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O que explica a queda nos estoques da Federação Europeia do Café? Confira análises da hEDGEpoint

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Essa queda, impulsionada principalmente pelo robusta, apresenta desafios significativos de fornecimento na União Europeia. Embora os estoques de arábica lavado permaneçam relativamente estáveis, os estoques de robusta atingiram um mínimo de 1,9M scs, representando apenas 28% do total de estoques, uma queda de 10 pontos percentuais em relação às expectativas.

As importações de arábica agora constituem 70% das importações da UE, indicando uma mudança nas preferências dos consumidores. Fatores econômicos, entre os quais o aumento das taxas de juros, contribuem para essa dinâmica, sustentando os preços apesar do aumento dos estoques nas origens do café.

O mercado está testemunhando uma transição para o arábica devido a considerações de arbitragem, o que indica ajustes em curso na dinâmica do mercado de café. Esses desenvolvimentos enfatizam a importância do monitoramento dos indicadores econômicos e das tendências dos consumidores na formação da dinâmica de demanda nos destinos.

A hEDGEpoint Global Markets analisa, nesta semana, as expectativas em relação à demanda de café pela perspectiva da União Europeia, dando sequência ao último relatório divulgado na semana passada.

“Vamos acrescentar à análise a última divulgação de estoques da Federação Europeia do Café, com dados de janeiro e fevereiro de 2024. Os estoques caíram para a impressionante marca de 6,70M scs, o que representa uma queda de 4,65M scs em comparação com o mesmo período do ano passado (embora a queda mensal não tenha ficado muito longe do padrão sazonal, -2% contra -1,3%)”, observa Natália Gandolphi, analista de Café da hEDGEpoint.

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Os resultados foram altistas – embora o mercado já estivesse trabalhando com níveis de estoque mais baixos para a região, os níveis recém alcançados apresentam uma escala totalmente diferente de desafios para a oferta na União Europeia.

“A queda foi especialmente impulsionada pelo robusta; os estoques de arábica lavado permaneceram praticamente inalterados (-10 mil sacas no mês), representando a maior participação entre os tipos de café (2,6M scs, ou 40% do total). O arábica natural apresentou um pequeno aumento (+8 mil sacas, para 2,1M scs), e os estoques de robusta caíram 170 mil sacas, atingindo um mínimo de 1,9M scs – agora representando apenas 28% do total dos estoques, 10 p.p. a menos do que seria esperado”, destaca a analista.

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Os números das importações explicam muito bem a tendência: os destinos iniciaram a troca entre o arábica e o robusta, mas ainda há um caminho a percorrer até que ela se solidifique. A participação do arábica nas importações da União Europeia aumentou para 70% na média móvel de três meses encerrada em janeiro.

“É importante observar que os destinos não lidaram com o cenário macroeconômico atual anteriormente, o que levou a uma diminuição dos estoques (além das características específicas de cada região). Considerando que o lado mais fraco sempre cede, os estoques mais altos nas origens são momentaneamente ignorados como fatores baixistas”, pondera.

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E continua: “Nesse sentido, os destinos estão importando mais arábica novamente, devido a considerações sobre a arbitragem, que tem se aproximado dos níveis mínimos históricos (perto de ~22 c/lb, observados em 2017). Enquanto isso, os estoques continuarão a refletir as consequências das taxas de juros mais altas nessas regiões, dando suporte aos preços”.

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Em resumo

O último relatório da Federação Europeia do Café revela uma redução significativa dos estoques de café, que atingiram um mínimo de 6,70 milhões de sacas, 4,65 milhões a menos que no ano passado. Esse declínio, impulsionado principalmente pelo robusta, impõe desafios à oferta na União Europeia.

As importações de arábica estão aumentando, compreendendo 70% do volume total, enquanto os estoques de robusta caíram para 28% do total. Fatores econômicos, entre os quais o aumento das taxas de juros, contribuem para essa tendência, sustentando os preços apesar dos estoques mais altos nas origens do café. O mercado vê uma mudança em direção ao arábica devido a considerações de arbitragem, indicando ajustes em andamento na dinâmica do mercado de café.

Fonte: hEDGEpoint Global Markets

Fonte: Portal do Agronegócio

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Safra de cana 2025/26 no Centro-Sul fecha com 611 milhões de toneladas e setor inicia novo ciclo priorizando etanol

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A safra 2025/2026 de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil foi encerrada com moagem de 611,15 milhões de toneladas, segundo levantamento da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA). O volume representa uma redução de 10,78 milhões de toneladas frente ao ciclo anterior, impactado principalmente pelas condições climáticas adversas ao longo do desenvolvimento da lavoura.

Apesar da retração, o ciclo se consolida como a quarta maior moagem da história da região, além de registrar a segunda maior produção de açúcar e etanol.

Moagem e produtividade: clima reduz desempenho agrícola

A produtividade média agrícola ficou em 74,4 toneladas por hectare, queda de 4,1% em relação à safra anterior, conforme dados do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC).

