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Déficit de robusta impulsiona exportações de café do Brasil; confira análise da Hedgepoint

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O desempenho positivo refletiu um aumento das exportações de arábica e, especialmente, de robusta/conilon, que também atingiram um máximo histórico de 846.700 sacas em março. O aumento das exportações também tem contribuído para a sustentação dos preços locais.

Os números mais altos do robusta/conilon brasileiro eram esperados após as quedas significativas nas exportações vietnamitas e indonésias, mas ainda há preocupações relacionadas ao balanço global do robusta, com os preços da variedade permanecendo em alta.

Além disso, nesta semana, a divulgação dos números do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) dos EUA de março movimentou o mercado, com o índice mensal chegando a 0,4% – mais alto do que o esperado anteriormente – criando incertezas em relação aos futuros cortes nas taxas de juros americanos nos próximos meses, podendo impactar

Em análise desta semana, a Hedgepoint Global Markets aborda as exportações totais de café do Brasil, que atingiram 4,29 milhões de sacas de 60 kg em março, um novo recorde para o mês (e para o primeiro trimestre) e um aumento de 37,8% em relação ao mesmo período de 2023, de acordo com a Cecafe.

De acordo com Laleska Moda, analista de Café da Hedgepoint, “o aumento nas exportações foi apoiado tanto pelas altas exportações de arábica, com 3,1 milhões de sacas (+15,1% a.a.), quanto pelos volumes recordes de robusta/conilon, que atingiram 849.700 sacas no mês, quase 8 vezes mais do que em março/23”.

Os embarques brasileiros da variedade já vinham aumentando nos últimos meses, devido à queda das exportações de robusta do Vietnã e da Indonésia, uma vez que a produção em ambos os países foi menor em 23/24. No Vietnã, o clima adverso afetou a safra 22/23, e, em 23/24, os cafeicultores reduziram a área cultivada de café. Na Indonésia, a redução se deve principalmente à redução das chuvas em 23/24.

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“Embora os grãos brasileiros estejam satisfazendo a atual demanda de robusta, ainda há preocupações quanto ao equilíbrio global da variedade no ciclo 24/25. A precipitação, em especial no Vietnã, tem sido escassa nos últimos meses, o que levou a uma menor umidade do solo no país asiático e aumentou as preocupações quanto ao desenvolvimento da safra 24/25. Esta situação também levou os produtores vietnamitas a reduzirem suas vendas, preocupados com o impacto de um potencial seca na oferta, mantendo o suporte sobre os preços do robusta”, explica Laleska.

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É bom notar que os futuros em Londres já estão próximos de atingir níveis recordes: na sexta-feira (12), o contrato de julho do robusta em Londres atingiu $3.890/tonelada durante o dia, se aproximando dos maiores valores desde 2008.

“Os preços do arábica também subiram esta semana, uma vez que os valores mais altos do robusta vêm levando a uma maior utilização do primeiro nas misturas”, diz.

“Consequentemente, a colheita de robusta do Brasil – que deverá começar no final de abril – e os efeitos climáticos sobre o desenvolvimento da colheita 24/25 do Vietnã irão afetar fortemente o movimento dos preços nas próximas semanas e serão acompanhados de perto pelo mercado”, destaca.

Fora o lado da oferta, os eventos macroeconômicos desta semana são também dignos de menção, pelo seu impacto nos preços, tanto na liquidação diária como a médio prazo. Na última quarta-feira (10), os dados de inflação dos EUA surpreenderam o mercado, já que o IPC de março ficou em 0,4%, acima dos 0,3% esperados para o mês. O índice foi impulsionado pelo aumento do preço do gás e pelo aumento das hipotecas e alugueis o que, por sua vez, coloca em questão os futuros cortes nas taxas de juros pelo FED, e possivelmente pode levar a uma pressão adicional no mercado de commodities.

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As exportações do Brasil atingiram um novo recorde em março. Tanto o arábica quanto o robusta apresentaram crescimento, mas os embarques deste último atingiram um novo recorde, principalmente devido à redução das exportações do Vietnã e da Indonésia.

Enquanto na Indonésia a safra 23/24 foi afetada por clima desfavorável, no Vietnã os cafeicultores reduziram a área de café na temporada. No entanto, a baixa precipitação nos últimos meses também faz soar o alarme para a safra de café 24/25 nos dois países. Este cenário tem limitado as vendas, em particular no Vietnã, apoiando os preços dos robusta. Os preços do arábica também estão sendo impulsionados pela alta do robusta.

No cenário macroeconômico, os números do IPC dos EUA, mais elevados do que o esperado, podem atrasar novos cortes das taxas de juro pelo FED, o que poderá exercer uma pressão de baixa sobre o mercado de commodities.

