AGRONEGÓCIO

Entenda os fatores que estão influenciando os preços do açúcar bruto e do branco no mercado global

Publicado em

A Hedgepoint Global Markets aborda, em análise, as movimentações do mercado global que têm influenciado os preços do açúcar bruto e do branco.

“O contrato de outubro expirou em 22,67 c/lb, mostrando um spread inverso em relação a março, em +20 pontos, que se reverteu de um carry de -39 pontos apenas uma semana antes. Essa mudança altista pode ter incentivado mais produtores, especialmente do Centro-Sul do Brasil, a optar pela entrega no vencimento, resultando em um montante final de 1,7 Mt. Embora o mercado pudesse ter interpretado esse fato como um sinal de baixa – especialmente considerando que o único receptor não demonstrou preocupação com a disponibilidade de açúcar e manteve as nomeações de navios lentas nos portos brasileiros – os preços mantiveram um tom de apoio”, diz Lívea Coda, analista de Açúcar e Etanol da Hedgepoint Global Markets.

Apesar de um ambiente macroeconômico um tanto incerto, moldado por percepções de risco mais elevadas devido à escalada do conflito no Oriente Médio, o impulso de alta no complexo energético parece superar essas preocupações, sustentando os preços do açúcar.

“Juntamente com a demanda firme, essa dinâmica levou os futuros de março a fecharem a semana passada em 23 c/lb. Embora o prêmio do branco tenha corrigido para cerca de US$ 80/tonelada, o prêmio do físico no Brasil continua positivo, e a escassez de oferta pode seguir dando suporte aos preços do bruto no curto prazo”, observa a analista.

“Conforme descrito em relatórios anteriores, as secas e os incêndios levaram a revisões significativas para baixo no mix de açúcar esperado para a safra 2024/25 do Centro-Sul, bem como reduziram a produtividade geral da cana. A menor disponibilidade e qualidade da matéria-prima estão levando a uma diminuição da produção de açúcar e a expectativa de uma entressafra mais apertada e potencialmente prolongada. Essa restrição de oferta mudou o sentimento do mercado, levando os fundos a aumentarem suas posições compradas”, aponta.

Leia Também:  Primeira vistoria técnica marca início das ações para o "Réveillon da Família Parque das Águas"

Entretanto, ao analisar o Hemisfério Norte – um importante fornecedor de açúcar branco – as expectativas de recuperação são responsáveis pela resposta mais lenta dos preços do açúcar branco em comparação com a tendência de alta do açúcar bruto.

“Isso pressionou o prêmio do açúcar branco e pode funcionar como um possível limite para o aumento dos preços do açúcar de qualidade inferior, pois pode sinalizar o enfraquecimento da demanda se eles subirem demais. Alguns dos fundamentos por trás dessa tendência podem ser encontrados na Tailândia, na Índia e na Europa”, pontua.

A Tailândia registrou chuvas favoráveis durante o desenvolvimento da safra 2024/25, enquanto a área plantada se expandiu à medida que a cana-de-açúcar recuperou a competitividade em relação à mandioca.

“Como resultado, espera-se que o país possa produzir mais de 100 Mt de cana, atingindo cerca de 11 Mt de produção de açúcar – com possibilidade de upside. Esse volume permite que o país contribua com cerca de 8 Mt de açúcar para o mercado internacional, lembrando que a Tailândia é capaz de transitar entre as qualidades e espera-se que pelo menos 40% sejam de açúcar refinado”, acredita.

Na Índia, o sentimento geral tornou-se mais otimista para produção, com o aumento das discussões sobre possíveis exportações de açúcar. Há quem preveja que o governo poderá tomar uma decisão entre o final de dezembro e janeiro, quando a nova safra ganhar impulso e os estoques começarem a se acumular.

“No momento, esperamos que pelo menos 1,5 Mt de açúcar possam ser aprovadas para exportação, especialmente devido ao bom desempenho das monções e às projeções favoráveis de estoque. O início da nova temporada pode ser atrasado pelas festividades do Diwali, mas não deve atrapalhar os resultados positivos”, observa.

Na UE, a agência MARS elevou sua previsão de produtividade da beterraba açucareira para 74,7 t/ha, aumentando para 2% a diferença em relação à média de cinco anos.

Leia Também:  Prefeitura atende caso de cadeirante barrado em estabelecimento

“Esse otimismo é atribuído ao clima predominantemente favorável na Europa Ocidental, que também elevou as previsões de rendimento de outras culturas importantes, como batata e milho verde”, ressalta.

Em linha com essa tendência, a Comissão Europeia também revisou para cima suas expectativas de rendimento e, quando combinadas com nossas estimativas para o Reino Unido, a região deverá produzir 11,08 toneladas por hectare – consistente com a média de cinco anos. Além disso, um aumento de 5,4% na área cultivada com beterraba contribui para uma maior disponibilidade, reduzindo a necessidade de importação da região.

“Depois de contabilizar a produção de etanol, atualmente estimamos a produção de açúcar da região em 16,5 Mt. Notavelmente, a maior parte – se não todo – desse volume será de açúcar de melhor qualidade, o que contribui para fluxos comerciais mais equilibrados de açúcar branco”, analisa.

