A empresa startup Varanis Tecnologia Ltda. desenvolveu, com fomento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat) em parceria com Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), uma plataforma integrada entre setor público e privado para reunir roteiros, hospedagens e serviços de turismo em geral não só de Mato Grosso, mas de todo o território nacional.
Chamada de Inteligência Turística, a plataforma desenvolveu um marketplace, local onde várias empresas voltadas para turismo podem vender seus serviços, com uso de inteligência artificial, análise de dados e gestão de experiência turística.
A plataforma nasceu dentro do Programa Centelha II, uma iniciativa do Governo Federal em parceria com as Fundações de Amparo à Pesquisa no país, que dá recursos para a criação de empreendimentos inovadores e disseminar a cultura empreendedora.
De acordo com o pesquisador e consultor de turismo Sidnei Varanis de Souza da empresa Varanis Tecnologia Ltda., que coordenou a criação da plataforma, a ideia é mapear o comportamento e preferências de clientes no setor turístico.
“A proposta do VAR Marketplace é utilizar a inteligência artificial (IA) para atender o mercado consumidor de passeios turísticos em Mato Grosso, permitindo a personalização de cada experiência de viagem, analisando o comportamento e as preferências dos usuários e sugerindo opções que atendam as expectativas de cada turista”, enfatizou.
Além do espaço virtual integrado para vender serviços turísticos, o VAR Marketplace está conectado a um sistema de gestão de relacionamento com o cliente (CRM, na sigla em inglês), que reúne dados de clientes atuais e potenciais para preferências de compras.
A startup também busca estabelecer parcerias estratégicas com entidades governamentais, outras empresas privadas e organizações não governamentais (ONGs) para fazer com que a plataforma seja uma referência em inovação no setor não apenas em Mato Grosso, onde o projeto está sendo desenvolvido, mas em todo o Brasil.
Atualmente, a startup tem contrato com o Governo de Santa Catarina, através do Instituto de Meio Ambiente (IMA), que adotou a ferramenta para divulgar as potencialidades turísticas em todas as unidades de conservação do estado.
Outros serviços da plataforma
Além do marketplace, o VAR Plataforma de Inteligência Turística também traz módulos para um inventário turístico que busca fazer um levantamento, registro e divulgação de atrativos, serviços, equipamentos e estruturas que possibilitem a atividade turística.
O inventário poderá alimentar ainda um sistema que constrói o Plano Municipal de Turismo, que pode fornecer um painel de informações que permitirá a análise detalhada de tendências de mercado, comportamento de turistas e oportunidades emergentes.
Outro diferencial da plataforma é a criação de um Observatório de Turismo, que pode ajudar prefeituras e governos na formulação de políticas públicas e no direcionamento de investimentos para áreas com maior potencial de retorno – o que permite que gestores municipais e estaduais tomem decisões baseadas em dados e aumentem a eficiência de suas ações no setor turístico.
A integração com o sistema CRM permitirá que os fornecedores compreendam melhor os seus clientes (turistas) e adaptar suas ofertas para maximizar a satisfação. Ao conhecer as preferências e o comportamento dos visitantes, os municípios poderão ajustar seus atrativos e rotas turísticas, oferecendo uma experiência mais personalizada.
A plataforma Inteligência Turística pode ser acessada no endereço https://www.var.tur.br.
Programa Centelha II
O Programa Centelha oferece capacitação, suporte financeiro e orientação para transformar ideias em empresas. O programa prevê subvenção econômica para até 50 projetos de inovação, com um valor de até R$ 40 mil por projeto com recursos do Governo Federal, além de uma contrapartida de até R$ 20 mil da Fapemat, totalizando até R$ 60 mil.
O Centelha é uma chamada pública do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) e Fundação CERTI. Em Mato Grosso, é executada pela Fapemat.
A primeira edição do programa Centelha foi executada em 19 Estados, com investimento de R$ 40 milhões, mais de 15 mil ideias submetidas e 498 empresas apoiadas. A segunda edição está em 25 Estados e o Distrito Federal, com 31 mil empreendedores envolvidos, mais de 10 mil ideias submetidas e 651 empresas apoiadas.
Representação apresentada por Iraci Ferreira de Souza acusa parlamentar de ataques pessoais, quebra de decoro e uso do mandato para desqualificar a gestora
A prefeita de Pedra Preta, Iraci Ferreira de Souza, apresentou uma representação disciplinar contra o vereador Carlos Fernando Pereira de Oliveira, o “Fernando do Galvileiro”, sob acusação de violência política de gênero e quebra de decoro parlamentar.
A denúncia foi encaminhada à Procuradoria Especial da Mulher da Câmara Municipal e, posteriormente, remetida à Presidência do Legislativo para análise e adoção das providências cabíveis. No documento de encaminhamento, a própria Procuradoria ressalta que não possui natureza investigativa ou poder para aplicar sanções, cabendo aos órgãos competentes da Câmara analisar o caso.
Segundo a representação, os episódios teriam ocorrido durante fiscalizações e manifestações públicas realizadas pelo vereador nos meses de junho, julho e agosto de 2026. A prefeita sustenta que as críticas ultrapassaram o debate administrativo e passaram a conter ataques pessoais e expressões consideradas ofensivas.
Entre os episódios citados está uma fiscalização realizada no Distrito Industrial, em junho, quando o parlamentar fez críticas à administração municipal. Outro fato apontado ocorreu às margens da Rodovia 459, em julho. A representação também relata um episódio ocorrido em 11 de agosto, na Farmácia Municipal, quando o vereador realizou uma transmissão ao vivo e questionou a falta de medicamentos. A defesa da prefeita afirma que, durante essas manifestações, foram utilizadas expressões como “incompetente”, “omissa” e “mentirosa”.
Na representação, Iraci argumenta que não pretende impedir a fiscalização do Legislativo ou críticas à administração, mas sustenta que houve uma sequência de manifestações direcionadas à sua pessoa e à sua condição de mulher ocupante do cargo de chefe do Executivo.
O documento fundamenta a denúncia na legislação que trata da violência política contra a mulher e também defende que a imunidade parlamentar não serviria para proteger eventuais ofensas pessoais sem relação direta com o exercício legítimo do mandato.
Ao final, a prefeita solicita o recebimento da representação, a análise preliminar dos fatos e o encaminhamento do caso à Mesa Diretora e à Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara de Pedra Preta. Entre as medidas requeridas está a abertura de processo disciplinar que poderá, caso as acusações sejam comprovadas e observados o contraditório e a ampla defesa, resultar inclusive na cassação do mandato do vereador.
Iraci também pede o envio de cópia dos autos ao Ministério Público de Mato Grosso, para análise de eventuais ilícitos funcionais e crimes contra a honra. A representação foi protocolada na Câmara Municipal de Pedra Preta no dia 20 de agosto de 2026.
Até esta etapa, trata-se de uma representação com acusações formuladas pela prefeita, e não de uma decisão definitiva contra o parlamentar. Caberá aos órgãos competentes da Câmara avaliar o prosseguimento do caso e assegurar ao vereador o direito de defesa.
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