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Desafios Climáticos Marcam a Nova Safra de Trigo no Brasil

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A nova safra de trigo no Brasil está sendo marcada por desafios climáticos significativos, especialmente nos estados do Paraná e Rio Grande do Sul. No Sul do país, a área plantada de trigo está quase completamente semeada, com cerca de 2,5 milhões de hectares destinados à cultura. A produção esperada é de aproximadamente 8,1 milhões de toneladas, com uma produtividade média de 3,1 kg/hectare. No entanto, as condições climáticas variáveis têm impactado o desenvolvimento das lavouras.

No Rio Grande do Sul, o plantio foi interrompido temporariamente devido às chuvas no início de julho, mas retomou o ritmo com a melhoria do tempo. Segundo a Emater-RS, 94% da área projetada de 1.312.488 hectares já foi semeada. O agrônomo Alencar Rugeri destaca que o atraso no plantio não é necessariamente negativo, lembrando que a maior produção histórica do estado ocorreu sob condições semelhantes. Contudo, ele alerta que o desenvolvimento inicial das plantas foi prejudicado pela persistência da chuva e pouca luminosidade.

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Carlos Konig, gerente agrônomo da cooperativa C. Vale, aponta que as lavouras, de forma geral, estão se desenvolvendo bem, mas há preocupações com possíveis impactos do frio tardio e excesso de chuva na colheita. O produtor Mauro Costa Beber, de Condor-RS, relatou que o plantio ocorreu em três fases devido às interrupções causadas pelas chuvas. Beber espera que o clima favoreça a safra, apesar dos desafios enfrentados, como erosão e descapitalização dos agricultores.

No Paraná, a situação é semelhante, com o plantio concluído, mas com projeção de produtividade reduzida. O Deral informa que 12% das lavouras estão em condições ruins, 22% médias e 66% boas. A expectativa é que as colheitas comecem no próximo mês, permitindo uma avaliação mais precisa do volume final de produção.

Santa Catarina, por outro lado, apresenta uma situação mais favorável, com bom desenvolvimento das lavouras e expectativa de produção de 430 mil toneladas, um aumento de 39,83% em relação à última safra.

Mercado Internacional e Preços no Brasil

No mercado internacional, o preço do trigo tem sido influenciado por condições climáticas adversas, especialmente no Hemisfério Norte. Élcio Bento, analista da Safras & Mercado, menciona que, embora a demanda esteja crescendo, a oferta irregular está mantendo os preços próximos das mínimas. No Brasil, os preços do trigo também são afetados pela logística portuária, que aumenta os custos de exportação. A situação é monitorada de perto pelos produtores, que buscam as melhores oportunidades de venda, tanto no mercado interno quanto no externo.

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Fonte: Portal do Agronegócio

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Guerra no Oriente Médio pode elevar custos no campo e pressionar inflação dos alimentos no Brasil

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As tensões geopolíticas no Oriente Médio voltaram a acender um alerta para o agronegócio global. Um estudo divulgado pelo Rabobank aponta que o prolongamento do conflito na região, aliado ao fechamento do Estreito de Ormuz — uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo — pode provocar aumento dos custos de produção agropecuária e pressionar a inflação dos alimentos no Brasil ao longo de 2026 e 2027.

Segundo a análise, o choque nos mercados de energia já está elevando os preços internacionais do petróleo e do gás natural, criando uma cadeia de impactos que alcança combustíveis, fertilizantes, transporte e logística agrícola.

Petróleo mais caro aumenta custos da produção rural

O relatório destaca que a valorização das commodities energéticas tem efeito direto sobre a atividade agropecuária. O diesel, principal combustível utilizado nas operações agrícolas e no transporte de cargas, tende a registrar alta de preços, elevando os custos desde o plantio até a distribuição dos alimentos.

Além disso, a produção mundial de fertilizantes depende fortemente de gás natural e derivados de petróleo. Com a elevação dos preços desses insumos, a tendência é de aumento nos gastos dos produtores rurais em diversas culturas.

De acordo com as projeções do Rabobank, o Índice de Commodities do Banco Central para Energia (IC-Br Energia) deverá encerrar 2026 com avanço de 41,6% na comparação anual, refletindo a disparada dos preços energéticos observada após a escalada do conflito.

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Agro sente impacto de forma gradual

Diferentemente do mercado de energia, onde os reflexos são imediatos, os efeitos sobre as commodities agrícolas costumam ocorrer de forma mais lenta.

O estudo avalia que os custos mais elevados de energia, frete, fertilizantes e logística devem ser gradualmente incorporados aos preços agrícolas. Como consequência, o Índice de Commodities Agropecuárias (IC-Br Agro) deve voltar a registrar valorização nos próximos meses.

A expectativa é que o indicador feche 2026 com crescimento de 8,8%, sinalizando um ambiente de custos mais elevados para a cadeia produtiva.

Outro fator de preocupação é a possibilidade de ocorrência de um fenômeno El Niño de forte intensidade, cenário que pode provocar alterações climáticas relevantes em importantes regiões produtoras, afetando produtividade e disponibilidade de alimentos.

Inflação dos alimentos pode ganhar força

O levantamento mostra que os alimentos in natura deverão ser os mais sensíveis aos efeitos do choque externo.

Frutas, hortaliças, legumes e outros produtos frescos costumam reagir rapidamente ao aumento dos custos de transporte, combustíveis e insumos agrícolas. Por isso, a projeção é que a inflação desse grupo alcance 9,6% ao final de 2026 e ultrapasse 10% em 2027.

Nos alimentos semielaborados e industrializados, o repasse tende a ocorrer de forma mais gradual. Estoques, contratos de fornecimento e maior diversificação de custos ajudam a amortecer os impactos iniciais da alta das commodities e da energia.

Mesmo assim, os analistas observam que o aumento dos custos deverá atingir toda a cadeia alimentícia ao longo dos próximos trimestres.

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Alimentação no domicílio deve permanecer pressionada

Após um período de desaceleração observado no início de 2026, a inflação dos alimentos consumidos dentro de casa pode voltar a acelerar.

As projeções indicam que a inflação de alimentação no domicílio deverá encerrar 2026 próxima de 6,1%, permanecendo acima dos níveis considerados confortáveis para o controle inflacionário.

Embora o índice deva apresentar desaceleração em 2027, os preços continuarão refletindo os efeitos acumulados da alta dos custos energéticos, das despesas logísticas e dos insumos agrícolas.

Agronegócio acompanha cenário com atenção

Especialistas destacam que o atual cenário reforça a importância do monitoramento dos mercados internacionais pelo setor agropecuário brasileiro.

O Oriente Médio ocupa posição estratégica no abastecimento global de petróleo e fertilizantes. Qualquer interrupção prolongada nos fluxos comerciais pode gerar volatilidade nos preços e afetar diretamente a competitividade do agronegócio.

Para produtores rurais, cooperativas, tradings e indústrias de alimentos, o principal desafio será administrar o aumento dos custos de produção em um ambiente marcado por incertezas geopolíticas, oscilações climáticas e maior volatilidade dos mercados globais.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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