AGRONEGÓCIO

Economia chinesa dá sinais de recuperação; confira análise da hEDGEpoint

Publicado em

O IPC chinês aumentou 0,7% em relação ao ano anterior, quebrando uma sequência de quatro meses de quedas. A leitura ficou acima da expectativa do mercado de um aumento de 0,3%.

O primeiro orçamento do primeiro-ministro chinês Li Qiang indicou um forte compromisso com o crescimento. A meta de 5% para 2024 estabelece um patamar elevado, dada uma base mais desafiadora do que a do ano passado – e atingi-la exigirá mais estímulos.

O crescimento das exportações acelerou para 7,1% em termos anuais em janeiro-fevereiro, em comparação com 2,3% em dezembro, ficando acima da estimativa de consenso (1,9%). Já as importações cresceram 3,5% em termos anuais no período de dois meses, após um aumento de 0,2% em dezembro, superando a previsão do consenso (2,0%).

Contudo, muitos dos desafios ao crescimento econômico chinês persistem, exigindo certa cautela

Desafios significativos têm se mostrado presentes para a economia chinesa. O setor imobiliário apresenta fraquezas, com cada vez menos estímulos, o desemprego entre os jovens cresceu, a moeda sofreu forte desvalorização no último ano e o cenário deflacionário tem adicionado mais riscos para a atividade econômica chinesa.

“Contudo, desenvolvimentos recentes trouxeram uma melhora das perspectivas para a economia chinesa. A partir desses novos dados, vamos atualizar nossa visão para a China e seus possíveis impactos sobre as commodities”, diz Alef Dias, analista de Macroeconomia e Grãos da hEDGEpoint Global Markets.

País retorna à inflação, mas risco deflacionário persiste

“O IPC chinês aumentou 0,7% em relação ao ano anterior, quebrando uma sequência de quatro meses de quedas. A leitura ficou acima da expectativa do mercado de um aumento de 0,3%. Em uma base mensal, o IPC subiu 1,0%. A deflação mais lenta dos preços de alimentos foi o principal fator por trás do aumento do IPC”, destaca Alef.

Ainda de acordo com o analista, “a queda nos preços dos alimentos diminuiu para 0,9% em termos anuais, de -5,9% em janeiro. A demanda relacionada ao feriado do Ano Novo Lunar provavelmente deu um impulso a esses preços. Os preços mais altos de viagens – provavelmente impulsionados pela demanda do feriado – foram outro motivo importante”.

Esses preços aumentaram 23,1% em relação ao ano anterior, acelerando em relação ao aumento de 1,8% registrado em janeiro. O clima adverso, com chuva congelante no centro da China em meados de fevereiro, também alimentou as pressões de alta nos preços de alimentos e viagens.

“Apesar do resultado positivo para a atividade econômica, os fatores que levaram ao fim da deflação são temporários. O índice de preços ao produtor, que tende a ser muito menos afetado pelos feriados do Ano Novo Lunar, caiu 2,7% em relação ao ano anterior, mais do que a queda de 2,5% de janeiro. Isso foi mais acentuado do que a estimativa de consenso de uma queda de 2,5%”, observa.

Leia Também:  Avanço expressivo no plantio de soja e milho na Argentina, indica Bolsa de Cereais

china-hdmg-mar24

Meta de crescimento mostra comprometimento com a atividade econômica, mas política fiscal é desafiadora

O primeiro orçamento do primeiro-ministro chinês Li Qiang indicou um forte compromisso com o crescimento. A meta de 5% para 2024 estabelece um patamar elevado, dada uma base mais desafiadora do que a do ano passado – e atingi-la exigirá mais estímulos.

Contudo, o déficit orçamentário mais forte do que o esperado é consistente com a meta ambiciosa. A meta é consideravelmente mais alta do que a projeção consensual de que a economia chinesa se expandirá 4,5%. Ela também está acima do crescimento potencial para o ano, estimado em 4,9%.

“O governo definiu o déficit orçamentário fiscal amplo em 8,96 trilhões de yuans, ou 6,6% do PIB. Isso inclui um déficit de 4,06 trilhões de yuans (3,0% do PIB) no orçamento geral, 1 trilhão de yuans em emissão de títulos especiais pelo governo central e 3,9 trilhões de yuans em títulos especiais do governo local. Esse valor é maior do que o déficit orçamentário original do ano passado, que foi fixado em 5,9%”, destaca.

Em 2023, os governos locais atrasaram os gastos, impactando o crescimento. O risco é que isso aconteça novamente este ano. As restrições à expansão da dívida dos governos locais podem impedir a execução de projetos, já que os recursos locais correspondentes são normalmente necessários para grandes projetos.

A força da confiança do setor privado também determinará a eficácia da política fiscal. A menos que haja uma mudança no sentimento, o investimento privado será lento – e o governo não pode, sozinho, gerar uma recuperação duradoura.

Setor externo tem resultados sólidos, mostrando recuperação frente 2023

O crescimento das exportações acelerou para 7,1% em termos anuais em janeiro-fevereiro, em comparação com 2,3% em dezembro, ficando acima da estimativa de consenso (1,9%). O aumento no crescimento das exportações refletiu, em parte, os efeitos da base estatística. No mesmo período do ano anterior, os embarques caíram 8,4%, antes de se recuperarem com um crescimento de 10,9% em março.

china-hdmg-mar24a

Ainda assim, a retração mês a mês nas exportações – devido às interrupções do Ano Novo Lunar – foi menor do que a queda sazonal típica. Contudo, os primeiros indicadores da demanda externa apontam para um quadro fraco para o início de 2024.

Leia Também:  Após coma e morte cerebral, homem de 30 anos se recupera, mas morre atropelado

“Os PMIs de manufatura dos EUA (ISM), da zona do euro e do Japão sinalizaram contrações mais profundas em fevereiro, após breves recuperações em janeiro. Um indicador de novos pedidos de exportação no PMI industrial oficial da China também mostrou uma contração mais profunda em fevereiro. As importações cresceram 3,5% em termos anuais no período de dois meses, após um aumento de 0,2% em dezembro, superando a previsão do consenso (2,0%). As importações caíram 5,5% em 2023, embora o último trimestre tenha sido mais firme, com um aumento de 0,8%”, pondera.

O crescimento das importações também se beneficiou de efeitos de base mais favoráveis. São necessários mais dados nos próximos meses para avaliar se o estímulo recente está alimentando a economia e aumentando a demanda de forma sustentável.

“Olhando para a demanda por grãos, os dados seguem positivo. As importações acumuladas de milho na safra 23/24 estão nos níveis mais altos dos últimos anos, enquanto dados da Refinitiv apontam que as importações de trigo da China, em fevereiro, atingiram o maior nível mensal dos últimos 5 anos”, ressalta o analista.

E prossegue: “Contudo, a demanda por soja não tem demonstrado a mesma força. As importações de soja da China em janeiro-fevereiro caíram 8,8% em relação ao ano anterior, para 13,04M mt, segundo dados preliminares divulgados pela Administração Geral de Alfândega do país (GACC). Esse é o nível mais baixo observado para o período em cinco anos”.

china-hdmg-mar24b

Conclusão

Dados recentes têm trazido mais otimismo com relação à economia chinesa. O país deixou o território deflacionário – pelo menos por enquanto, o governo mostrou metas fiscais ambiciosas para 2024 e os primeiros resultados no comércio externo no ano foram positivos.

No entanto, muitos dos desafios ao crescimento econômico chinês persistem, exigindo certa cautela – a execução do déficit fiscal e retomada da confiança do setor privado são chaves para uma mudança sustentável no panorama da economia chinesa.

“Olhando para os mercados de grãos e oleaginosas, a demanda por milho e principalmente trigo segue aquecida enquanto as importações de soja vêm caindo em meio a estoques mais altos e esmagamento mais lento, seguindo a demanda fraca pelo farelo”, conclui.

Fonte: hEDGEpoint Global Markets

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

AGRONEGÓCIO

Prefeitura de Cuiabá lança portal para modernizar gestão das feiras livres

Published

on

A Prefeitura de Cuiabá lançou, na manhã de quarta-feira (15), o portal Feiras Cuiabá, uma plataforma digital criada para modernizar a gestão das feiras livres, ampliar a transparência no acesso às vagas e facilitar a localização de feiras por consumidores e turistas. Desenvolvido pela Secretaria Adjunta de Tecnologia e Inovação (SAETI), em parceria com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho, Turismo e Agricultura, o sistema já está disponível e futuramente será integrado ao aplicativo Cuiabá Smart.

A plataforma https://feiras.cuiaba.mt.gov.br/ reúne, em um único ambiente, serviços voltados tanto à administração das feiras quanto ao atendimento ao público. Pelo portal, interessados em atuar como feirantes podem realizar o cadastro, acompanhar o andamento da solicitação, candidatar-se às vagas disponíveis e receber todas as atualizações por e-mail. O sistema também permite que consumidores encontrem feiras próximas, consultem dias de funcionamento, localizem feirantes e tracem rotas de acesso por meio da integração com o Google Maps.

Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho, Turismo e Agricultura, Fellipe Corrêa, a ferramenta representa um avanço na organização das feiras e na democratização do acesso aos espaços públicos.

“A finalidade do aplicativo para o consumidor é oferecer informações atualizadas sobre onde estão as feiras e o que é comercializado nelas. Mas o principal objetivo é fortalecer a gestão, garantindo transparência e eliminando qualquer dúvida sobre a venda ou locação de espaços, o que é proibido”, afirmou.

O secretário explicou que o sistema permitirá aos fiscais registrar a presença dos feirantes por meio de fotografias durante as fiscalizações. Caso um permissionário ultrapasse o limite de faltas previsto em decreto, a vaga poderá ser disponibilizada para outro interessado inscrito no cadastro oficial da Prefeitura.

Leia Também:  Confira a programação do Natal da Esperança para os próximos dias

“O sistema elimina barreiras para quem quer trabalhar nas feiras e deixa claro que o acesso aos espaços públicos é gratuito. O cidadão poderá se inscrever diretamente pelo portal e acompanhar todo o processo de forma transparente”, destacou Fellipe Corrêa.

Gestão mais eficiente

Além de simplificar o ingresso de novos feirantes, a plataforma amplia o controle administrativo das feiras. O sistema identifica os segmentos de atuação de cada comerciante, permitindo que ele concorra apenas às feiras compatíveis com sua atividade. Também oferece um mapa das bancas, indicando quais estão ocupadas ou disponíveis, além de possibilitar o registro de penalidades, denúncias, justificativas de ausência e acompanhamento da frequência.

Outro recurso é a setorização dos produtos comercializados, permitindo que a administração municipal distribua melhor os segmentos em cada feira, evitando concentração excessiva de um mesmo tipo de atividade e contribuindo para maior diversidade de produtos ao consumidor.

Tecnologia a serviço do cidadão

O secretário adjunto de Tecnologia e Inovação, Elson Oliveira, explicou que a solução foi desenvolvida por servidores da própria Prefeitura para atender às necessidades da gestão das feiras.

“A plataforma oferece ferramentas para controlar o cadastro dos feirantes, acompanhar a frequência e facilitar a comunicação entre a Secretaria e os trabalhadores. Para os cidadãos e turistas, disponibiliza informações sobre onde estão acontecendo as feiras, além de canais para avaliação e contato com a administração”, afirmou.

Ele ressaltou que a infraestrutura tecnológica é mantida pela própria Prefeitura, com data center e equipe responsável pela segurança, manutenção e funcionamento contínuo do sistema. Também estão previstas novas funcionalidades, como a integração dos módulos de avaliação com outros sistemas municipais.

Leia Também:  Securitização das dívidas agropecuárias: solução essencial para a sustentabilidade do agronegócio

Transparência e combate a irregularidades

Desenvolvedor do sistema, o servidor da SAETI George Daniel Montezuma explicou que a plataforma surgiu para substituir processos baseados em planilhas e controles descentralizados, tornando mais ágil o gerenciamento das feiras.

Entre os objetivos está o combate à venda irregular de pontos, prática proibida nas feiras livres de Cuiabá. Como o acompanhamento da presença será realizado pelos fiscais e todo o processo de inscrição ocorrerá pelo sistema oficial da Prefeitura, a plataforma amplia a transparência e reduz a possibilidade de cobranças indevidas ou golpes contra interessados em ingressar na atividade.

“O cidadão poderá fazer o cadastro diretamente no portal e acompanhar sua situação. Já quem frequenta as feiras poderá localizar os eventos mais próximos e conhecer dias, horários e localização, o que também beneficia turistas interessados na gastronomia e no artesanato cuiabano”, explicou George Montezuma.

Próximas etapas

Durante o lançamento, Fellipe Corrêa também destacou outras ações em andamento para fortalecer as feiras livres da capital. Entre elas está a meta de regularizar o fornecimento de energia elétrica em todas as feiras até o fim do ano, em parceria com a Energisa, substituindo ligações clandestinas por instalações padronizadas e mais seguras.

Outra iniciativa prevista é a implantação do programa Vigia Mais nos locais onde funcionam as feiras, ampliando a segurança para trabalhadores e consumidores por meio de tecnologia de monitoramento.

Também participaram do lançamento a diretora técnica de Projetos e Planejamento da SDTA, Maryana Paixão e a assessora da SAETI Thaíse Fernandes.

Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA