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Recuperação Judicial: empresa indicada por juiz é investigada por suposta gestão ilegal

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onselho Nacional de Justiça (CNJ) recebeu uma denúncia e pedido de providências contra a Brasil Trustee
Arquivo/CNJ

onselho Nacional de Justiça (CNJ) recebeu uma denúncia e pedido de providências contra a Brasil Trustee

A Brasil Trustee Assessoria e Consultoria, que atua como administradora judicial, está sendo investigada pela Corregedoria do Tribunal de Justiça de São Paulo. A decisão foi do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o motivo são supostas práticas fraudulentas e conduta ilegal na gestão de empresas em Recuperação Judicial (RJ) no Estado de São Paulo. A Brasil Trustee já operou em pelo menos 160 processos de RJ em vários estados do país e chega a trabalhar em 50 deles simultaneamente.

Em abril deste ano, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) recebeu uma denúncia e pedido de providências contra a Brasil Trustee de uma das empresas em RJ administradas por ela, a Agropecuária Tuiuti, detentora da marca “Shefa”.

Entre os possíveis atos ilícitos cometidos pela administradora estaria a cobrança de honorários “exorbitantes”. No caso da Tuiuti, o valor foi definido pela própria Brasil Trustee em mais de R$ 110 mil. Em cerca de dois anos, prazo legal da recuperação judicial, a administradora já recebeu, apenas dessa empresa, cerca de R$ 7 milhões em honorários.

A cobrança excessiva não é a única irregularidade denunciada. Estão incluídos a destituição dos sócios gestores — substituídos por gestores judiciais que atuariam em conjunto com a Brasil Trustee —, o afastamento da equipe jurídica e a contratação de novos advogados e fornecedores sem a devida autorização legal. Por fim, haveria a postergação do próprio processo de recuperação judicial e, em alguns casos, o consequente pedido de falência.

“Há uma espécie de ‘empresa da insolvência’, em que a Administradora Judicial ganha por intermédio de honorários exorbitantes e o Gestor Judicial ganha não apenas seus honorários, mas a partir dos contratos e contratações que celebra, todos eles sem passar pelo crivo do Judiciário, apresentando-se aos autos apenas quando já formalizados”, afirma o documento que deu início ao processo no CNJ.

Ao determinar que a Corregedoria-Geral de Justiça do TJSP realizasse a apreciação da denúncia e apuração dos fatos, o CNJ também definiu que a Corregedoria Nacional de Justiça monitorasse a investigação “de forma online e remota”. Procurado pelo portal iG, o Tribunal de Justiça, por meio de sua assessoria de imprensa, informou via telefonema que não comenta processos em andamento.

O CNJ ainda determinou, de forma cautelar, a suspensão do pagamento dos honorários da Brasil Trustee Assessoria e Consultoria pela Agropecuária Tuiuti.

Mesmo sendo apresentado pela Tuiuti, o documento enviado ao CNJ cita outros 13 processos de RJ instaurados entre 2016 e 2023, no interior de São Paulo. São empresas em Amparo, Artur Nogueira, Assis, Campinas, Mogi Guaçu, Mogi Mirim, Osasco, Paulínia, Santa Bárbara D’Oeste, São Caetano do Sul, Sumaré e Taubaté. Todos os processos contam com a Brasil Trustee como administradora e com as mesmas supostas ilegalidades.

Além da Brasil Trustee, são citadas a Neaime Capital Apoio Administrativo (B2GROW), a FK Consulting Pro Consultoria Empresarial e a Delazari, Berni e Iatarola. As três últimas fornecem gestores judiciais em processos de RJ e atuam em conjunto com a Brasil Trustee

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Entenda o suposto esquema

Empresas que entram em recuperação judicial estão passando por dificuldades financeiras e por isso solicitam na Justiça condições especiais para se recuperar. Elas deixam de pagar suas dívidas, mas apresentam ao Poder Judiciário e aos credores um Plano de Recuperação (PR) que deve ser seguido rigorosamente.

Para garantir que isso ocorra, o juiz responsável por aquele processo de RJ define uma “administradora judicial” que vai fiscalizar a gestão da empresa e garantir que ela está tomando as providências para cumprir os compromissos acordados no PR.

Caso a administradora identifique falhas ou tentativas de fraudes financeiras, ela solicita ao juiz o afastamento dos sócios e a determinação de um Gestor Judicial, que passa a tomar todas as decisões pela empresa e é, igualmente, fiscalizado pela administradora. Tanto o Gestor como a Administradora Judicial devem prestar contas ao juiz responsável.

Possível conluio

Para os denunciantes, a Brasil Trustee trabalha em conluio com o Gestor Judicial para alongar o processo de RJ e continuar recebendo os honorários, ou ainda, para defender interesses de outras empresas. Com essas práticas, consideradas ilegais pelos advogados, o processo de recuperação judicial se estende e pode ainda levar à falência.

