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Saúde e nutrição com Clayton Camargos: álcool não é saudável

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Saúde e nutrição com Clayton Camargos: álcool não é saudável
Clayton Camargos

Saúde e nutrição com Clayton Camargos: álcool não é saudável

No Brasil, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2022, o mercado de bebidas alcoólicas registrou um aumento de 5,2%, indicando que os brasileiros estão consumindo mais álcool.

Um editorial da Organização Mundial da Saúde (OMS) publicado em janeiro de 2023 na revista científica The Lancet Public Health afirma que não há níveis seguros de consumo de álcool para a saúde.

https://www.who.int/europe/news/item/04-01-2023-no-level-of-alcohol-consumption-is-safe-for-our-health

O editorial enfatiza que o consumo de álcool é um fator significativo para mais de 200 tipos de prejuízos sanitários, incluindo câncer, doenças cardiovasculares e hepáticas, depressão, bem como comportamentos violentos, acidentes incapacitantes e fatais.

A OMS defende que as nações adotem políticas públicas de saúde que promovam a diminuição do consumo apoiadas por medidas como a elevação de impostos, a limitação da venda para menores de idade e a proibição da publicidade de bebidas alcoólicas.

De outra parte, a afirmação de que baixos níveis de ingestão de álcool podem trazer benefícios à saúde e proteção contra todas as causas de mortalidade é altamente controversa.

Embora estudos observacionais e metanálises relatem que indivíduos que consomem quantidades moderadas de álcool tendem a viver mais e têm menor probabilidade de desenvolver doenças cardíacas em comparação com abstêmios, há evidências de que esses resultados são influenciados por vieses sistemáticos, como o uso de indicadores de saúde não relacionados ao consumo de álcool, incluindo dieta, higiene bucal, renda individual e peso corporal.

Outros vieses incluem a falha em distinguir entre abstêmios completos, ex-bebedores e a possibilidade de que os abstêmios possam ter problemas de saúde por outras causas.

O que temos de novo?

No início de 2023, pesquisadores canadenses da University of Victoria veicularam no Journal of American Medical Association uma revisão sistemática e metanálise abrangendo 107 estudos publicados até julho de 2021, envolvendo mais de 4,8 milhões de participantes.

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O título do artigo: Association Between Daily Alcohol Intake and Risk of All-Cause Mortality – A Systematic Review and Meta-analyses, em livre tradução, “Associação entre a ingestão diária de álcool e o risco de mortalidade por todas as causas – uma revisão sistemática e metanálise”.

https://jamanetwork.com/journals/jamanetworkopen/fullarticle/2802963

O que o estudo mostrou?

A revisão sistemática detectou que os erros em outras investigações envolvendo a classificação incorreta de bebedores ocasionais como abstêmios eram frequentes, com 86 das 107 pesquisas apresentando tais discrepâncias.

Após considerar possíveis vieses e efeitos de confusão associados à amostragem e classificação incorreta de ex-bebedores, foi constatado que a ingestão de baixa quantidade de álcool, menos de 25 g/dia ou 02 drinques/dia, não ofereceu nenhum benefício protetor contra o risco de mortalidade por todas as causas em nenhum dos sexos frente aos abstêmios.

No entanto, o risco de mortalidade por todas as causas foi significativamente maior para mulheres que consumiram mais de 25 g de álcool/dia e homens que beberam mais de 45 g de álcool/dia. Além disso, pessoas com alcoolismo tiveram um risco 19% maior de morte.

Cabe destacar, idosos que bebem pouco tendem a ser mais saudáveis não por uma proteção brindada pelo álcool, mas porque aqueles que adoecem precisam parar de beber por orientação médica.

Por fim, é importante lembrar que correlação não é causalidade.

Beber uma taça de vinho por dia faz bem à saúde?

Durante muito tempo, foi difundida a hipótese sedutora de que o consumo equilibrado de álcool poderia estar associado a um estilo de vida saudável e sofisticado. No entanto, a ingestão limitada de bebidas alcoólicas não traz benefícios à saúde, enquanto o consumo excessivo pode trazer graves prejuízos.

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É importante lembrar que os efeitos da sua ingestão variam de pessoa para pessoa e dependem de uma série de fatores, incluindo idade, sexo, histórico de saúde e genética.

Idealmente, para promover a saúde de forma efetiva, o consumo de álcool deveria ser completamente evitado, mesmo em quantidades moderadas.

Informação é prevenção.

Você tem alguma dúvida sobre saúde, alimentação e nutrição? Envie um e-mail para [email protected] e poderei responder sua pergunta futuramente.

Nenhum conteúdo desta coluna, independentemente da data, deve ser usado como substituto de uma consulta com um profissional de saúde qualificado e devidamente registrado no seu Conselho de Categoria correspondente.

Clayton Camargos é sanitarista pós graduado pela Escola Nacional de Saúde Pública – ENSP/Fiocruz. Desde 2002, ex gerente da Central Nacional de Regulação de Alta Complexidade (CNRAC) do Ministério da Saúde. Subsecretário de Planejamento em Saúde (SUPLAN) da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES-DF). Consultor técnico para Coordenação-Geral de Fomento à Pesquisa Em Saúde da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos (SCTIE) do Ministério da Saúde. Coordenador Nacional de Promoção da Saúde (COPROM) da Diretoria de Serviços (DISER) da Fundação de Seguridade Social. Docente das graduações de Medicina, Nutrição e Educação Física, e coordenador dos estágios supervisionados em nutrição clínica e em nutrição esportiva do Departamento de Nutrição, e diretor do curso sequencial de Vigilância Sanitária da Universidade Católica de Brasília (UCB). Atualmente é proprietário da clínica Metafísicos.

CRN-1 2970.

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Fonte: Nacional

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Credores aprovam plano do Grupo HPAR e fortalecem recuperação judicial da companhia

Assembleia com 80% de adesão consolida continuidade do conglomerado e reforça confiança do mercado

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O Grupo HPAR teve o plano de recuperação judicial aprovado nesta quarta-feira (13/05), durante Assembleia Geral de Credores realizada no processo que tramita na 1ª Vara Cível de Cuiabá (MT). A decisão representa uma das etapas mais relevantes da reestruturação financeira do Grupo.

O plano recebeu apoio maciço dos credores, alcançando adesão de 80,58% do valor total dos créditos presentes à assembleia. Instituições financeiras como Daycoval e Bradesco deram voto favorável às condições previstas no plano e no termo aditivo apresentado pelas recuperandas.

A aprovação consolida a continuidade operacional do Grupo HPAR, que atua nos setores de tecnologia, telecomunicações, infraestrutura de redes e serviços corporativos, reunindo as empresas Globaltask, SPE Piauí Conectado, H.Tell Telecom e Bao Bing Infraestrutura.

Internamente, o grupo trata a aprovação como um marco estratégico para preservação das atividades empresariais diante da crise provocada pelo descumprimento do contrato envolvendo a PPP-Piauí Conectado, considerada uma das maiores iniciativas de infraestrutura digital do país. O projeto implantou aproximadamente 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.

O grupo sustenta que houve encampamento ilegal da infraestrutura implantada sem a correspondente indenização pelos investimentos realizados.

O plano aprovado prevê que os recursos financeiros advindos (1) do procedimento de arbitragem que sujeita o Estado do Piauí, (2) da ação judicial de execução que tem contra o Banco do Brasil, garantidor do investimento realizado ou (3) da decisão que determina o pagamento da garantia na recuperação judicial — classificados como “Eventos de Liquidez” — sejam destinados ao cumprimento das obrigações previstas na recuperação judicial e ao pagamento dos credores.

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Entre os principais pontos de tensão está o litígio envolvendo garantias financeiras relacionadas à PPP. Segundo o grupo, o Banco do Brasil teria se recusado a liberar o dinheiro depositado e vinculado ao investimento realizado, esgotando financeiramente a empresa para levá-la à quebra para posterior tomada dos investimentos efetuados. Um recurso de agravo de instrumento, que vai decidir a liberação do valor para a empresa está pautado para ser julgado dia 20/05 no TJMT.

Para o advogado especialista em recuperação judicial do Grupo ERS, Euclides Ribeiro, a aprovação do plano demonstra maturidade do ambiente negocial e reforça a viabilidade econômica do grupo.

“Essa aprovação representa um importante sinal de confiança dos credores na capacidade de recuperação da companhia e principalmente na tese de que o Banco do Brasil deve sim liberar o dinheiro bloqueado pois é garantidor e caucionante dos recursos que estão na conta corrente do projeto. O processo demonstrou que, mesmo em cenários de forte complexidade institucional e financeira, é possível construir soluções jurídicas voltadas à manutenção da operação, proteção dos empregos e satisfação coletiva dos credores”, afirmou.

A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado é acompanhada com atenção por investidores, operadores de PPPs e agentes do mercado financeiro, diante dos possíveis impactos sobre a segurança jurídica de projetos públicos de infraestrutura no Brasil.

Entenda o caso

A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado transformou-se em uma das maiores disputas jurídico-empresariais já registradas no setor de infraestrutura digital brasileiro. A concessionária foi responsável pela implantação do projeto Piauí Conectado, considerado um dos maiores projetos públicos de conectividade do país, com cerca de 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.

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O modelo foi estruturado como uma Parceria Público-Privada (PPP), na qual a iniciativa privada realizou os investimentos necessários para construção, operação e manutenção da infraestrutura tecnológica estadual, enquanto o Estado se comprometeu contratualmente a remunerar a concessionária ao longo dos 30 anos da concessão.

Segundo as recuperandas, aproximadamente R$ 650 milhões foram investidos diretamente na implantação da rede óptica, datacenter, centros operacionais e infraestrutura de telecomunicações. A empresa sustenta que o projeto contribuiu para elevar o Piauí aos primeiros lugares nacionais em indicadores de conectividade entre 2022 e 2024.

A partir de 2023, com a posse do governador Rafael Fonteles, a relação entre a concessionária e o Governo do Piauí sofreu uma mudança abrupta e o conflito escalou rapidamente.

Segundo a concessionária, apesar de o contrato ter sido integralmente executado e a rede ter permanecido plenamente operacional durante toda a execução da concessão, o Estado passou a promover retenções massivas das contraprestações mensais previstas contratualmente, comprometendo severamente o fluxo financeiro da operação, tudo arquitetado para tomada da empresa pelo Estado sem pagamento dos investimentos.

Na sequência, sucederam-se auditorias técnicas, instauração de processos sancionatórios, decretação de intervenção estatal e, posteriormente, a caducidade da concessão. Além do conflito com o Governo do Piauí, o Grupo HPAR obteve a negativa do Banco do Brasil em pagar a garantia prestada, em que pese já ter ganho a arbitragem na Câmara Brasil Canadá. Segundo as recuperandas, a não liberação dessas garantias agravou significativamente o cenário de crise financeira das empresas.

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