AGRONEGÓCIO

Estado Potencializa Unidade de Cortes Nobres de Caprinos e Ovinos em Virmond

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A Cooperativa de Criadores de Caprinos e Ovinos (Caprivir), situada em Virmond, no Centro-Sul do Paraná, inaugurou na última quinta-feira (13) sua Unidade de Cortes Nobres de Caprinos e Ovinos. O projeto, viabilizado pelo Governo do Estado através do programa Coopera Paraná, contou com um investimento de R$ 600 mil do Tesouro Estadual, distribuído entre R$ 188 mil para investimentos e R$ 412 mil para custeio. A cooperativa também investiu R$ 210,7 mil, com apoio do município, sendo R$ 174,5 mil em equipamentos e R$ 36,2 mil em recursos financeiros. Além disso, sobraram R$ 62 mil, destinados à construção de uma botique para exposição dos produtos.

Anteriormente, a Caprivir já havia recebido R$ 186 mil do Coopera Paraná para a aquisição de um caminhão e um ultrassom. Esses recursos permitiram à cooperativa adquirir toda a estrutura necessária e equipamentos modernos para a realização de diversos tipos de cortes nobres e trabalho com subprodutos. A previsão é que, a partir do dia 20 de junho, a unidade inicie a entrega de carnes aos mercados de Cascavel, Toledo e Foz do Iguaçu, empregando sete pessoas inicialmente, com planos de expansão. A capacidade de processamento é de 1.600 quilos por dia, com abate realizado em Cantagalo.

Os investimentos permitirão um aumento de 25% a 30% no valor agregado dos produtos, com um faturamento inicial estimado em R$ 110 mil mensais, com a previsão de crescimento até atingir R$ 2 milhões anuais em um ano e meio. Anteriormente, a cooperativa comercializava cerca de 160 animais por mês para abatedouros.

“Se cada vez que investíssemos R$ 600 mil obtivéssemos essa resposta, investiríamos o dobro”, afirmou o secretário de Estado da Agricultura e do Abastecimento, Natalino Avance de Souza. Ele destacou que o Coopera Paraná está disponível para todas as associações e cooperativas da agricultura familiar que atendam aos critérios do programa e que possam fazer a diferença na vida das pessoas. “Estamos aqui para ajudar e queremos ser parceiros”, reforçou.

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O presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Otamir Cesar Martins, ressaltou a importância da união entre os setores público e privado na concretização da obra da Caprivir. “Quando temos um sonho, ele nos move. Podemos enfrentar muitos obstáculos, mas o sonho continua. Vocês perseveraram desde o início”, disse.

O presidente da Caprivir, Vilson Antônio Buskevicz, explicou que o projeto de agregar valor ao produto era uma meta desde 2016. “Agora vamos agregar pelo menos 35% no valor final do produto comercializado, beneficiando os produtores. Isso proporciona segurança para os produtores investirem em caprinos e ovinos, atendendo às demandas e aumentando a renda nas propriedades”, destacou.

O prefeito de Virmond, Neimar Granoski, informou que o terreno onde a cooperativa instalou a sala de cortes, às margens da BR-277, foi adquirido pela prefeitura e cedido à Caprivir. “Somos parceiros desse projeto, que incentiva não apenas os produtores de Virmond, mas também os de outros municípios. A credibilidade da Caprivir se estende a pelo menos 20 municípios da região”, afirmou.

Sobre a Caprivir

Fundada como associação em 2005 e transformada em cooperativa em 2019, a Caprivir é referência na criação de caprinos de raça bôer e ovinos das raças dorper, santa inês, texel e ilê-de-france. Com um plantel de mais de mil matrizes caprinas e 1.500 ovinas, criados pelos 65 associados, a cooperativa se destaca pelo manejo de excelência e genética, oferecendo cortes com menos ossos e gorduras, além de alto teor de proteína e ferro. Desde dezembro de 2023, a Caprivir pleiteia a Indicação Geográfica de Procedência.

