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Açúcar: Saiba como o La Niña vai impactar produção no mercado global

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No Brasil, o fenômeno tende a beneficiar a colheita de cana, devido ao baixo nível de chuvas e maior temperatura. Porém, também aumenta o risco de queimadas e geadas. Um La Niña mais intenso a partir do 3T também pode levantar preocupações em relação ao desenvolvimento da safra 25/26.

O mercado de commodities agrícolas está estritamente ligado aos padrões climáticos, como La Niña e El Niño, devido ao impacto destes na oferta dos produtos. A depender do estado de desenvolvimento da safra em questão, esses fenômenos climáticos podem tanto beneficiar quanto prejudicar o rendimento do produto agrícola. O tema é abordado em relatório pela Hedgepoint Global Markets.

“De fato, em nossos últimos relatórios já mencionamos alguns dos impactos que podem ser trazidos pela transição do fenômeno El Niño para o La Niña. Assim, neste relatório nosso objetivo é aprofundar um pouco mais nos possíveis cenários e riscos para o setor sucroenergético com essa mudança climática”, diz Laleska Moda, analista de Inteligência de Mercado da Hedgepoint.

“Primeiramente, é importante destacar que houve uma mudança nas expectativas iniciais, com a transição do El Niño para La Niña devendo ocorrer um pouco mais tarde do que o previsto, no final do 2T para o início do 3T. Com isso, o La Niña deverá ter seu maior efeito no 3T, trazendo algumas mudanças nos possíveis impactos nas lavouras de cana e beterraba açucareira”, destaca.

“Antes de discutirmos os possíveis efeitos do La Niña é importante entender as condições ideias de cultivo da cana-de-açúcar e beterraba, as matérias primas na produção de açúcar e etanol. Ambas as culturas necessitam de chuvas no período de desenvolvimento, porém, enquanto a cana é adequada para climas subtropicais, a beterraba é típica de climas temperados, tolerando menores temperaturas”, explica a analista.

Ainda assim, condições extremas (seca, calor e frio) afetam a produtividade dessas culturas. Como exemplo em 22/23 tanto a produção do Brasil como da UE oram afetadas por secas no verão e um inverno mais rigoroso.

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“Portanto, entender quais as mudanças climáticas trazidas pelo La Niña e em qual período – uma vez que cada país e região tem seu calendário de safra – pode nos trazer algumas perspectivas para os próximos meses”, explica.

Um evento La Niña se caracteriza pela diminuição da temperatura da superfície das águas do Oceano Pacífico Tropical Central e Oriental e pela consequente intensificação dos ventos alísios, que empurram ainda mais água quente para a Ásia, reduzindo significativamente a temperatura da costa oeste das Américas.

Mas então, quais seriam os efeitos de um La Niña na produção de açúcar ao redor do globo?

Brasil

“No País, um evento moderado tende a trazer um inverno mais seco no Centro Sul, podendo beneficiar a colheita da safra 24/25”, acredita. Entretanto, um La Niña mais intenso poderia trazer geadas e incêndios levando à rendimentos mais baixos e aceleração do ritmo de moagem. Além disso, caso o período de seca se estenda durante a primavera – uma vez que o La Niña deve ser mais intenso no 3T – o desenvolvimento da temporada 25/26 poderia ser prejudicado, assim como em 20/21, quando o Brasil registrou moagem de apenas 523Mt.

Índia

“Um La Niña moderado traz a chance de um período de monções favorável”, observa. O governo Indiano inclusive apontou recentemente que a maior parte do país provavelmente receberá monções acima da média, o que deve auxiliar no desenvolvimento da safra açucareira de 24/25. No entanto, se muito intenso, pode trazer inundações.

Europa

“De forma geral, os padrões climáticos têm pouco efeito e correlação com precipitações e temperaturas no bloco, sendo que tanto um La Niña ou um El Niño podem ser responsáveis ??por um leve aumento na precipitação entre março e agosto, podendo favorecer o estágio de desenvolvimento da beterraba”, aponta. Entretanto, um evento La Niña pode levar à menores volumes de precipitações durante setembro a novembro, durante o pico de colheita da beterraba, o que pode auxiliar nos trabalhos de campo.

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América Central

“Um La Niña moderado tende a intensificar as chuvas durante a fase de desenvolvimento da cana (junho a setembro), podendo ser benéficas para a produção, caso não sejam em excesso. Neste último cenário, as precipitações podem atrasar ou atrapalhar o ritmo da safra, além de poderem reduzir o teor de sacarose”, destaca. Além disso, vale destacar que o evento pode intensificar temporada de furacões na região, potencialmente trazendo danos às lavouras.

Tailândia

“O La Niña tem baixa correlação climática com o nível de precipitações e temperatura no país entre setembro e novembro, mas, caso muito intenso, poderia levar à menores níveis de chuvas”, analisa. A maior correlação do evento, no enteando, ocorre entre março e maio, podendo trazer seca justamente no período de colheita na Tailandia, o que beneficiaria as atividades.

Em resumo, eventos climáticos como o El Niño e La Niña tendem a trazer impactos (positivos ou negativos) na produção commodities agrícolas, como o açúcar. Os próximos meses serão justamente marcados pela transição – ainda que mais tarde do que prevista – do primeiro evento para o La Niña.

