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Mapeamento detalha de forma inédita a Bacia Hidrográfica Paraná III

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A Bacia Hidrográfica Paraná III (BHP III), localizada na região oeste do Paraná (PR), passa a contar com mapeamento detalhado de sua hidrografia, graças a um amplo estudo realizado pela Embrapa Florestas (PR), com apoio técnico do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR Paraná), e suporte financeiro do Governo do Estado do Paraná e Itaipu Binacional. O trabalho inova ao usar uma escala 1:5.000, em que cada centímetro no mapa corresponde a 50 metros da área analisada. Esse nível de detalhe permite visualizar, com precisão, lagos, nascentes e rios, dos pequenos aos mais expressivos, e seus padrões de distribuição. Mapas hidrográficos pré-existentes, elaborados para toda a extensão territorial do estado, possuem escala 1:50.000 ou menor, não permitindo os detalhes necessários à análise aprofundada da bacia.

Com uma base de dados robusta, disponibilizada na plataforma GeoInfo – Infraestrutura de Dados Espaciais da Embrapa, o novo mapa hidrográfico poderá subsidiar outras pesquisas, além de colaborar efetivamente para a construção de políticas públicas, com vistas ao desenvolvimento sustentável do Oeste do Paraná. A região possui uma área de quase 8 mil km2 e se destaca, no setor agropecuário brasileiro, na produção de grãos e proteína animal. Composta por 4.800 rios, aproximadamente, a BHP III alimenta o reservatório de Itaipu, onde se situa a Usina Hidrelétrica de Itaipu.

Segundo o pesquisador da Embrapa Gustavo Curcio, um dos responsáveis pelo estudo, fazer o mapeamento e vetorização da hidrografia da BHP III na escala 1:5.000 representou um grande avanço. O detalhamento foi uma condição básica exigida para a execução do Projeto PronaSolos (Programa Nacional de Levantamento e Interpretação de Solos do Brasil) no Paraná. Em função do nível de detalhe exigido para o mapeamento de solos, sobretudo para a representação e interpretação da vegetação protetiva de rios, foi necessário gerar um novo mapa hidrográfico para as áreas a serem pesquisadas pelo Projeto.

“Na escala atual é possível considerar, entre outros elementos, os diferentes níveis de hierarquia fluvial e padrões de leitos fluviais, e precisar as nascentes locadas em cabeceiras de drenagens, além das áreas de planície. Dadas as necessidades apresentadas, seria inviável utilizarmos os mapas de hidrografia pré-existentes, que eram na escala 1:50.000. Já na escala 1:5.000 a precisão é muito maior, e nos permite estimar com maior rigor o número de cabeceiras de drenagem por unidade de área (hectare) e sua densidade, entre outros elementos hidrográficos”, explica Curcio.

Shape disponibilizado

O resultado do mapeamento detalhado da Bacia Hidrográfica Paraná III é a disponibilização gratuita de um shape, arquivo compatível com softwares de geoprocessamento, que mostra várias camadas sobrepostas de um mesmo mapa. “Qualquer pessoa que saiba trabalhar com esses programas pode acessar e gerar informações também sobre a APP, ou para a área toda da bacia. Pode, ainda, fazer um recorte de uma sub-bacia, e trabalhar em escalas diferentes, para avaliar a vegetação, ou qualquer outro estudo que utilize a base hidrográfica, por exemplo”, explica a técnica do projeto PronaSolos PR Dalila de Oliveira.

Avanços

Vários aspectos foram caracterizados pelo estudo em cada um dos cinco subplanaltos que constituem a BHP III, como geologia, geomorfologia, solos, vegetação fluvial, ordem hierárquica fluvial, densidade de drenagens, entre outros. O mapa hidrológico proporcionou outros avanços, a exemplo da avaliação e interpretação das densidades de drenagem por unidade de área, relacionadas indiretamente com o grau de dissecação da paisagem e a subsequente ocupação por solos distintos. A densidade de drenagem expressa a relação entre o comprimento dos rios e sua área total, podendo indicar tipos de solos e suas ca¬pacidades de infiltração de água. Outra caraterística levada em conta foi a densidade de rios por unidade de área, que mensura o quanto uma bacia é capaz de produzir maior ou menor quantidade de água.