Fonte: Hedgepoint Global Markets

Fonte: Portal do Agronegócio

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Trigo: El Niño aumenta risco climático e produção brasileira pode cair 20% na safra 2026/27

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O mercado brasileiro de trigo entra na safra 2026/27 cercado por desafios. A combinação de redução da área cultivada, custos elevados de produção e a confirmação do fenômeno El Niño deve impactar significativamente a produção nacional, que pode registrar queda próxima de 20% em relação ao ciclo anterior.

A avaliação faz parte do relatório Agro Mensal de junho, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, que destaca um cenário de maior risco para os produtores, especialmente devido aos possíveis efeitos climáticos sobre a qualidade dos grãos.

Plantio avança, mas produtores reduzem investimentos

Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a semeadura do trigo já alcançou 45,3% da área prevista para a temporada 2026/27. As condições iniciais das lavouras são consideradas favoráveis, principalmente na Região Sul, onde a umidade tem contribuído para a boa emergência das plantas e o desenvolvimento vegetativo.

Apesar disso, o ambiente econômico segue desafiador. A rentabilidade considerada insatisfatória tem levado muitos produtores a reduzirem investimentos e diminuírem a área destinada ao cereal.

A projeção da Conab aponta retração de 13,4% na área cultivada. Somada a uma expectativa de produtividade 7,6% menor, a produção brasileira deverá atingir aproximadamente 6,2 milhões de toneladas, representando uma queda de cerca de 20% frente ao ciclo anterior.

Além da redução de área, os custos mais elevados de produção têm limitado o uso de tecnologias e investimentos em manejo, fator que também contribui para o viés baixista da safra.

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El Niño amplia preocupação com a qualidade do trigo

A confirmação do El Niño adiciona uma nova camada de incerteza ao mercado. Embora o fenômeno possa favorecer o fornecimento de água durante as fases iniciais de desenvolvimento das lavouras, o excesso de chuvas ao longo do ciclo preocupa produtores e analistas.

O principal risco está relacionado ao aumento da incidência de doenças e à perda de qualidade dos grãos na fase final de maturação e colheita, situação historicamente observada em anos sob influência do fenômeno climático.

A qualidade do trigo é um fator decisivo para a indústria moageira e para a formação dos preços, tornando o clima uma variável estratégica para o mercado nos próximos meses.

Mercado doméstico registra valorização durante a entressafra

Enquanto a nova safra está sendo implantada, os preços do trigo seguem firmes no mercado interno. No Paraná, principal estado produtor do país, o cereal foi negociado próximo de R$ 70 por saca na primeira quinzena de junho, acumulando valorização nos últimos 30 dias.

O movimento reflete a baixa liquidez típica do período de entressafra. Produtores permanecem retraídos nas vendas, enquanto os moinhos adotam postura cautelosa diante das dificuldades de repassar aumentos aos preços da farinha.

A valorização recente do dólar também contribuiu para sustentar as cotações domésticas, elevando a paridade de importação e fortalecendo o mercado interno.

Cenário internacional segue volátil

No mercado global, o trigo apresentou forte volatilidade entre maio e junho. As cotações em Chicago chegaram a superar US$ 6,60 por bushel durante maio, impulsionadas pela seca nas regiões produtoras dos Estados Unidos.

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No entanto, o avanço da colheita no Hemisfério Norte, a melhora das condições climáticas em áreas produtoras americanas e perspectivas mais favoráveis para a safra russa provocaram correções nos preços no início de junho.

Apesar disso, persistem incertezas relevantes em importantes origens globais, como Ucrânia e Rússia, o que mantém o mercado sensível a qualquer alteração climática ou geopolítica.

Dependência de importações deve continuar elevada

Com a perspectiva de menor produção nacional, o Brasil deve manter elevada dependência das importações para abastecer o mercado interno.

Nesse contexto, a formação dos preços domésticos continuará fortemente influenciada pelo câmbio e pela competitividade do trigo argentino, principal fornecedor do cereal ao mercado brasileiro.

A expectativa é que os preços permaneçam sustentados durante a entressafra, embora o amplo abastecimento global limite movimentos mais expressivos de valorização no mercado internacional.

Perspectivas para o setor

O cenário para o trigo em 2026/27 combina fundamentos de oferta mais restrita no Brasil com riscos climáticos crescentes associados ao El Niño. Para os produtores, o momento exige atenção redobrada ao manejo das lavouras, estratégias de comercialização e gestão de riscos.

Enquanto o mercado acompanha a evolução do clima e do plantio, a qualidade da safra deverá ser um dos principais fatores para determinar o comportamento dos preços e a competitividade do cereal brasileiro nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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