O desempenho foi desigual entre os estados:

  • Quedas: São Paulo (-4,3%), Goiás (-9,4%) e Minas Gerais (-15,9%)
  • Altas: Mato Grosso (+3,2%), Mato Grosso do Sul (+6,0%) e Paraná (+15,5%)

A qualidade da matéria-prima também recuou. O ATR (Açúcares Totais Recuperáveis) ficou em 137,79 kg por tonelada, redução de 2,34% na comparação anual.

Segundo a UNICA, a menor moagem já era esperada diante das condições climáticas observadas durante o ciclo.

Produção de açúcar e etanol: estabilidade e leve recuo

A produção de açúcar totalizou 40,43 milhões de toneladas, praticamente estável frente às 40,18 milhões do ciclo anterior, mas abaixo do recorde histórico de 42,42 milhões registrado em 2023/2024.

Já a produção total de etanol somou 33,72 bilhões de litros, recuo de 3,56% na comparação anual.

O detalhamento mostra movimentos distintos:

  • Etanol hidratado: 20,83 bilhões de litros (-7,82%)
  • Etanol anidro: 12,89 bilhões de litros (+4,22%), segunda maior marca da série histórica

O etanol de milho ganhou ainda mais relevância, com produção de 9,19 bilhões de litros (+12,26%), representando 27,28% do total produzido no Centro-Sul.

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Vendas de etanol: mercado interno segue dominante

No mês de março, as vendas de etanol totalizaram 2,79 bilhões de litros, com forte predominância do mercado doméstico.

  • Mercado interno: 2,75 bilhões de litros (-0,06%)
  • Exportações: 45,11 milhões de litros (-71,22%)

No consumo interno:

  • Etanol hidratado: 1,66 bilhão de litros (+20,25% ante fevereiro)
  • Etanol anidro: 1,09 bilhão de litros (+4,80%)
  • No acumulado da safra:
  • Hidratado: 20,34 bilhões de litros
  • Anidro: 13,04 bilhões de litros (+7,08%)

O avanço do anidro foi impulsionado, entre outros fatores, pela implementação da mistura E30 (30% de etanol na gasolina) a partir de agosto de 2025.

Além do impacto econômico — estimado em R$ 4 bilhões de economia para proprietários de veículos flex — o consumo de etanol evitou a emissão de 50 milhões de toneladas de gases de efeito estufa, recorde histórico do setor.

Nova safra 2026/27 começa com moagem mais forte

A safra 2026/2027 já começou com ritmo acelerado. Na primeira quinzena de abril de 2026, a moagem atingiu 19,56 milhões de toneladas, crescimento de 19,67% frente ao mesmo período do ciclo anterior.

Ao todo, 195 unidades estavam em operação:

  • 177 com moagem de cana
  • 10 dedicadas ao etanol de milho
  • 8 usinas flex

A qualidade da matéria-prima permaneceu estável, com ATR de 103,36 kg por tonelada.

Novo ciclo prioriza etanol e reduz produção de açúcar

O início da nova safra mostra uma mudança clara de estratégia industrial. Apenas 32,93% da cana foi destinada à produção de açúcar na primeira quinzena, enquanto mais de dois terços foram direcionados ao etanol.

  • Como consequência:
    • Produção de açúcar: 647,21 mil toneladas (-11,94%)
    • Produção de etanol: 1,23 bilhão de litros (+33,32%)
  • Desse total:
    • Hidratado: 879,87 milhões de litros (+18,54%)
    • Anidro: 350,20 milhões de litros
    • Etanol de milho: 411,94 milhões de litros (+15,06%), com participação de 33,49%
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O movimento reflete um cenário de mercado mais favorável ao biocombustível neste início de ciclo.

Vendas na nova safra e expectativa de alta no consumo

Na primeira quinzena da safra 2026/2027, as vendas totalizaram 1,28 bilhão de litros:

  • Hidratado: 820,15 milhões de litros
  • Anidro: 460,87 milhões de litros

No mercado interno, foram comercializados 1,25 bilhão de litros, enquanto as exportações somaram 28,88 milhões de litros (+18,03%).

A expectativa é de aceleração nas vendas nas próximas semanas, à medida que a queda de preços nas usinas seja repassada ao consumidor final, aumentando a competitividade do etanol frente à gasolina.

CBios: setor já avança no cumprimento das metas do RenovaBio

Dados da B3 até 29 de abril indicam a emissão de 14 milhões de Créditos de Descarbonização (CBios) em 2026.

O volume disponível para negociação já soma 25,13 milhões de créditos. Considerando os CBios emitidos e os já aposentados, o setor já disponibilizou cerca de 60% do total necessário para o cumprimento das metas do RenovaBio neste ano.

Análise: etanol ganha protagonismo em meio a incertezas globais

O início da safra 2026/2027 confirma uma tendência estratégica: maior direcionamento da cana para a produção de etanol, impulsionado por fatores como:

  • demanda doméstica consistente
  • políticas de descarbonização
  • maior previsibilidade no mercado interno
  • cenário internacional de incertezas energéticas

Com isso, o setor sucroenergético reforça seu papel na matriz energética brasileira, ao mesmo tempo em que ajusta sua produção às condições de mercado, buscando maior rentabilidade e segurança comercial.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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