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“Na pesquisa, foram realizadas avaliações de densidade de drenagem por quilômetros lineares em cada subplanalto, algo inédito feito no Paraná. Além disso, foi considerada a hierarquia fluvial, com rios de primeira ordem (menores), de segunda ordem, que nas¬cem da junção de dois canais de primeira ordem, e de terceira, que surgem da confluência de dois rios de segunda ordem e, assim, sucessivamente”, relata Curcio.

Já sob o ponto de vista geológico, a pesquisa observou que a rede de drenagem da BHP III se desenvolve sobre dois ambientes distintos, rochas eruptivas e arenitos, com relevos de baixa declividade e con¬formação convexa. Nesses ambientes, encontram-se solos profundos e de alta declividade, que propiciam a ocorrência de solos rasos, características essas que, em seu conjunto, determinam elevada pluralidade para a rede de drenagem e seus atributos.

“A Bacia Hidrográfica Paraná III é rica em padrões hidrográficos, o que influencia diretamente o desenvolvimento das atividades humanas e a qualidade de vida. Os impactos gerados pelo homem repercutem em toda a bacia hidrográfica, pois são reações ocorrendo em cadeia“, afirma Annete Bonnet, pesquisadora da Embrapa Florestas, responsável, no estudo, pela análise da vegetação. Para ela, o trabalho pode colaborar na elaboração de políticas públicas mais precisas. Pode, ainda, au¬xiliar na elaboração de projetos de pesquisa e iniciativas de empresas privadas para fins diversos, entre outras finalidades, como subsídio para o desenvolvimento de ações em consonância com o potencial de uso das paisagens, além de precaver áreas para resguardo de funcionalida¬des ecológicas especificas.

Fragilidade

“Foi um trabalho de quase três anos. Além de realizarmos campanhas de campo, olhávamos as imagens trecho a trecho, rio a rio, descobrindo as nascentes para se chegar ao resultado final”, conta Annete Bonnet. As nascentes, segundo a pesquisadora, exercem um papel fundamental não só para as atividades nas propriedades rurais, mas para a formação e existência de rios, pois elas são a ligação entre o subterrâneo e a superfície, e a parte mais frágil no ciclo hidrológico.

“Quanto maior o número de rios, maior a fragilidade. O rio é fruto, principalmente, de alimentação do lençol freático e é de onde vem a água que todo mundo bebe. Ao demonstrarmos a quantidade de cabeceiras, com qualidade de escala, mostramos como a hidrografia é frágil e tem alto potencial de contaminação”, aponta a pesquisadora. “Portanto, ao identificar e caracterizar os locais com as cabeceiras de drenagem, é possível implementar políticas públicas para protegê-las e assegurar sua existência”, conclui.

Gustavo Curcio chama atenção para o fato de que, além de possibilitar a melhor preservação de nascentes e rios, o novo estudo fornece informações que permitem maior acurácia nas avaliações prévias para construção de estradas e instalação de aterros sanitários, por exemplo, subsidiando estudos de solos e de vegetação.

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“Um dos resultados futuros do mapeamento detalhado será a geração de documentos gráficos com informação sobre a vegetação fluvial da área rural ocupada da BHP III, com base nas métricas do Novo Código Florestal. Por meio desses documentos, poderão ser apontadas as regiões que necessitam de recomposição das florestas fluviais, servindo como base para trabalhos de conscientização da importância e necessidade das APPs, acrescenta Dalila de Oliveira, técnica do projeto PronaSolos PR.

A metodologia

No novo estudo na escala 1:5.000, os pesquisadores realizaram o processo de vetorização da rede de drenagem da BHP III, começando pela análise e interpretação de imagens de satélite, com um software de geoprocessamento (ArcGIS®). Em toda a extensão da rede de drenagem da BHP III foram identificadas nascentes e rios que aparecem mesmo em períodos de estiagem, e que representam a maior parte de toda a rede de drenagem. As imagens foram confrontadas em épocas distintas, visando auxiliar a diferenciação de tipos de canais de drenagem (Google Earth).

A presença ou não de cobertura vegetal no entorno dos cursos d’água também foi usada como elemento indicativo de hidrografia perene, por meio do recurso de visualização tridi¬mensional e das curvas de nível associadas ao tratamento por sombreamento das imagens, que auxiliaram a percepção de alterações de altitude e incisões fluviais, e contribuíram para diferenciação de linhas de drenagem, mesmo em áreas com vegetação florestal mais densa.

Parceiros

O estudo e a realização do PronaSolos Paraná contam com investimentos físicos e financeiros da Itaipu Binacional, da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Estado do Paraná, da Secretaria do Desenvolvimento Sustentável e do Turismo do Estado do Paraná, da Secretaria do Planejamento e Projetos Estruturantes do Estado do Paraná, da Superintendência Geral de Ciência e Tecnologia e Ensino Superior do Paraná, do Instituto Água e Terra, da Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento do Agronegócio, do Museu Botânico Municipal de Curitiba, do Passos de Freitas e Oliveira Franco Advocacia Ambiental, bem como do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR) e da Embrapa Florestas.

Teve grande importância no estudo o pesquisador João Henrique Caviglione, do IDR PR, já falecido e primeiro autor. O técnico do projeto Leonardo Feriani também participou dos trabalhos de mapeamento e respectiva publicação.

BHPIII e seus subplanaltos

As bacias hidrográficas, no Paraná, foram constituídas como unidades de gestão e planejamento territorial para a implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos (Lei nº 9.433/97), bem como pela Política Estadual de Recursos Hídricos (Lei nº 12.726/99). A BHP III é uma das 16 bacias hidrográficas do estado, limitando-se a nordeste com a Bacia Hidrográfica Piquiri e à sudeste com a Bacia Hidrográfica Iguaçu. Possui dimensão territorial de 7.910,1 km2 e encontra-se inserida no Terceiro Planalto Paranaense. Para melhor desenvolvimento do estudo, a BHP III foi dividida em cinco subplanaltos (Cascavel, São Francisco, Foz do Iguaçu, Umuarama e Campo Mourão).

Fonte: Embrapa Florestas

Fonte: Portal do Agronegócio

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Açúcar: USDA reduz superávit global em 57% e cenário climático reforça expectativa de alta nos preços internacionais

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O mercado global de açúcar recebeu um importante sinal de sustentação para os preços com a divulgação do primeiro relatório semestral do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a safra 2026/27. Os novos números apontam uma redução expressiva do superávit mundial, reforçando a percepção de um mercado mais ajustado entre oferta e demanda nos próximos meses.

Segundo análise da SAFRAS & Mercado, o USDA reduziu a projeção de superávit global da safra 2026/27 para 4,8 milhões de toneladas, volume 57% menor em relação à estimativa anterior de 11,4 milhões de toneladas. Além disso, a entidade também revisou para baixo os números da safra 2025/26, cujo excedente foi reduzido de 11,4 milhões para 6,13 milhões de toneladas.

A combinação entre menor oferta global e condições climáticas adversas em importantes regiões produtoras fortalece a expectativa de valorização dos contratos futuros do açúcar negociados em Nova York ao longo do segundo semestre.

USDA promove forte ajuste na oferta global

O principal destaque do relatório está na magnitude das revisões realizadas pelo USDA.

A safra 2025/26 teve seu superávit reduzido em mais de 5 milhões de toneladas, uma revisão equivalente a 46% em relação à projeção anterior. Já para a temporada 2026/27, o excedente global foi estimado em apenas 4,8 milhões de toneladas, representando uma queda adicional de 20% frente ao volume revisado da safra passada.

Somando os dois movimentos, os cortes acumulados alcançam aproximadamente 6,55 milhões de toneladas, alterando significativamente a percepção do mercado sobre a disponibilidade global de açúcar.

Na avaliação da SAFRAS & Mercado, esse ajuste representa um dos principais fatores de sustentação para os preços internacionais nos próximos meses.

El Niño e monções ampliam preocupação com a produção asiática

Além da redução da oferta apontada pelo USDA, o mercado acompanha com atenção a evolução das condições climáticas na Ásia.

O Departamento de Climatologia da Índia elevou sua projeção de déficit de chuvas durante a temporada de monções de 2026, passando de 8% para 10% abaixo da média histórica.

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A preocupação aumenta diante da previsão de ocorrência de um fenômeno El Niño de forte a muito forte intensidade, conforme projeções internacionais.

Em 2023, quando a região enfrentou um episódio de El Niño de intensidade moderada, o déficit pluviométrico na Índia ficou entre 12% e 14% abaixo da média. Caso as previsões atuais se confirmem, o impacto climático sobre a produção agrícola asiática poderá ser ainda mais severo.

Índia e Tailândia figuram entre os maiores produtores e exportadores de açúcar do mundo, tornando qualquer redução produtiva um fator relevante para a formação dos preços globais.

Brasil também pode enfrentar impactos na produção

Enquanto a Ásia sofre com a perspectiva de chuvas abaixo da média, o cenário brasileiro aponta para o movimento oposto.

As projeções climáticas indicam aumento significativo das precipitações sobre os canaviais do Centro-Sul do Brasil a partir de agosto, com intensificação entre setembro e outubro e possibilidade de persistência até o início de 2027.

O excesso de chuvas pode comprometer o ritmo da colheita e da moagem da cana-de-açúcar, reduzindo a eficiência operacional das usinas e encurtando o período de processamento em algumas regiões produtoras.

Segundo a análise da SAFRAS & Mercado, dezenas de unidades industriais poderão encerrar suas atividades de moagem antecipadamente, reduzindo a disponibilidade de açúcar para exportação.

Produção mundial deve recuar em 2026/27

Os dados do USDA mostram que a produção global de açúcar deverá atingir 184,85 milhões de toneladas na safra 2026/27, abaixo das 186,05 milhões registradas na temporada anterior.

A redução de 1,2 milhão de toneladas representa queda de 0,65% na comparação anual.

Os cortes de produção esperados para Brasil, União Europeia e Tailândia mais do que compensam o crescimento previsto para a Índia, contribuindo para o aperto na oferta mundial.

Além disso, o relatório aponta redução das exportações globais, principalmente por parte do Brasil, União Europeia, Marrocos e Paquistão.

Consumo mundial segue em trajetória recorde

Pelo lado da demanda, o consumo global continua avançando.

O USDA estima que o consumo mundial alcance 179,99 milhões de toneladas em 2026/27, praticamente atingindo a marca histórica de 180 milhões de toneladas.

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Embora o crescimento seja modesto, o avanço da demanda ocorre em um momento de oferta mais restrita, contribuindo para sustentar os preços internacionais.

As exportações globais, por outro lado, deverão recuar de 62,64 milhões para 62,32 milhões de toneladas, reforçando o cenário de menor disponibilidade no mercado internacional.

Estoques crescem, mas não anulam tendência de alta

O único fator com potencial de limitar parcialmente a valorização do açúcar é o aumento dos estoques globais.

A relação estoque/consumo deverá avançar de 24,19% para 24,67% entre as safras 2025/26 e 2026/27.

Os estoques iniciais foram estimados em 43,52 milhões de toneladas, crescimento de 3% sobre a temporada anterior. Já os estoques finais devem alcançar 44,10 milhões de toneladas, avanço de 2%.

Apesar desse aumento, a SAFRAS & Mercado avalia que o crescimento dos estoques será insuficiente para neutralizar os efeitos combinados da menor oferta global, da demanda aquecida e dos riscos climáticos nas principais regiões produtoras.

Mercado mira patamares mais altos em Nova York

Diante desse cenário, a consultoria projeta continuidade do movimento de recuperação dos preços do açúcar bruto negociado na Bolsa de Nova York.

Os contratos futuros já demonstram fortalecimento ao longo da curva para os vencimentos do final de 2026 e início de 2027, com preços orbitando entre 16 e 17 cents por libra-peso.

A expectativa predominante é de avanço para a faixa dos 18 cents ainda neste ano, enquanto o patamar de 20 cents passa a ser considerado uma possibilidade crescente caso os riscos climáticos se confirmem e a oferta mundial continue sendo revisada para baixo.

A combinação entre menor superávit global, incertezas climáticas na Ásia e possíveis impactos do El Niño sobre a safra brasileira coloca o mercado internacional de açúcar em uma trajetória de maior firmeza para os preços ao longo do segundo semestre de 2026.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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