No caso da J. Rufinus Diesel, empresa de reciclagem de veículos e atuante no mercado de peças de reposição seminovas para caminhões de linha pesada, a falência quase virou uma realidade. Foi necessário chegar ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para anular a decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) que havia transformado o processo de recuperação judicial, que começou em 2016, em falência.

Até o ano passado, o processo de RJ da empresa de reciclagem de veículos seguia dentro da normalidade. Porém, no segundo semestre de 2023, surgiram denúncias de fraude de um dos credores da empresa. Com isso, ocorreu a troca da juíza responsável pelo processo e do Administrador Judicial. É nesse momento que a Brasil Trustee assume a administração judicial da JR Diesel.

Em dezembro de 2023, a gestão da empresa, incluindo o empresário Geraldo Rufino, que é palestrante e autor de livros como “O catador de sonhos”, foi afastada. Em seu lugar, a FK Consulting Pro Consultoria Empresarial foi definida como Gestora Judicial.

Troca de advogado

Com a alegação de que o departamento jurídico da J. Rufinus Diesel não respondia às demandas do Gestor, a equipe foi afastada e o advogado Rodrigo Sartori contratado pela FK em janeiro deste ano.

“Houve o afastamento dos sócios em dezembro, por haver indícios de fraude contra credores. Além disso, a advogada da empresa se ausentava e não apresentava as informações necessárias para o andamento dos procedimentos internos da empresa. Foi assim que a Gestora Judicial entendeu que era necessário um advogado presente no dia a dia da empresa, quando fui inserido”, conta o advogado que seguiu na empresa até maio. Sartori ainda afirma que não notou qualquer ato irregular da Brasil Trustee ou da FK Consulting Pro.

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A JR Diesel tem outra versão dos fatos. A empresa afirma que as alegações de desvio de recursos são infundadas e visam apenas causar tumulto processual. Também de acordo com a JR Diesel, Sartori atuou por um curto período no processo de recuperação judicial. Para os representantes da JR, o afastamento da advogada foi “uma estranha decisão da própria FK com o intuito de afastar todo o corpo jurídico da empresa, e não porque houve falta de amparo ou atendimento”.

Sobre Rodrigo Sartori, a JR Diesel informa, via nota enviada ao portal iG, que “ele atuou em claro conflito de interesse ao representar simultaneamente a Gestora Judicial e a Recuperanda, e que não havia autorização judicial para isso”. A JR também informa que o advogado foi desligado um dia antes da Assembleia Geral de Credores, quando 96% dos presentes solicitaram o afastamento da FK Consulting como Gestora Judicial. “Portanto, entendemos que suas declarações são uma clara retaliação por meio de mentiras e atos ilegais”, diz a nota.

“Reforçamos nossa confiança no equilíbrio e na imparcialidade da justiça brasileira para que tudo, através dela, restabeleça suas devidas e justas posições”, finaliza a empresa.

Outro lado

Sócio Diretor da Brasil Trustee Assessoria e Consultoria, Filipe Marques Mangerona, afirma que sua empresa está sendo denunciada justamente por seguir o rigor da lei.

“Somos os olhos do juiz dentro das empresas devedoras. Temos por dever legal, no exercício de nossa atividade fiscalizatória, levar as informações obtidas no exame de documentos contábeis, fiscais e jurídicos, nas diligências que realizamos, para o Poder Judiciário, o Ministério Público e para os credores sujeitos à recuperação judicial, proporcionando transparência ao processo”, afirma Mangerona.

Ele explica que, ao identificar fraudes, o Poder Judiciário afasta os gestores fraudadores e nomeia um Gestor Judicial, um profissional raro no mercado. “(Isso) faz com que a Brasil Trustee atue, em alguns casos, com os mesmos gestores judiciais, um exemplo é a FK Consulting Pro”, diz. Mangerona finaliza dizendo que “não existe, em absoluto, ligação entre a nossa empresa e qualquer empresa de gestão judicial”.

Frank Koji Migiyama, fundador da FK Consulting Pro, afirma que 60% dos projetos em que atua são com empresas em recuperação judicial. Ele também diz que o trabalho do Gestor Judicial é auxiliar os empresários na recuperação financeira das empresas.

“Em alguns casos, fraudes são detectadas durante o processo, levando ao afastamento do administrador da empresa. Isso faz com que seja gerada uma certa raiva com relação ao administrador judicial, e ocorram essas denúncias”, avalia Migiyama.

Quando perguntado sobre a relação com a Brasil Trustee, ele também esclarece que atua com gestão judicial desde 2017 e que o primeiro trabalho com essa administradora foi em 2021. “Nós trabalhamos em conjunto, mas temos nossas divergências. Assim como o gestor judicial fiscaliza as empresas, somos fiscalizados pela administradora judicial”, conclui.

Fonte: Nacional

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Credores aprovam plano do Grupo HPAR e fortalecem recuperação judicial da companhia

Assembleia com 80% de adesão consolida continuidade do conglomerado e reforça confiança do mercado

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O Grupo HPAR teve o plano de recuperação judicial aprovado nesta quarta-feira (13/05), durante Assembleia Geral de Credores realizada no processo que tramita na 1ª Vara Cível de Cuiabá (MT). A decisão representa uma das etapas mais relevantes da reestruturação financeira do Grupo.

