AGRONEGÓCIO
Governo Federal adquire mais de 263 mil toneladas de arroz importado em leilão da Conab
Publicado em
7 de junho de 2024por
Da RedaçãoO governo federal, em resposta aos desafios sociais e econômicos causados pelo desastre climático no Rio Grande do Sul, adquiriu 263,37 mil toneladas de arroz importado. Esta compra, realizada nesta quinta-feira (6) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) através de um leilão público, representou um investimento de pouco mais de R$ 1,3 bilhão. O volume adquirido corresponde a 87,79% das 300 mil toneladas inicialmente ofertadas.
“Consideramos este primeiro leilão um sucesso. O governo nos autorizou a adquirir até 1 milhão de toneladas de arroz, mas a compra será feita de forma escalonada conforme a necessidade. Publicaremos o edital para adquirir as 36 mil toneladas restantes,” afirmou Edegar Pretto, presidente da Conab. “Se não houver necessidade, não faremos mais compras. No entanto, enquanto for necessário reduzir o preço para os consumidores, continuaremos realizando leilões para garantir o produto a um preço acessível.”
O arroz adquirido será entregue em três etapas, com prazos de fornecimento variando entre 90 e 150 dias. A Conab compra o grão de empresas brasileiras responsáveis pela importação, e a origem do produto será conhecida após a apresentação do Documento de Importação, prevista para ocorrer em até 15 dias.
Os lotes adquiridos foram destinados aos estados da Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco e São Paulo. Não foram comercializados lotes destinados ao Amazonas, Distrito Federal, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Roraima, Santa Catarina e Tocantins.
“Nós vamos reofertar os lotes que não foram arrematados hoje, visando atrair mais participantes nos próximos leilões. Nosso compromisso é garantir que todo o comércio que já vende arroz no Brasil continue recebendo o produto,” afirmou Thiago dos Santos, diretor de Operações e Abastecimento da Conab. “A Conab tem a missão de fazer o arroz chegar a todas as prateleiras de mercados, pequenos varejos e atacarejos do país.”
As regiões metropolitanas foram escolhidas com base em indicadores de insegurança alimentar. O arroz adquirido deverá ser embalado em pacotes de 5kg, transparentes e incolores, permitindo a visualização do produto e com a logomarca. Os compradores devem vender o produto exclusivamente ao consumidor final, com preço máximo de R$ 4 por quilo.
“Esta compra não visa a formação de estoque, mas sim garantir que o produto chegue rapidamente aos consumidores. Nosso objetivo é que o arroz esteja disponível na mesa do povo brasileiro o mais rápido possível,” explicou Silvio Porto, diretor de Política Agrícola e Informações da Conab.
A iniciativa está respaldada pelas medidas provisórias 1217/2024, 1218/2024, 1224/2024 e 1225/2024, além da portaria interministerial 4/2024, dos Ministérios do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), da Agricultura e Pecuária (Mapa) e da Fazenda (MF).
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
IBS no agronegócio: nova tributação redefine processos fiscais e pressiona eficiência operacional no setor
Published
23 minutos agoon
10 de junho de 2026By
Da Redação
Agronegócio entra em nova fase com impacto direto da reforma tributária
O agronegócio brasileiro, que encerrou 2025 com participação de 25,13% no PIB nacional e movimentação estimada em R$ 3,2 trilhões, segundo dados do Cepea/CNA, passa a enfrentar um novo desafio estrutural com a regulamentação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).
Mais do que uma mudança de siglas, o novo modelo tributário exige reorganização completa de processos fiscais, tecnológicos e operacionais em toda a cadeia produtiva — do campo à exportação.
Para especialistas, o impacto vai além da área contábil e atinge diretamente a gestão de dados, o fluxo de caixa e a governança das operações rurais.
IBS muda lógica tributária e amplia exigência de controle fiscal
O IBS foi criado no âmbito da reforma tributária do consumo e substituirá o ICMS e o ISS, funcionando de forma integrada à CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), tributo federal que substitui PIS e Cofins.