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Para reduzir as despesas com energia na nova unidade, a cooperativa firmou parceria com a Itaipu Binacional, que investiu R$ 160 mil na compra e instalação de um sistema de energia fotovoltaica, gerando cerca de 6.500 quilowatts e economizando R$ 5 mil por mês.

Coopera Paraná

O Programa de Apoio ao Cooperativismo da Agricultura Familiar, criado em 2019, já atendeu cerca de 170 organizações, com investimentos que ultrapassam os R$ 90 milhões. Essa política governamental visa fortalecer as cooperativas e associações por meio de ações integradas entre os setores público e privado. Suas ações incluem assessoramento para identificar gargalos e potencialidades estratégicas, qualificação da gestão, modernização dos processos administrativos, incentivo à formação de lideranças e maior oferta de alimentos da agricultura familiar.

Presenças

O evento contou com a presença do presidente da Adapar, Otamir Cesar Martins, do diretor técnico da Seab, Benno Doetzer, do chefe do Núcleo Regional da Seab em Laranjeiras do Sul, Valter Rodacki, do chefe do Núcleo de Guarapuava, Arthur Bittencourt Filho, do gerente regional do IDR-Paraná, Deomar Fracasso, da gerente regional da Adapar, Cristiane do Rocio Kruger, do deputado estadual Artagão Júnior, do presidente da Associação Caprivir, Wilian Clay Wachak, além de servidores da Adapar e do IDR-Paraná.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Vacilos do Trump faz Brasil se aproximar da liderança mundial no agro

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A distância que durante décadas separou Brasil e Estados Unidos no comércio mundial do agronegócio praticamente desapareceu. Em 2025, os norte-americanos exportaram o equivalente a cerca de R$ 883 bilhões em produtos agrícolas, enquanto as vendas brasileiras chegaram a aproximadamente R$ 871 bilhões. Uma diferença de apenas 1,4% entre dois países que começaram este século em posições muito distantes.

Os dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostram mais do que uma aproximação circunstancial. Enquanto o Brasil ampliou produção, produtividade e presença em novos mercados, as exportações norte-americanas cresceram em ritmo bem menor e passaram a enfrentar dificuldades em destinos estratégicos.

Em 2025, o agronegócio brasileiro exportou R$ 871 bilhões, considerando a conversão dos valores divulgados oficialmente. Foi o maior resultado da série histórica e representou crescimento de 3% sobre o ano anterior.

Os Estados Unidos encerraram o mesmo período com aproximadamente R$ 883 bilhões em exportações agrícolas.

A diferença de cerca de R$ 12 bilhões é pequena diante do tamanho do comércio dos dois países e mostra quanto a posição relativa mudou.

No início dos anos 2000, as exportações agrícolas americanas eram mais de duas vezes e meia superiores às brasileiras. Em apenas cinco anos, enquanto as vendas externas dos Estados Unidos cresceram aproximadamente 14%, as brasileiras avançaram 68%.

O movimento continua em 2026.

Entre janeiro e julho, o agronegócio brasileiro exportou aproximadamente R$ 533 bilhões, novo recorde para o período. Somente em julho foram cerca de R$ 84 bilhões, também a maior marca já registrada para o mês.

Parte da aproximação pode ser explicada por uma diferença estrutural entre os dois concorrentes.

Os Estados Unidos possuem uma fronteira agrícola praticamente consolidada e enfrentam limitações para aumentar significativamente sua área cultivada. Na pecuária bovina, o rebanho norte-americano está próximo dos menores níveis das últimas sete décadas, situação que reduziu a disponibilidade de animais e aumentou a necessidade de importação de carne.

O Brasil ainda possui maior capacidade de crescimento da produção, seja pela incorporação de áreas já abertas, seja principalmente pelo aumento da produtividade e pela possibilidade de realizar duas ou até três safras na mesma área durante o ano.

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Essa vantagem aparece com clareza na soja.

Brasil e Estados Unidos estão entre os grandes responsáveis pela oferta mundial da oleaginosa, mas o Brasil assumiu a liderança tanto na produção quanto nas exportações e passou a ocupar uma parcela crescente do mercado chinês.

A China é justamente onde a diferença entre os dois países se tornou mais evidente.

Em 2025, os chineses compraram aproximadamente R$ 285 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro. O país asiático respondeu sozinho por 32,7% de tudo o que o setor exportou.

No comércio agrícola norte-americano ocorreu o movimento contrário.

A China, que durante anos esteve entre os principais compradores dos Estados Unidos, caiu para a sexta posição entre os destinos do agro americano em 2025. As vendas recuaram 66% em apenas um ano, para aproximadamente R$ 43 bilhões.

O próprio USDA associa essa retração às tarifas recíprocas e à redução das compras chinesas de soja norte-americana.

A disputa comercial entre Washington e Pequim acelerou uma mudança que já vinha ocorrendo por razões produtivas. Diante das tarifas impostas aos produtos americanos, importadores chineses aumentaram a procura por fornecedores alternativos, e o Brasil estava em posição privilegiada para atender essa demanda.

O efeito ultrapassou a soja.

O Brasil ampliou participação internacional em carnes, algodão, milho e outros produtos agropecuários e passou a disputar mercados que historicamente tinham forte presença dos Estados Unidos.

Na carne bovina, a inversão é particularmente significativa. O Brasil consolidou-se como maior exportador mundial, enquanto os Estados Unidos, pressionados pela redução de seu rebanho, aumentaram as importações para abastecer o próprio mercado.

Essa situação levou recentemente o governo norte-americano a ampliar em 300 mil toneladas a quantidade de carne bovina magra que poderá entrar no país dentro da cota com tarifa reduzida até o fim deste ano, criando uma oportunidade adicional para fornecedores como o Brasil.

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A política comercial adotada pelo governo Donald Trump acrescentou uma nova variável a essa disputa.

As tarifas impostas pelos Estados Unidos atingiram também produtos brasileiros e criaram dificuldades para cadeias que dependem mais diretamente daquele mercado. Café, carnes, suco de laranja e determinados produtos industrializados estão entre os segmentos mais expostos às decisões de Washington.

O efeito sobre o conjunto do agronegócio brasileiro, entretanto, é limitado pela diversificação dos destinos.

Em 2025, os Estados Unidos compraram aproximadamente R$ 59 bilhões em produtos do agro brasileiro, equivalentes a 6,7% das exportações do setor. A China comprou quase cinco vezes esse valor.

Essa diferença ajuda a explicar por que medidas comerciais americanas podem provocar impactos severos em determinadas cadeias sem necessariamente interromper o crescimento das exportações do agronegócio como um todo.

Também mostra por que a abertura de mercados passou a ter peso estratégico para o Brasil. Quanto maior o número de compradores disponíveis para carnes, grãos, fibras, café, frutas e produtos processados, menor a dependência de decisões comerciais tomadas por um único país.

Para o produtor rural, a aproximação dos Estados Unidos no ranking mundial não representa apenas uma disputa estatística. Mercados adicionais significam mais alternativas para escoar a produção e podem aumentar a concorrência entre compradores, especialmente nas cadeias em que o Brasil já possui grande excedente exportável.

Há, porém, um risco nessa trajetória. A crescente concentração das vendas brasileiras na China aumenta a exposição às decisões do país asiático. Quase um terço das receitas do agro brasileiro no exterior depende atualmente daquele mercado.

Por isso, o próximo passo da expansão brasileira passa não apenas por vender mais, mas por diversificar compradores e aumentar o valor agregado dos produtos exportados.

A distância para os Estados Unidos, de qualquer forma, nunca foi tão pequena. Depois de décadas perseguindo o maior exportador agrícola do mundo, o Brasil chega à segunda metade de 2026 em condições de disputar uma posição que, no início deste século, parecia muito distante.

Fonte: Pensar Agro

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