O plano recebeu apoio maciço dos credores, alcançando adesão de 80,58% do valor total dos créditos presentes à assembleia. Instituições financeiras como Daycoval e Bradesco deram voto favorável às condições previstas no plano e no termo aditivo apresentado pelas recuperandas.

A aprovação consolida a continuidade operacional do Grupo HPAR, que atua nos setores de tecnologia, telecomunicações, infraestrutura de redes e serviços corporativos, reunindo as empresas Globaltask, SPE Piauí Conectado, H.Tell Telecom e Bao Bing Infraestrutura.

Internamente, o grupo trata a aprovação como um marco estratégico para preservação das atividades empresariais diante da crise provocada pelo descumprimento do contrato envolvendo a PPP-Piauí Conectado, considerada uma das maiores iniciativas de infraestrutura digital do país. O projeto implantou aproximadamente 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.

O grupo sustenta que houve encampamento ilegal da infraestrutura implantada sem a correspondente indenização pelos investimentos realizados.

O plano aprovado prevê que os recursos financeiros advindos (1) do procedimento de arbitragem que sujeita o Estado do Piauí, (2) da ação judicial de execução que tem contra o Banco do Brasil, garantidor do investimento realizado ou (3) da decisão que determina o pagamento da garantia na recuperação judicial — classificados como “Eventos de Liquidez” — sejam destinados ao cumprimento das obrigações previstas na recuperação judicial e ao pagamento dos credores.

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Entre os principais pontos de tensão está o litígio envolvendo garantias financeiras relacionadas à PPP. Segundo o grupo, o Banco do Brasil teria se recusado a liberar o dinheiro depositado e vinculado ao investimento realizado, esgotando financeiramente a empresa para levá-la à quebra para posterior tomada dos investimentos efetuados. Um recurso de agravo de instrumento, que vai decidir a liberação do valor para a empresa está pautado para ser julgado dia 20/05 no TJMT.

Para o advogado especialista em recuperação judicial do Grupo ERS, Euclides Ribeiro, a aprovação do plano demonstra maturidade do ambiente negocial e reforça a viabilidade econômica do grupo.

“Essa aprovação representa um importante sinal de confiança dos credores na capacidade de recuperação da companhia e principalmente na tese de que o Banco do Brasil deve sim liberar o dinheiro bloqueado pois é garantidor e caucionante dos recursos que estão na conta corrente do projeto. O processo demonstrou que, mesmo em cenários de forte complexidade institucional e financeira, é possível construir soluções jurídicas voltadas à manutenção da operação, proteção dos empregos e satisfação coletiva dos credores”, afirmou.

A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado é acompanhada com atenção por investidores, operadores de PPPs e agentes do mercado financeiro, diante dos possíveis impactos sobre a segurança jurídica de projetos públicos de infraestrutura no Brasil.

Entenda o caso

A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado transformou-se em uma das maiores disputas jurídico-empresariais já registradas no setor de infraestrutura digital brasileiro. A concessionária foi responsável pela implantação do projeto Piauí Conectado, considerado um dos maiores projetos públicos de conectividade do país, com cerca de 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.

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O modelo foi estruturado como uma Parceria Público-Privada (PPP), na qual a iniciativa privada realizou os investimentos necessários para construção, operação e manutenção da infraestrutura tecnológica estadual, enquanto o Estado se comprometeu contratualmente a remunerar a concessionária ao longo dos 30 anos da concessão.

Segundo as recuperandas, aproximadamente R$ 650 milhões foram investidos diretamente na implantação da rede óptica, datacenter, centros operacionais e infraestrutura de telecomunicações. A empresa sustenta que o projeto contribuiu para elevar o Piauí aos primeiros lugares nacionais em indicadores de conectividade entre 2022 e 2024.

A partir de 2023, com a posse do governador Rafael Fonteles, a relação entre a concessionária e o Governo do Piauí sofreu uma mudança abrupta e o conflito escalou rapidamente.

Segundo a concessionária, apesar de o contrato ter sido integralmente executado e a rede ter permanecido plenamente operacional durante toda a execução da concessão, o Estado passou a promover retenções massivas das contraprestações mensais previstas contratualmente, comprometendo severamente o fluxo financeiro da operação, tudo arquitetado para tomada da empresa pelo Estado sem pagamento dos investimentos.

Na sequência, sucederam-se auditorias técnicas, instauração de processos sancionatórios, decretação de intervenção estatal e, posteriormente, a caducidade da concessão. Além do conflito com o Governo do Piauí, o Grupo HPAR obteve a negativa do Banco do Brasil em pagar a garantia prestada, em que pese já ter ganho a arbitragem na Câmara Brasil Canadá. Segundo as recuperandas, a não liberação dessas garantias agravou significativamente o cenário de crise financeira das empresas.

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