do Governo de MT melhoram a vida de agricultores familiares de Cuiabá
Nutrição vegetal avança com tecnologias mais precisas

Nos últimos anos, o setor de nutrição vegetal passou por uma evolução significativa, com o desenvolvimento de soluções mais específicas e eficientes para o manejo de hortifruti.

Entre as principais inovações estão fertilizantes especiais, bioestimulantes, aminoácidos e tecnologias de nutrição foliar de alta eficiência, que contribuem para maior tolerância ao estresse e melhor aproveitamento dos nutrientes pelas plantas.

Segundo Fernanda Dantas, erros comuns no manejo ainda comprometem o desempenho das lavouras.

“Aplicações desbalanceadas de nutrientes, excesso de nitrogênio, deficiência de cálcio e micronutrientes, além do uso de programas genéricos sem considerar solo, clima e estágio da cultura, estão entre os principais problemas observados no campo”, destaca.

Manejo adequado melhora qualidade e reduz perdas pós-colheita

Um manejo nutricional equilibrado tem impacto direto nos principais atributos valorizados pelo mercado, como coloração, firmeza, uniformidade e desenvolvimento adequado dos frutos.

Nutrientes como cálcio, potássio e micronutrientes desempenham papel fundamental na formação estrutural das plantas e na conservação pós-colheita, aumentando a resistência dos produtos durante transporte e armazenamento.

Como resultado, alimentos com melhor padrão de qualidade apresentam maior aceitação no mercado, melhor valorização comercial, redução de perdas e maior competitividade para o produtor.

Além disso, práticas nutricionais mais eficientes contribuem para a sustentabilidade da produção, com melhor aproveitamento de insumos e redução de perdas por lixiviação, permitindo produzir mais com menor uso de recursos naturais.

Leia Também:  Bolsistas do Governo de MT garantiram medalhas nacionais e internacionais em 2024
Monitoramento e agricultura de precisão são fundamentais

Para alcançar melhores resultados, especialistas recomendam que o produtor adote um acompanhamento constante da lavoura, com base em análises de solo e foliares, além de observação técnica no campo.

Sinais como desuniformidade, queda de vigor, frutos deformados, baixa produtividade e perda de firmeza podem indicar desequilíbrios nutricionais e necessidade de ajuste imediato no manejo.

“A base técnica é semelhante entre os produtores, mas a estratégia deve ser ajustada conforme estrutura, tecnologia disponível e nível de investimento. Hoje existem soluções acessíveis para diferentes perfis de produção, permitindo ganhos de produtividade e qualidade em todas as escalas”, afirma Fernanda Dantas.

Tecnologia nutricional fortalece competitividade do hortifruti brasileiro

Com o avanço das tecnologias nutricionais e a adoção de práticas mais precisas de manejo, o setor de hortifruti tende a reduzir perdas ao longo da cadeia e elevar o padrão de qualidade exigido pelo mercado.

A tendência é de maior profissionalização da produção, com integração entre tecnologia, monitoramento e sustentabilidade, fortalecendo a competitividade do produtor e contribuindo para um sistema alimentar mais eficiente.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA