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Esclerose múltipla: doença atinge mais mulheres e pode ser incapacitante

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Esclerose múltipla: doença atinge mais mulheres e pode ser incapacitante
André Braga

Esclerose múltipla: doença atinge mais mulheres e pode ser incapacitante

Doença rara, que atinge cerca de 40 mil brasileiros , a esclerose múltipla (EM) é uma patologia neurológica e crônica, e ocorre quando as células de defesa do organismo atacam o próprio sistema nervoso central. Ela que atinge geralmente pessoas jovens , com idade entre 20 e 40 anos, sendo mais comum entre as mulheres e pessoas brancas. Os dados da Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (Abem).

A neurologista, especialista em esclerose múltipla, Priscilla Proveti explica que a EM é uma doença autoimune desmelinizante que afeta o cérebro. “ Nosso sistema imunológico, que deveria ter o papel de combater as bactérias, os vírus, por algum motivo começa a reconhecer a camada, uma parte do cérebro como anormal e começa a atacar essa parte do cérebro, causando aí uma inflamação. A gente fala que o neurônio é como se fosse um fio encapado, então na esclerose múltipla eu perco essa capa que envolve o fio e o fio começa a não funcionar adequadamente “, analisa.

As causas da doença são desconhecidas, mas segundo a especialista, existem vários fatores de risco associados ao surgimento dela, por exemplo, a deficiência de vitamina D, exposição ao tabagismo na infância, a obesidade infantil. “Na infância e na adolescência, o estresse emocional pode ser um fator de risco”, comenta.

As mulheres têm pelo menos duas a três vezes mais probabilidade de desenvolver a doença, de acordo com a National Multiple Sclerosis Society. Isso porque, provavelmente, ela está relacionada a fatores hormonais e até fatores genéticos. “ É uma doença de mulher jovem, mulher em idade reprodutiva. A base para isso não é tão bem esclarecida, mas a gente acredita que tenha componentes tanto genéticos, quanto componentes hormonais associados “, analisa Proveti.

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Sintomas e tratamento

Os sintomas são variáveis, a depender de onde ocorre a inflamação. Alterações sensitivas, como formigamento, perda de sensibilidade e dor podem ocorrer na face, nos braços e nas pernas. Sintomas motores, como perda de força, além de queixas de desequilíbrio, tontura e alterações urinárias, podem ser comuns.

Já os sintomas invisíveis, como a fadiga, são bem comuns. “A fadiga é um sintoma muito importante na esclerose múltipla e que acaba sendo bem incapacitante e às vezes é um sintoma invisível. É uma fadiga não associada a alguma atividade física, é um cansaço que não melhora”, ressalta.

Incapacidade

A esclerose múltipla tem duas formas clínicas principais de início dos sintomas, que seria a forma remitente recorrente e a forma primariamente progressiva. Na forma remitente recorrente, o paciente tem um sintoma neurológico que pode durar dias até meses, pode apresentar uma melhora completa desse sintoma, então a doença evolui em surtos. Na forma primariamente progressiva, a forma menos comum da doença, o paciente tem uma progressão de um sintoma neurológico que vai piorando ali progressivamente ao longo do tempo, às vezes ao longo de um ano.

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Uma pesquisa do Centro de Inovação SESI Higiene Ocupacional revelou que 40% das pessoas com esclerose múltipla não estão trabalhando. Nos últimos quatro anos, foram concedidos mais de sete mil benefícios para pessoas com a doença no País, sendo 1.860 por invalidez – três em cada quatro delas se aposentaram antes dos 50 anos.

O estudo também destaca que a média anual de afastamento do trabalho é de 128 dias e que, em 2020, o custo público estimado com aposentadorias e afastamentos relacionados à esclerose múltipla será de R$ 411 milhões.

Tratamento

Com o avanço da tecnologia, os tratamentos de alta eficácia iniciados precocemente têm proporcionado uma qualidade de vida maior para os pacientes, diminuindo a chance de evoluir com incapacidade. Por isso, a importância do diagnóstico correto.

Muitos médicos ainda desconhecem, então acabam não valorizando esse paciente quando ele chega, por exemplo, no pronto-socorro. E muitas vezes, o surto é associado ao estresse emocional “, diz a médica. A orientação é que qualquer sintoma neurológico, seja formigamento, perda de sensibilidade, fraqueza ou tontura, que dure mais do que um dia, seja avaliado e investigado de forma adequada. Esta sexta-feira, 30 de agosto, é o Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla.

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Fonte: Nacional

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Credores aprovam plano do Grupo HPAR e fortalecem recuperação judicial da companhia

Assembleia com 80% de adesão consolida continuidade do conglomerado e reforça confiança do mercado

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O Grupo HPAR teve o plano de recuperação judicial aprovado nesta quarta-feira (13/05), durante Assembleia Geral de Credores realizada no processo que tramita na 1ª Vara Cível de Cuiabá (MT). A decisão representa uma das etapas mais relevantes da reestruturação financeira do Grupo.

O plano recebeu apoio maciço dos credores, alcançando adesão de 80,58% do valor total dos créditos presentes à assembleia. Instituições financeiras como Daycoval e Bradesco deram voto favorável às condições previstas no plano e no termo aditivo apresentado pelas recuperandas.

A aprovação consolida a continuidade operacional do Grupo HPAR, que atua nos setores de tecnologia, telecomunicações, infraestrutura de redes e serviços corporativos, reunindo as empresas Globaltask, SPE Piauí Conectado, H.Tell Telecom e Bao Bing Infraestrutura.

Internamente, o grupo trata a aprovação como um marco estratégico para preservação das atividades empresariais diante da crise provocada pelo descumprimento do contrato envolvendo a PPP-Piauí Conectado, considerada uma das maiores iniciativas de infraestrutura digital do país. O projeto implantou aproximadamente 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.

O grupo sustenta que houve encampamento ilegal da infraestrutura implantada sem a correspondente indenização pelos investimentos realizados.

O plano aprovado prevê que os recursos financeiros advindos (1) do procedimento de arbitragem que sujeita o Estado do Piauí, (2) da ação judicial de execução que tem contra o Banco do Brasil, garantidor do investimento realizado ou (3) da decisão que determina o pagamento da garantia na recuperação judicial — classificados como “Eventos de Liquidez” — sejam destinados ao cumprimento das obrigações previstas na recuperação judicial e ao pagamento dos credores.

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Entre os principais pontos de tensão está o litígio envolvendo garantias financeiras relacionadas à PPP. Segundo o grupo, o Banco do Brasil teria se recusado a liberar o dinheiro depositado e vinculado ao investimento realizado, esgotando financeiramente a empresa para levá-la à quebra para posterior tomada dos investimentos efetuados. Um recurso de agravo de instrumento, que vai decidir a liberação do valor para a empresa está pautado para ser julgado dia 20/05 no TJMT.

Para o advogado especialista em recuperação judicial do Grupo ERS, Euclides Ribeiro, a aprovação do plano demonstra maturidade do ambiente negocial e reforça a viabilidade econômica do grupo.

“Essa aprovação representa um importante sinal de confiança dos credores na capacidade de recuperação da companhia e principalmente na tese de que o Banco do Brasil deve sim liberar o dinheiro bloqueado pois é garantidor e caucionante dos recursos que estão na conta corrente do projeto. O processo demonstrou que, mesmo em cenários de forte complexidade institucional e financeira, é possível construir soluções jurídicas voltadas à manutenção da operação, proteção dos empregos e satisfação coletiva dos credores”, afirmou.

A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado é acompanhada com atenção por investidores, operadores de PPPs e agentes do mercado financeiro, diante dos possíveis impactos sobre a segurança jurídica de projetos públicos de infraestrutura no Brasil.

Entenda o caso

A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado transformou-se em uma das maiores disputas jurídico-empresariais já registradas no setor de infraestrutura digital brasileiro. A concessionária foi responsável pela implantação do projeto Piauí Conectado, considerado um dos maiores projetos públicos de conectividade do país, com cerca de 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.

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O modelo foi estruturado como uma Parceria Público-Privada (PPP), na qual a iniciativa privada realizou os investimentos necessários para construção, operação e manutenção da infraestrutura tecnológica estadual, enquanto o Estado se comprometeu contratualmente a remunerar a concessionária ao longo dos 30 anos da concessão.

Segundo as recuperandas, aproximadamente R$ 650 milhões foram investidos diretamente na implantação da rede óptica, datacenter, centros operacionais e infraestrutura de telecomunicações. A empresa sustenta que o projeto contribuiu para elevar o Piauí aos primeiros lugares nacionais em indicadores de conectividade entre 2022 e 2024.

A partir de 2023, com a posse do governador Rafael Fonteles, a relação entre a concessionária e o Governo do Piauí sofreu uma mudança abrupta e o conflito escalou rapidamente.

Segundo a concessionária, apesar de o contrato ter sido integralmente executado e a rede ter permanecido plenamente operacional durante toda a execução da concessão, o Estado passou a promover retenções massivas das contraprestações mensais previstas contratualmente, comprometendo severamente o fluxo financeiro da operação, tudo arquitetado para tomada da empresa pelo Estado sem pagamento dos investimentos.

Na sequência, sucederam-se auditorias técnicas, instauração de processos sancionatórios, decretação de intervenção estatal e, posteriormente, a caducidade da concessão. Além do conflito com o Governo do Piauí, o Grupo HPAR obteve a negativa do Banco do Brasil em pagar a garantia prestada, em que pese já ter ganho a arbitragem na Câmara Brasil Canadá. Segundo as recuperandas, a não liberação dessas garantias agravou significativamente o cenário de crise financeira das empresas.

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