Os impactos desse evento na produção açucareira variam de região para região e pela intensidade do fenômeno. Um La Niña moderado pode beneficiar a produção de açúcar trazendo um inverno mais seco no CS e uma estação de monções acima da média. Porém, se muito intenso, pode provocar inundações e reduzir a incidência de luz solar no Hemisfério Norte, intensificar temporada de furacões na América Central e ameaçar o desenvolvimento da safra 25/26 no CS.

Fonte: Hedgepoint Global Markets

Fonte: Portal do Agronegócio

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Economia brasileira volta a crescer em 2026, mas inflação elevada e juros altos mantêm desafios para o agronegócio

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A economia brasileira voltou a apresentar sinais mais consistentes de recuperação no primeiro trimestre de 2026. Após dois períodos consecutivos de estagnação, o Produto Interno Bruto (PIB) registrou crescimento de 1,1% em relação ao trimestre anterior, resultado impulsionado principalmente pelo avanço do setor de serviços, pela recuperação do consumo das famílias e pelo bom desempenho da agropecuária.

A retomada da atividade econômica ocorre em um ambiente ainda marcado por desafios relevantes, como inflação acima da meta, juros elevados, incertezas fiscais e tensões geopolíticas que continuam influenciando os mercados globais e os custos de produção no campo.

Agropecuária contribui para a retomada econômica

O setor agropecuário manteve papel estratégico no crescimento da economia brasileira. No primeiro trimestre, a atividade avançou 1,8% na comparação anual e 2% em relação ao trimestre anterior, impulsionada pelo aumento da produtividade e pelo clima favorável em importantes regiões produtoras.

O destaque ficou para a soja, cuja produção atingiu novo recorde histórico, favorecida pela expansão da área cultivada e pelo bom desempenho das lavouras. Em contrapartida, culturas como milho e arroz apresentaram redução nas projeções de produção e produtividade, refletindo desafios específicos em algumas regiões do país.

A força do agronegócio continua sustentando exportações, geração de renda e fluxo cambial, fatores fundamentais para o equilíbrio da economia nacional.

Consumo das famílias ganha força

Outro fator que contribuiu para o crescimento do PIB foi a recuperação do consumo das famílias, que avançou 1,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O resultado reflete a combinação entre mercado de trabalho ainda aquecido, aumento da renda real dos trabalhadores e programas de estímulo ao consumo implementados pelo governo federal.

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Apesar disso, economistas avaliam que o ritmo de expansão pode perder intensidade ao longo do segundo semestre diante dos efeitos dos juros elevados sobre crédito, investimentos e atividade econômica.

Inflação segue acima da meta e preocupa mercado

Se por um lado a economia voltou a crescer, por outro a inflação continua sendo um dos principais desafios para o país.

O IPCA-15 de maio registrou alta de 0,62%, acumulando avanço de 4,6% nos últimos 12 meses, patamar acima do teto da meta estabelecida pelo Banco Central.

Os principais responsáveis pela pressão inflacionária foram os alimentos e a energia elétrica. Entre os produtos que mais subiram estão batata, tomate, carnes e leite longa vida, itens diretamente ligados ao consumo das famílias e ao setor agropecuário.

Além disso, os riscos associados ao mercado internacional de energia e fertilizantes permanecem no radar. Um eventual agravamento das tensões no Oriente Médio pode elevar os custos de produção agrícola e pressionar ainda mais os preços dos alimentos.

Mercado de trabalho mostra desaceleração gradual

O mercado de trabalho continua apresentando indicadores positivos, mas já dá sinais de desaceleração.

Em abril, o saldo de empregos formais ficou em 85,9 mil vagas, número significativamente inferior às expectativas do mercado. Ainda assim, a taxa de desemprego caiu para 5,8%, a menor já registrada para o mês desde o início da série histórica.

A renda média do trabalhador alcançou novo recorde, chegando a R$ 3.732 mensais, contribuindo para a sustentação do consumo interno.

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Exportações seguem fortalecidas

O setor externo continua sendo um dos pilares da economia brasileira em 2026.

As exportações cresceram impulsionadas principalmente pelas commodities, com destaque para petróleo, alimentos e produtos ligados ao agronegócio. O saldo comercial robusto ajudou a reduzir o déficit em transações correntes e reforçou a entrada de divisas no país.

O Investimento Estrangeiro Direto também segue em patamar elevado, demonstrando que o Brasil continua atraindo recursos internacionais mesmo em um cenário global marcado por incertezas.

Dólar pode voltar a subir até o fim do ano

Apesar da valorização recente do real, analistas avaliam que o dólar pode voltar a ganhar força nos próximos meses.

A expectativa é que a moeda norte-americana encerre 2026 próxima de R$ 5,35, influenciada pela redução do diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, pelo ambiente eleitoral doméstico e pelas incertezas fiscais.

Para o agronegócio, um dólar mais elevado tende a favorecer a competitividade das exportações, mas também aumenta os custos de insumos importados, especialmente fertilizantes, defensivos e combustíveis.

Perspectivas para o restante de 2026

As projeções apontam crescimento econômico de 1,8% em 2026 e aceleração para 2,4% em 2027. No entanto, a trajetória dependerá da evolução da inflação, da política monetária, do cenário fiscal e dos desdobramentos geopolíticos internacionais.

Para o agronegócio, o cenário continua misto: de um lado, a demanda global por alimentos e a força das exportações sustentam oportunidades; de outro, os custos de produção, a volatilidade cambial e os riscos climáticos seguem exigindo atenção redobrada dos produtores e investidores do setor.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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