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MPMT aponta desafios para a proteção integral nos 34 anos do ECA

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O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) – Lei nº 8.072/90 – completa 34 anos no próximo sábado (13). Para celebrar a data e avaliar avanços e desafios do conjunto de normas, a Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT) realizou uma sessão solene na manhã desta quinta-feira (11), no Plenário de Deliberações Deputado Renê Barbour. O procurador de Justiça Paulo Roberto Jorge do Prado, titular da Procuradoria Especializada na Defesa da Criança e do Adolescente, representou o MPMT no evento. 

A sessão foi requerida pelo deputado Sebastião Rezende, vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos, Defesa dos Direitos da Mulher, Cidadania, Amparo à Criança, ao Adolescente e ao Idoso da ALMT, a pedido do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente de Mato Grosso (Cedca). “Em 13 de julho de 1990, o Brasil testemunhou um marco histórico na proteção dos direitos das crianças e adolescentes: a promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente. Hoje, ao completar 34 anos, o ECA continua a ser símbolo de compromisso com o bem-estar e o desenvolvimento integral das futuras gerações”, declarou o deputado na abertura da sessão.

Conforme o deputado, o ECA é reconhecido como o maior marco na proteção da infância e adolescência, envolvendo as famílias, o Estado e toda a sociedade brasileira. “O Estatuto da Criança e do Adolescente, que já se tornou referência inclusive para outros países, passou a reconhecer, oficialmente, crianças e adolescentes como sujeitos de direitos, pessoas em desenvolvimento e prioridade absoluta em seus direitos inalienáveis, por meio de um Sistema de Garantia de Direitos. O ECA foi a primeira legislação baseada na proteção integral da infância e adolescência, e o Brasil foi o primeiro país da América Latina a ter uma legislação destinada à proteção infantojuvenil”, argumentou. 

Paulo Roberto Jorge do Prado ponderou que, apesar dos avanços verificados, ainda há um longo caminho a percorrer. O procurador de Justiça apontou como os principais desafios a oferta de ensino público fundamental e médio em período integral, con atividades lúdicas, de lazer e esporte no contraturno escolar; concessão de benefício específico para famílias com crianças e adolescentes na escola em tempo integral; elaboração de plano estadual e de planos municipais dos Direitos de Crianças e Adolescentes pelos Conselhos de Direitos; regularização dos Fundos para Infância e Adolescência (FIAs) para recebimento de recursos; remuneração justa e adequada para conselheiros tutelares; e enxergar a criança ou o adolescente com direito violado como sujeitos de direitos.

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“Não adianta apenas asfaltarmos todas as rodovias do Estado de Mato Grosso, os municípios, edificarmos grandes prédios, se não olharmos para as crianças e os adolescentes, com preocupação diferenciada, implementando nas escolas, nos bairros e nas comunidades projetos e programas com perfil sócio-esportivo e cultural. Precisamos parar e, com humildade, reconhecer que estamos no caminho errado. Ao deixar de investir em programas e projetos sociais nos bairros, em educação de qualidade, deixando o caminho livre para o crime organizado. Estamos perdendo essa guerra e permitindo que ocupem espaços que deveriam ser ocupados por nós, pelo poder público. Não podemos deixar que eles continuem a se instalar nos bairros conquistando a população”, argumentou Paulo Prado.

O procurador do MPMT parabenizou o deputado Sebastião Rezende pela iniciativa de comemorar os 34 anos do ECA e questionou o que seria do Brasil se não existe esse conjunto de leis e os conselheiros tutelares para a proteção integral dos direitos infantojuvenis. Por fim, propôs que o público presente se questionasse se tem trabalhado efetivamente em prol da criança e do adolescente, tratando-os como prioridade absoluta na condição de pais, de cidadãos e de autoridades. 

Emocionada, a presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente de Mato Grosso, Lindacir Rocha Bernardon, questionou: “Depois de 34 anos, o ECA está maduro? Está se relacionando bem com toda a rede? Conhecemos todas as formas de violência a esses meninos e meninas? O que nós podemos fazer para amenizar todas a situações que levam a traumas e dores que esses jovens carregam para a vida adulta, muitas vezes reciclando a violência?”. 

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Lindacir Bernardon ainda listou grandes avanços do ECA, como o Disque 100, a Lei Menino Bernardo (Lei da Palmada), o marco legal da primeira infância, a perda do poder familiar com a Lei 13.715/2018, a Lei da Escuta Especializada e a Lei Henry Borel. “Apesar desses progressos alcançados, ainda temos inúmeros desafios”, afirmou, deixando uma proposta para que a ALMT crie uma frente parlamentar pró criança e adolescente.

