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Crise do Crédito no Brasil: O Impacto da Alta da Selic e os Desafios da Deflação Chinesa

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O cenário econômico atual no Brasil é marcado por uma crise de crédito que afeta tanto empresas quanto consumidores. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) alerta que a alta taxa de juros está dificultando o avanço de projetos essenciais para o crescimento econômico, impactando especialmente o setor industrial. As cadeias produtivas, que enfrentam custos financeiros acumulados, acabam resultando em produtos finais mais caros e menos competitivos no mercado.

A atual taxa básica de juros, a Selic, fixada em 10,5% ao ano, e o spread bancário elevado, resultam em uma taxa de juros real de 6,42%, bem acima da taxa neutra de 4,75% estimada pelo Banco Central. Essa situação evidencia uma política monetária contracionista que já perdura desde fevereiro de 2022, prejudicando o crescimento econômico. Cada ponto percentual adicional na Selic representa cerca de R$ 40 bilhões em despesas anuais com juros.

Ricardo Alban, presidente da CNI, ressalta que “não há mais espaço para novos aumentos da Selic”. Ele enfatiza que, com a desaceleração da inflação e a tendência global de redução das taxas de juros, o Brasil deveria considerar uma diminuição da Selic para não prejudicar sua competitividade global e o crescimento econômico. Atualmente, o Brasil ocupa a terceira posição mundial em termos de juros reais, atrás apenas da Turquia (12% ao ano) e da Rússia (7,55% ao ano), contrastando com economias emergentes como África do Sul, Índia e China, que apresentam taxas bem mais baixas.

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Impactos da Deflação Chinesa e Riscos para o Brasil

O Brasil tem mantido uma taxa de juros elevada mesmo com a deflação exportada pela China, que tem pressionado a inflação global para baixo. Em 2019, a China destinou € 221,3 bilhões em subsídios ao setor produtivo, mantendo os preços das exportações baixos. No entanto, com o aumento do protecionismo e possíveis restrições fiscais na China, o efeito deflacionário pode diminuir, o que poderá levar a um cenário inflacionário crescente no Brasil e novas elevações na taxa de juros.

A Selic, considerada alta mesmo para as condições inflacionárias internas, deve ser ajustada. A CNI estima que a taxa de equilíbrio necessária seria de 7,95% ao ano, considerando a inflação acumulada. Mesmo com a inflação projetada, a taxa necessária seria de 9,70% ao ano, ainda abaixo dos atuais 10,5%.

Além disso, o Brasil enfrenta um dos spreads bancários mais altos do mundo, com 27,4%, segundo o Banco Mundial. Em contraste, países como o Peru têm spreads significativamente menores, de apenas 7,8%. A elevada concentração bancária no Brasil limita a competitividade e eleva o custo do crédito, com empresas se financiando a uma taxa média de 20,94% ao ano, e pequenas empresas enfrentando condições ainda mais adversas.

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Oportunidades e Desafios Futuro

Com a tendência global de redução das taxas de juros, o Brasil pode se distanciar ainda mais do cenário internacional se mantiver sua Selic alta. Países como China, México, Reino Unido e Canadá já reduziram suas taxas básicas, e o Federal Reserve dos EUA também pode seguir esse caminho. A redução global dos juros aumenta a liquidez e atrai investidores para mercados emergentes, criando uma oportunidade para o Brasil atrair investimentos e modernizar seu parque industrial.

Preparar-se para o fim da “exportação de deflação” pela China será crucial. O Brasil precisará de uma estrutura produtiva robusta para atender à demanda interna e exportar, uma vez que a dinâmica atual mudar. Alban conclui que uma coordenação eficaz entre política fiscal e monetária poderá permitir uma redução mais significativa dos juros no curto prazo, posicionando o Brasil estrategicamente no cenário internacional e promovendo um crescimento econômico sustentável.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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