Em resumo, o mercado de açúcar bruto continua sustentado por uma demanda relativamente estável e pela dinâmica de alta da energia, apesar das incertezas globais, com os futuros de março fechando na semana passada a 23 c/lb. O Centro-Sul do Brasil está sofrendo com a redução da produção devido a secas e incêndios, restringindo a oferta de bruto e estimulando a compra especulativa. Entretanto, a recuperação no Hemisfério Norte, especialmente na UE, Índia e Tailândia, está ajudando a estabilizar os preços do açúcar branco.

A safra da Tailândia se beneficiou do clima favorável, e a Índia poderá aprovar algumas exportações durante a temporada 2024/25. A União Europeia também está projetando rendimentos mais altos de beterraba sacarina.

Combinado com a melhoria da oferta de outros produtores de açúcar branco, como o México e a América Central, isso contribui para fluxos comerciais mais equilibrados de açúcar branco e uma perspectiva de baixa para o prêmio branco, o que pode limitar os ganhos de preço do açúcar bruto a médio e longo prazo.

Fonte: Hedgepoint Global Markets

Fonte: Portal do Agronegócio

Advertisement

AGRONEGÓCIO

Carne, café e soja terão que comprovar origem a partir de 30 de dezembro

Published

on

Produtores, cooperativas e exportadores brasileiros que abastecem o mercado europeu têm menos de três meses para revisar as informações de origem dos produtos sujeitos ao Regulamento Europeu Antidesmatamento (EUDR). A aplicação começa em 30 de dezembro para grandes e médios operadores abrangidos pela norma. A preparação exige identificar as áreas de produção, conferir fornecedores e reunir evidências de regularidade.

O regulamento alcança bovinos, cacau, café, óleo de palma, borracha, soja, madeira e determinados derivados. Para entrar no mercado europeu, os produtos incluídos precisam atender a dois critérios: estar livres de desmatamento posterior a 31 de dezembro de 2020 e ter sido produzidos conforme a legislação aplicável no país de origem.

Isso significa que uma autorização de supressão de vegetação concedida no Brasil não afasta, por si só, o critério europeu. O comprador responsável pela entrada da mercadoria no bloco terá de verificar tanto a legalidade da produção quanto o histórico da área.

A localização é uma das informações centrais. Para produtos agrícolas, o regulamento exige a geolocalização das áreas onde a matéria-prima foi produzida. Quando um lote reúne produção de diferentes propriedades, as respectivas origens precisam ser identificadas.

Na pecuária, a exigência envolve os estabelecimentos onde os bovinos foram mantidos. A organização dos dados, portanto, precisa alcançar as etapas anteriores ao fornecimento para o abate, conforme os requisitos aplicáveis ao produto.

Leia Também:  Drones de mapeamento indoor chegam ao Brasil com tecnologia inovadora

O Cadastro Ambiental Rural (CAR) pode integrar o conjunto de informações utilizado na comprovação. Sua apresentação, entretanto, precisa estar acompanhada de dados e evidências verificáveis sobre a área, a produção e sua conformidade. Divergências entre coordenadas, documentos e registros dos fornecedores podem dificultar a análise.

A obrigação de realizar a chamada diligência devida, processo de coleta de informações e avaliação de riscos, recai principalmente sobre o operador que introduz o produto no mercado europeu pela primeira vez ou o exporta da União Europeia. O produtor brasileiro que fornece a uma empresa responsável pela exportação pode receber pedidos de informações necessários ao cumprimento dessas obrigações.

Essa diferença também importa para os prazos. A maior parte dos micro e pequenos operadores abrangidos terá até 30 de junho de 2027, mas isso não assegura automaticamente um prazo adicional ao pequeno produtor brasileiro. Quem abastece um comprador sujeito às regras em dezembro precisa organizar os dados conforme as necessidades dessa cadeia.

Há uma exceção no calendário: micro e pequenos operadores já alcançados pelo regulamento europeu da madeira deverão cumprir a EUDR a partir de 30 de dezembro de 2026.

Leia Também:  Dinâmica estável marca o encerramento da semana no mercado brasileiro de milho

O Brasil está classificado pela Comissão Europeia como país de risco padrão. Por isso, os produtos brasileiros não recebem, de forma geral, a simplificação da diligência reservada às origens de baixo risco. O operador deve avaliar as informações e adotar medidas para reduzir eventuais riscos de descumprimento.

Quando os dados obrigatórios não podem ser obtidos, o produto não pode ser colocado no mercado europeu pelo operador sujeito à regra. Os documentos da diligência devem ser conservados por cinco anos.

A lista de produtos também merece atenção. Segundo a Comissão Europeia, itens acrescentados ao alcance da norma em 2026, como café solúvel, determinados derivados do óleo de palma e línguas bovinas congeladas, estarão sujeitos às exigências a partir de 30 de dezembro de 2027.

Para preparar os próximos embarques, o primeiro passo é confirmar com o comprador quais produtos e operações estão abrangidos. Depois, conferir as localizações, relacionar cada fornecimento à sua origem e organizar o histórico das áreas e os documentos de legalidade. A revisão antecipada permite identificar lacunas antes que elas comprometam a comercialização.

Fonte: Pensar Agro

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA