AGRONEGÓCIO

BNDES oferece fundo clima para financiamento de cooperativas agropecuárias

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Cooperativas agropecuárias em todo o Brasil receberam boas notícias do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, durante uma reunião no Rio de Janeiro. O banco poderá usar recursos do Fundo Clima para financiar projetos em cooperativas, como usinas para produção de etanol de milho, com taxas de juros abaixo de 8% ao ano em reais, segundo fontes que participaram do encontro.

Além disso, o BNDES também estuda a possibilidade de oferecer “blended finance”, uma forma de financiamento que combina recursos de diferentes fontes para atender às demandas das cooperativas em termos de valores, juros e prazos. Essa abordagem pode ser essencial para fomentar atividades agroindustriais, especialmente aquelas relacionadas a energia limpa e sustentabilidade.

A abertura do Fundo Clima para cooperativas foi recebida com entusiasmo pelo setor. O fundo, que tem cerca de R$ 10,4 bilhões, apoia projetos voltados para a transição energética e o uso de fontes de energia renovável. Para operações diretas, os juros estão em torno de 6,15% ao ano, com uma taxa adicional de até 1,4% para o BNDES. Já para operações indiretas, os juros podem chegar a 2,5%.

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Para projetos envolvendo energia eólica, solar ou outras fontes renováveis, as taxas começam em 8% ao ano. O Fundo Clima permite financiar até R$ 150 milhões por cliente a cada 12 meses, com prazos de até 16 anos para pagamento, incluindo até 5 anos de carência.

Durante a reunião, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, destacou a importância do setor cooperativista para o desenvolvimento de etanol para uso em navios e combustível sustentável para aviação. Ele levou representantes de 15 cooperativas ao encontro para discutir suas demandas por crédito e seus planos de investimento em processamento de produtos e agroindustrialização.

Mercadante, do BNDES, destacou o papel das cooperativas no crescimento econômico e na promoção de práticas sustentáveis. Segundo fontes do banco, as demandas apresentadas pelo setor cooperativista já podem ser atendidas pelos instrumentos existentes, sem necessidade de criar novas linhas específicas.

Além disso, o BNDES planeja realizar encontros em diferentes estados com grande presença do agronegócio para apresentar suas soluções financeiras, em uma iniciativa chamada “BNDES Mais Perto de Você – Agro e Cooperativas”. Essa aproximação tem como objetivo esclarecer dúvidas e facilitar o acesso das cooperativas às opções de financiamento.

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O assessor especial do Ministério da Agricultura, Carlos Augustin, que sugeriu a reunião, disse que o encontro foi esclarecedor e que o governo continuará a dialogar com as cooperativas e o BNDES para discutir detalhes sobre as linhas de crédito disponíveis. A CPR BNDES, uma nova opção de financiamento para capitalização de produtores, foi anunciada recentemente e deverá ser detalhada em breve pelo banco, oferecendo mais uma alternativa para o setor agropecuário.

Com essas iniciativas, o BNDES busca estimular o crescimento sustentável no setor agropecuário, oferecendo soluções de financiamento flexíveis e favoráveis ao meio ambiente, além de fortalecer o papel das cooperativas na economia brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Matopiba desponta como nova fronteira da produtividade no Brasil

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O avanço do agronegócio está mudando o mapa da produtividade brasileira e levando parte do dinamismo econômico para o Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Enquanto o indicador nacional cresceu 18,7% entre 2002 e 2019, três Estados da região registraram alguns dos maiores aumentos do País.

O Piauí liderou o crescimento da produtividade do trabalho no período, com alta de 103%. O Maranhão avançou 86% e o Tocantins, 69,7%. Os resultados acompanham a expansão da fronteira agrícola e indicam que a transformação provocada pelo campo ultrapassou o aumento da área plantada e do volume colhido.

Os dados fazem parte do estudo “Missing the Productivity: Estimating Labor Productivity in Brazilian Municipalities (2002–2019)”, dos pesquisadores Alan Bueno e Diogo Ferraz. Divulgado em julho, o trabalho construiu uma base anual com informações dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.

O levantamento é um pré-print, versão que ainda não passou pela etapa definitiva de revisão acadêmica. Embora tenha alcance nacional e não seja dedicado exclusivamente ao Matopiba, o estudo revela grandes ganhos de produtividade nas fronteiras agropecuárias e uma evolução mais lenta nos Estados historicamente industrializados.

A produtividade analisada não é o rendimento das lavouras por hectare. O indicador mede quanto valor é produzido por trabalhador. Ele aumenta quando a incorporação de máquinas, tecnologia, qualificação e métodos mais eficientes de gestão permite ampliar a produção sem elevar na mesma proporção o número de pessoas ocupadas.

No Brasil, a agropecuária foi o setor que apresentou o maior avanço entre 2002 e 2019. A produtividade do trabalho no campo cresceu 80,1%, diante de aumentos de 10,3% nos serviços e de apenas 5,4% na indústria.

O resultado ajuda a explicar por que regiões antes com menor participação na economia nacional passaram a atrair armazéns, transportadoras, revendas de máquinas e insumos, instituições financeiras, empresas de tecnologia, indústrias de alimentos e prestadores de serviços.

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Para Alan Bueno, professor da Universidade Estadual do Paraná e um dos autores do estudo, o avanço do Matopiba pode ser comparado à transformação ocorrida no Centro-Oeste a partir da segunda metade do século passado.

“O Matopiba é o novo ouro. É o que foi o Centro-Oeste nos anos 1950. Trata-se de um crescimento que faz mudar a realidade regional”, afirmou.

Segundo o pesquisador, o campo passou a funcionar como ponto de partida de uma rede econômica mais ampla. “O agro converteu-se no catalisador de uma vasta rede econômica, envolvendo transporte, comércio, construção civil, tecnologia, crédito e serviços”, explicou.

A expansão foi sustentada principalmente pela produção de soja, milho e algodão, além da pecuária. O desenvolvimento de sementes adaptadas ao Cerrado, a correção dos solos, a mecanização e a agricultura de precisão permitiram que a região ampliasse sua participação na produção nacional.

Os dados mais recentes indicam que o movimento continuou depois de 2019, último ano abrangido pelo estudo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia colham juntos aproximadamente 41,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, aumento próximo de 9% sobre o ciclo anterior.

A Bahia deverá liderar a produção regional, com cerca de 15 milhões de toneladas. O Tocantins aparece em seguida, com 9,74 milhões, seguido pelo Maranhão, com 9,05 milhões, e pelo Piauí, com 7,58 milhões de toneladas.

Somente a soja deve alcançar 25,4 milhões de toneladas nos quatro Estados, o equivalente a aproximadamente 14% da produção brasileira da oleaginosa. O resultado consolida o Matopiba como fornecedor relevante para as indústrias de óleo, farelo, rações, carnes e biocombustíveis.

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O avanço da produtividade, porém, não significa que os benefícios econômicos sejam distribuídos automaticamente. A mecanização reduz a necessidade de algumas tarefas manuais, ao mesmo tempo que amplia a procura por operadores de máquinas, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos, mecânicos e profissionais de tecnologia e logística.

Sem capacitação local, parte dessas vagas pode ser preenchida por trabalhadores vindos de outras regiões. O aumento da riqueza também depende da capacidade dos municípios de converter maior arrecadação em educação, saúde, saneamento e infraestrutura.

Outro desafio é evitar que o Matopiba permaneça apenas como fornecedor de produtos primários. A instalação de esmagadoras de soja, fábricas de rações, frigoríficos, usinas de biocombustíveis e indústrias de alimentos permitiria agregar valor à produção e manter uma parcela maior da renda na própria região.

O crescimento também aumenta a pressão sobre estradas, ferrovias, armazéns e terminais de exportação. Sem infraestrutura compatível, parte do ganho obtido dentro das propriedades pode ser perdida com fretes elevados, filas e demora no escoamento.

Há ainda o desafio de conciliar a expansão produtiva com a conservação do Cerrado, a regularização fundiária e a inclusão da agricultura familiar. A competitividade futura da região dependerá não apenas do volume produzido, mas também da capacidade de comprovar a origem e a sustentabilidade dos produtos.

O estudo mostra que a produtividade brasileira começou a mudar de endereço. O Matopiba já produz mais por trabalhador e movimenta uma cadeia econômica cada vez maior. O próximo passo será transformar essa eficiência em indústria, empregos qualificados e melhoria permanente da renda da população.

Fonte: Pensar Agro

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