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Especial Paris 2024: entenda a influência do francês na língua portuguesa

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Especial Paris 2024: entenda a influência do francês na língua portuguesa
Yumi Kuwano

Especial Paris 2024: entenda a influência do francês na língua portuguesa

O Brasil é um país de dimensões continentais e rico em cultura em seus quatro cantos. Essa cultura, que existe antes mesmo da descoberta do país, foi ganhando novos elementos com o passar dos séculos. Isso pode ser percebido de forma muito clara em um dos traços culturais mais marcantes de um país, que é a sua língua. Apesar de ter recebido o português como idioma por causa da colonização portuguesa, referências de outros lugares nunca pararam de chegar.

Pode se dizer que a França é uma das mais fortes quando o assunto é influência na língua portuguesa na literatura e gastronomia, por exemplo, mas para além disso, são inúmeras as palavras que utilizamos no nosso dia a dia que vieram do país Europeu, algumas conhecidas pela sua grafia e pronúncia originais, e outras que foram adaptadas para o dicionário brasileiro.

A professora da Universidade de Brasília (UnB) e doutora em Sociolinguística, Rosineide Magalhães de Sousa, explica que entre os séculos 19 e 20, houve uma ascensão muito grande da França em relação à cultura e que até os dias de hoje, é um país de uma cultura muito forte no mundo todo.

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As palavras chegaram ao português brasileiro por conta da influência cultural da França nesse período, em que os filhos da elite brasileira estudavam lá, iam fazer seus cursos nas escolas de altos estudos, nas universidades, e a literatura naquela época era muito forte, os estudos científicos também, então a França esteve numa ascensão muito grande, uma sessão cultural e científica. E aí, as pessoas que iam estudar fora do Brasil, traziam muito dessas palavras para cá e foram incorporando no nosso português, principalmente a elite cultural brasileira. Então, várias palavras foram entrando para o nosso léxico, estão até hoje “, conta.

Léxico é o conjunto de palavras existente em um determinado idioma, que as pessoas têm à disposição para expressar-se, oralmente ou por escrito em seu contexto. Apesar de muitas palavras terem sido modificadas quando adotadas pelo português, outras entraram para o nosso léxico, como no caso do termo “lingerie” — roupa íntima — que não teve uma alteração morfológica, da ortografia.

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Essa questão de aportuguesar ou não a palavra, isso depende muito do uso, do uso das pessoas. Tem palavras do inglês também que não foram aportuguesadas. Então, isso é uma seleção natural dos falantes, eles vão adotando essa forma de escrever ou de falar “, analisa a professora.

De acordo com ela, o Brasil sempre foi um país muito aberto para adotar termos que vêm de outros países, diferente da França, por exemplo, onde costumam ser mais “fechados” quando o assunto é cultura. E Rosineide reforça que isso não traz prejuízo nenhum para uma língua, pelo contrário: “ Só aumenta a nossa cultura e capacidade de sermos democráticos em relação aos estrangeirismos e também de adaptá-los a nossa morfologia “, completa.

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Fonte: Nacional

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Credores aprovam plano do Grupo HPAR e fortalecem recuperação judicial da companhia

Assembleia com 80% de adesão consolida continuidade do conglomerado e reforça confiança do mercado

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O Grupo HPAR teve o plano de recuperação judicial aprovado nesta quarta-feira (13/05), durante Assembleia Geral de Credores realizada no processo que tramita na 1ª Vara Cível de Cuiabá (MT). A decisão representa uma das etapas mais relevantes da reestruturação financeira do Grupo.

O plano recebeu apoio maciço dos credores, alcançando adesão de 80,58% do valor total dos créditos presentes à assembleia. Instituições financeiras como Daycoval e Bradesco deram voto favorável às condições previstas no plano e no termo aditivo apresentado pelas recuperandas.

A aprovação consolida a continuidade operacional do Grupo HPAR, que atua nos setores de tecnologia, telecomunicações, infraestrutura de redes e serviços corporativos, reunindo as empresas Globaltask, SPE Piauí Conectado, H.Tell Telecom e Bao Bing Infraestrutura.

Internamente, o grupo trata a aprovação como um marco estratégico para preservação das atividades empresariais diante da crise provocada pelo descumprimento do contrato envolvendo a PPP-Piauí Conectado, considerada uma das maiores iniciativas de infraestrutura digital do país. O projeto implantou aproximadamente 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.

O grupo sustenta que houve encampamento ilegal da infraestrutura implantada sem a correspondente indenização pelos investimentos realizados.

O plano aprovado prevê que os recursos financeiros advindos (1) do procedimento de arbitragem que sujeita o Estado do Piauí, (2) da ação judicial de execução que tem contra o Banco do Brasil, garantidor do investimento realizado ou (3) da decisão que determina o pagamento da garantia na recuperação judicial — classificados como “Eventos de Liquidez” — sejam destinados ao cumprimento das obrigações previstas na recuperação judicial e ao pagamento dos credores.

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Entre os principais pontos de tensão está o litígio envolvendo garantias financeiras relacionadas à PPP. Segundo o grupo, o Banco do Brasil teria se recusado a liberar o dinheiro depositado e vinculado ao investimento realizado, esgotando financeiramente a empresa para levá-la à quebra para posterior tomada dos investimentos efetuados. Um recurso de agravo de instrumento, que vai decidir a liberação do valor para a empresa está pautado para ser julgado dia 20/05 no TJMT.

Para o advogado especialista em recuperação judicial do Grupo ERS, Euclides Ribeiro, a aprovação do plano demonstra maturidade do ambiente negocial e reforça a viabilidade econômica do grupo.

“Essa aprovação representa um importante sinal de confiança dos credores na capacidade de recuperação da companhia e principalmente na tese de que o Banco do Brasil deve sim liberar o dinheiro bloqueado pois é garantidor e caucionante dos recursos que estão na conta corrente do projeto. O processo demonstrou que, mesmo em cenários de forte complexidade institucional e financeira, é possível construir soluções jurídicas voltadas à manutenção da operação, proteção dos empregos e satisfação coletiva dos credores”, afirmou.

A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado é acompanhada com atenção por investidores, operadores de PPPs e agentes do mercado financeiro, diante dos possíveis impactos sobre a segurança jurídica de projetos públicos de infraestrutura no Brasil.

Entenda o caso

A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado transformou-se em uma das maiores disputas jurídico-empresariais já registradas no setor de infraestrutura digital brasileiro. A concessionária foi responsável pela implantação do projeto Piauí Conectado, considerado um dos maiores projetos públicos de conectividade do país, com cerca de 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.

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O modelo foi estruturado como uma Parceria Público-Privada (PPP), na qual a iniciativa privada realizou os investimentos necessários para construção, operação e manutenção da infraestrutura tecnológica estadual, enquanto o Estado se comprometeu contratualmente a remunerar a concessionária ao longo dos 30 anos da concessão.

Segundo as recuperandas, aproximadamente R$ 650 milhões foram investidos diretamente na implantação da rede óptica, datacenter, centros operacionais e infraestrutura de telecomunicações. A empresa sustenta que o projeto contribuiu para elevar o Piauí aos primeiros lugares nacionais em indicadores de conectividade entre 2022 e 2024.

A partir de 2023, com a posse do governador Rafael Fonteles, a relação entre a concessionária e o Governo do Piauí sofreu uma mudança abrupta e o conflito escalou rapidamente.

Segundo a concessionária, apesar de o contrato ter sido integralmente executado e a rede ter permanecido plenamente operacional durante toda a execução da concessão, o Estado passou a promover retenções massivas das contraprestações mensais previstas contratualmente, comprometendo severamente o fluxo financeiro da operação, tudo arquitetado para tomada da empresa pelo Estado sem pagamento dos investimentos.

Na sequência, sucederam-se auditorias técnicas, instauração de processos sancionatórios, decretação de intervenção estatal e, posteriormente, a caducidade da concessão. Além do conflito com o Governo do Piauí, o Grupo HPAR obteve a negativa do Banco do Brasil em pagar a garantia prestada, em que pese já ter ganho a arbitragem na Câmara Brasil Canadá. Segundo as recuperandas, a não liberação dessas garantias agravou significativamente o cenário de crise financeira das empresas.

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