O modelo segue a lógica do IVA dual e incide sobre operações com bens e serviços ao longo de toda a cadeia produtiva, incluindo:
Insumos agrícolas
- Transporte e armazenagem
- Industrialização
- Comercialização
- Arrendamento e cessão de direitos
- Prestação de serviços no campo
Segundo Altair Heitor, contador, especialista em gestão tributária no agronegócio e CFO da consultoria Palin & Martins, o conceito de operação tributável foi ampliado.
“O IBS altera a lógica de leitura das operações. No agro, onde a cadeia é longa e fragmentada, qualquer inconsistência fiscal pode afetar crédito, apuração e fluxo de caixa”, explica.
Fim dos incentivos estaduais muda competitividade no setor
Com a unificação das regras tributárias e o fim gradual da guerra fiscal entre estados, os incentivos de ICMS deixam de ser o principal fator de competitividade.
Na prática, a disputa entre estados por atração de investimentos perde força, e a eficiência operacional passa a ser determinante.
“O diferencial deixa de estar no incentivo fiscal e passa a depender da eficiência operacional, da gestão de custos e da qualidade da informação fiscal”, afirma Altair.
Tributação no destino altera dinâmica logística e fiscal
Uma das mudanças mais relevantes do IBS é a adoção da tributação no destino. Isso significa que o imposto será recolhido no local onde ocorre o consumo final do bem ou serviço, e não mais na origem.
No agronegócio, isso impacta diretamente operações interestaduais e cadeias com múltiplos agentes.
Exemplo prático:
Uma revenda de sementes localizada em um estado pode vender o produto para outro e realizar a entrega em uma terceira localidade. Com o IBS, a tributação será vinculada ao destino final da entrega.
“O produtor pode comprar em um estado, vender para outro e entregar em um terceiro. O destino final passa a definir a tributação, exigindo precisão total nos dados fiscais”, destaca o especialista.
Cadeias longas aumentam risco de inconsistência fiscal
O agronegócio é um dos setores mais complexos do ponto de vista tributário devido à extensão da cadeia produtiva, que pode envolver:
- Produtor rural
- Cooperativas
- Transportadoras
- Armazéns
- Agroindústrias
- Exportadores
Com o IBS, cresce a necessidade de rastreabilidade completa das operações.
“O imposto exige coerência entre o que foi comprado, transportado e entregue. Qualquer divergência pode gerar bloqueio de crédito ou erro na apuração”, explica Altair.
Atualmente, o setor já enfrenta altos índices de inconsistência fiscal. Estimativas apontam que mais de 70% das empresas apresentam erros em documentos fiscais, como NCM e CFOP, comprometendo créditos tributários.
Empresas terão de modernizar sistemas e processos internos
A adaptação ao IBS exigirá mudanças estruturais em tecnologia e governança fiscal. Entre as principais adequações estão:
- Atualização de ERPs
- Revisão de cadastros de clientes e fornecedores
- Parametrização fiscal detalhada
- Adequação de contratos comerciais
- Integração entre áreas contábil, fiscal e logística
Informações como local de entrega, tipo de operação e classificação fiscal passam a influenciar diretamente o cálculo do imposto.
“Não é apenas uma mudança tributária, é uma mudança de gestão. Quem não revisar cadastro e sistema corre risco de pagar imposto errado ou perder crédito legítimo”, alerta o especialista.
Crédito tributário dependerá de qualidade da informação
O IBS mantém o princípio da não cumulatividade, permitindo a compensação de créditos ao longo da cadeia produtiva. No entanto, o aproveitamento desses créditos dependerá de documentação correta e integração total das informações fiscais.
“O crédito depende de documento válido, operação correta e registro consistente. Se qualquer etapa falhar, o impacto aparece diretamente no fluxo de caixa”, afirma Altair.
Transição exige planejamento imediato no agronegócio
A recomendação de especialistas é que as empresas iniciem imediatamente a revisão de seus processos fiscais e operacionais.
Segundo Altair Heitor, organizações que se anteciparem terão vantagem competitiva na transição.
“O IBS pode trazer mais previsibilidade tributária, mas isso só se concretiza com controle rigoroso de dados, processos e contratos”, conclui.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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