Moção de aplausos – Durante a solenidade, autoridades indicadas pelo Cedca foram agraciadas com uma moção de aplausos pelos 34 anos do ECA, concedida pelo deputado Sebastião Rezende. O procurador-geral de Justiça de Mato Grosso, Deosdete Cruz Junior, foi um dos homenageados “por ser parte integrante das políticas públicas em defesa dos direitos das crianças e dos adolescentes do Estado”.

Conforme a honraria concedida, “o ECA possui reconhecimento internacional e é avaliado como um dos melhores conjuntos de normas do mundo, por acolher e ver crianças e adolescentes como sujeitos de direitos, com necessidades e cuidados especiais, por estarem em desenvolvimento”. O diploma foi recebido pelo procurador de Justiça Paulo Roberto Jorge do Prado. 

Também participaram da solenidade o juiz Tiago Souza Nogueira de Abreu, da Vara Especializada da Infância e Juventude de Várzea Grande, do ex-deputado estadual João Batista, a defensora pública Cleide Regina Ribeiro Nascimento, o presidente do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM), Fabiano Rabaneda dos Santos, a delegada titular da Delegacia Especializada do Adolescente em Cuiabá e Várzea Grande, Jozirlethe Magalhães Criveletto, o presidente do Conselho Regional de Contabilidade de Mato Grosso (CRC-MT), Aloisio Rodrigues da Silva, e a adolescente Paolla Cássia de Oliveira. 

O evento contou ainda com apresentação cultural do Coral Canto & Encanto da Escola Municipal de Educação Básica Salvelina Ferreira da Silva, de Várzea Grande.

Fotos: Marcos Lopes | ALMT.
 

Fonte: Ministério Público MT – MT

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MP participa da inauguração de oficina de costura em penitenciária

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O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), por meio do Centro de Apoio Operacional da Execução Penal, participou, nesta quinta-feira (23), da inauguração da oficina de costura escola da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá. A nova estrutura vai ofertar 120 vagas de trabalho, com jornada de oito horas diárias, contribuindo para a reintegração social das reeducandas e para a redução de custos do Estado. Ao todo, foram instaladas 91 máquinas de costura, adquiridas pela Secretaria Adjunta de Administração Penitenciária (SAAP).
Atualmente, 20 reeducandas já foram certificadas pelo Senai e atuarão como multiplicadoras, auxiliando na capacitação das demais internas. O espaço conta com área de produção, estoque de matéria-prima e de peças prontas, além de refeitório e área de descanso. A produção da oficina será destinada, principalmente, à confecção de uniformes escolares da rede estadual, o que permitirá economia aos cofres públicos.
A procuradora de Justiça Josane Fátima de Carvalho Guariente destacou que o Ministério Público atua de forma permanente no fortalecimento de projetos voltados à ressocialização no sistema prisional. “A oficina de costura representa uma oportunidade concreta de qualificação profissional e de reinserção social. Além do trabalho e da renda, iniciativas como essa fortalecem a autoestima dessas mulheres e contribuem para um recomeço digno.”

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A procuradora também ressaltou a importância de práticas humanizadas, alinhadas a experiências exitosas, como as desenvolvidas na Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC), em especial nas unidades femininas, que estimulam responsabilidade, autonomia e a reconstrução de vínculos familiares.

A diretora da Penitenciária Feminina, Keily Adriana Arruda Marques, afirmou que a participação no projeto é voluntária e teve grande adesão. “As reeducandas recebem capacitação prática e certificação profissional, o que amplia as chances de retorno digno à sociedade. Já temos uma lista de mulheres interessadas em participar das próximas etapas.”

O presidente da Fundação Nova Chance, Winkler de Freitas Teles, informou que a oficina atenderá demandas de órgãos públicos, com produção inicial estimada em 110 mil peças de uniformes escolares, podendo ser ampliada gradativamente.

Já o secretário de Estado de Justiça, Valter Furtado Filho, destacou que o investimento reforça a política de ressocialização adotada pelo Estado. “Esse investimento representa um caminho eficaz para a ressocialização, ao garantir trabalho, dignidade e qualificação profissional. As reeducandas saem mais preparadas para o mercado de trabalho e para a vida em sociedade.”

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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