AGRONEGÓCIO

Produtores devem adotar outras alternativas antes de cogitar a recuperação judicial

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Uma notícia recente deixou o setor rural apreensivo. O número de pedidos de recuperação judicial entre os produtores aumentou em impressionantes 535% no ano de 2023, em comparação com o ano anterior, totalizando 127 novos requerimentos. Na avaliação do advogado da HBS Advogados, Frederico Buss, os produtores rurais, por força de passadas crises econômicas no país, conheceram os efeitos da recuperação judicial.

O especialista salienta que empresas ligadas ao agronegócio, como frigoríficos e cerealistas, em situação de pré-falência, recorreram à recuperação judicial como última alternativa legal antes de fechar as portas. “Assim, empresas do setor rural, com as quais milhares de produtores mantinham relação negocial, na maior parte na condição de credores, obtiveram o acesso à recuperação judicial dentro dos trâmites legais vigentes”, explica.

Buss reforça que, durante algum tempo, esta foi a perspectiva sob a qual os produtores rurais se depararam com a recuperação judicial: na condição de fornecedores e credores das empresas em recuperação. No ano de 2019, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), na esteira de decisões de outros tribunais, definiu em linhas gerais que o produtor rural teria direito de postular o acesso à recuperação judicial. Já no final do ano de 2020, a Lei nº 14.112/2020, que entrou em vigor em janeiro de 2021, estabeleceu as condições para o produtor rural acessar o instituto da recuperação judicial.

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Conforme o advogado, esta lei igualmente dispôs que somente as dívidas que decorram exclusivamente da atividade rural poderão ser incluídas na recuperação judicial. “Ademais, estão excluídas da recuperação as dívidas de crédito rural com recursos controlados que tenham sido objeto de renegociação entre o devedor e a instituição financeira antes do pedido de recuperação judicial. Também não se enquadram as dívidas, e respectivas garantias, contraídas nos três últimos anos anteriores ao pedido de recuperação judicial com a finalidade de aquisição de imóvel rural”, salienta.

Para Buss, em que pese a lei ter estendido aos produtores rurais o acesso ao instituto da recuperação judicial, esta alternativa, como era de se esperar, acertadamente não passou a ser utilizada em larga escala. “Isso se deve, possivelmente, porque o produtor rural com dívidas e dificuldades financeiras decorrentes da atividade rural, se bem orientado, terá conhecimento de que há normas específicas que permitem avaliar outros remédios previstos em lei, medidas passíveis de serem adotadas extrajudicialmente, ou judicialmente, antes de pensar na recuperação judicial, que está longe de ser a salvação da lavoura. Pelo contrário, esta alternativa precisa ser analisada com muita prudência e responsabilidade, mediante acurada análise jurídica e econômica do caso concreto, sob pena de inclusive contribuir para a falência e a definitiva extinção da atividade do produtor rural”, avalia.

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O advogado da HBS Advogados diz que a recuperação judicial, tanto do produtor rural como de demais empresas, impacta toda a cadeia do agronegócio, promovendo a insegurança jurídica e o aumento do custo do crédito. Por esta razão, a análise crítica não pode ser enfocada somente na recuperação judicial do produtor. “A recuperação judicial, seja sob a ótica do produtor rural ou das demais empresas da cadeia do agronegócio, precisa ser vista com muita parcimônia e responsabilidade, pois se trata da derradeira alternativa, drástica e excepcional, que exige a análise séria e pontual do caso concreto, a avaliação técnica minudente da sua viabilidade jurídica e econômica, sob pena de aniquilar definitivamente o empreendimento”, finaliza.

Fonte: Assessoria de Comunicação da HBS Advogados

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Alta de insumos, frete e diesel com guerra aperta margem e preocupa safra 2026/27

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Isan Rezende

“O produtor rural brasileiro define agora, entre maio e agosto, o custo da safra 2026/27 — cujo plantio começa a partir de setembro no Centro-Oeste — com uma conta mais pesada e fora do seu controle. A ureia subiu mais de US$ 50 por tonelada, o diesel segue pressionado e o frete internacional acumula altas de até 20%. Isso aumenta o custo por hectare e exige mais dinheiro para plantar”. A avaliação é de Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA), ao analisar os efeitos da escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã sobre o agronegócio brasileiro.

Segundo ele, o encarecimento não começou agora, mas se intensificou nas últimas semanas e pesa diretamente nas decisões do produtor. Em lavouras de soja e milho, o aumento dos insumos pode elevar o custo total entre 8% e 15%, dependendo do nível de investimento. “O produtor já vinha apertado. Agora, o custo sobe de novo e o preço de venda continua incerto”, afirma.

O avanço dos custos está ligado à tensão no Oriente Médio. O fechamento do Estreito de Ormuz levou o petróleo a superar US$ 111 o barril, mantendo o diesel em alta. Ao mesmo tempo, fertilizantes nitrogenados, que o Brasil importa em grande volume, ficaram mais caros e instáveis.

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Além do custo, há risco de perda de mercado. “O Irã comprou cerca de 9 milhões de toneladas de milho brasileiro em 2025. Se esse volume diminui, sobra produto aqui dentro e o preço cai”, diz Rezende.

Na logística, o impacto já aparece nos números. O frete marítimo para a Ásia subiu entre 10% e 20%, com aumento do seguro e cobrança de prêmio de risco. Na prática, isso reduz o valor pago ao produtor. “Quando o custo de levar o produto sobe, alguém paga essa conta — e parte dela volta para quem está produzindo”, afirma.

O efeito mais forte deve aparecer nos próximos meses, quando o produtor for comprar fertilizantes e fechar custos da nova safra. Se os preços continuarem elevados, será necessário mais capital para plantar a mesma área.

Para Rezende, há medidas que podem reduzir esse impacto. “O governo pode ampliar o crédito rural com juros menores, reforçar o seguro rural e alongar dívidas em regiões mais pressionadas. Um aumento de alguns bilhões na equalização de juros já ajudaria a reduzir o custo financeiro da safra”, afirma.

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Ele também aponta que o Brasil começa a dar passos para diminuir a dependência externa de insumos, mas ainda de forma insuficiente. “A retomada da produção de nitrogenados com a reativação da unidade de Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Araucária, no Paraná, ajuda, mas ainda não resolve o problema. O país continua dependente do mercado internacional, especialmente do Oriente Médio. Sem ampliar essa capacidade e melhorar a logística, o produtor segue exposto a choques externos”, conclui.

Fonte: Pensar Agro

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