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Energia limpa vive boom global e no Brasil e ´cria´ 36 novas usinas de Itaipu

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O mundo adicionou 50% a mais de capacidade na geração de energia limpa no ano passado em relação a 2022. No total, foram acrescentados 510 gigawatts (GW), com a energia solar fotovoltaica respondendo por três quartos das adições em todo o mundo.

Os 510 GW equivalem a mais de 36 novas usinas de Itaipu, a segunda maior hidrelétrica do mundo, com potência instalada de 14 GW. A maior barragem, da usina chinesa Três Gargantas, tem capacidade para 22,5 GW.

Numa corrida inédita por fontes de energia renovável e limpa (que inclui a nuclear), os próximos cinco anos terão o crescimento mais acelerado da história deste mercado, segundo a AIE (Agência Internacional de Energia).

O boom de investimentos deve triplicar, até 2030, a capacidade de geração de energia limpa em 130 países, gerando 3.700 GW adicionais, o equivalente a 264 usinas de Itaipu. Energias solar e eólica —as mais promissoras no Brasil— serão responsáveis por 95% da expansão global.

Segundo relatório da Standard & Poor’s Global Commodity Insights, os investimentos na área subirão de US$ 640 bilhões em 2023 para US$ 800 bilhões neste ano. Em 2030, os aportes globais devem atingir US$ 1 trilhão, o equivalente a cerca da metade do atual PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil. A PricewaterhouseCoopers estima que este valor já pode ter sido superado.

A energia solar deve ser responsável por 55% do investimento total nos próximos anos, prevê a S&P. A eólica onshore (em terra) vem em seguida. As áreas em que há maior aceleração de investimentos (não os maiores valores), porém, são as de armazenamento de energia em baterias e a de eletrólise —empregada na produção do hidrogênio verde.

Neste percurso, segundo a Agência Internacional de Energia, algumas fronteiras serão ultrapassadas nos próximos cinco anos. Entre elas, o fato de o planeta caminhar para adicionar ao fim do período mais capacidade de gerar energia limpa do que tudo o que produz anualmente desde que a primeira usina hidrelétrica comercial foi inaugurada há mais de cem anos.

Ao fim deste ano, as energias solar e eólica estarão gerando mais eletricidade do que as hidrelétricas. Espera-se que a implantação dessas duas fontes no Brasil, nos Estados Unidos, na União Europeia e na Índia mais que duplique, até 2028, a geração na comparação com os últimos cinco anos.

Outro marco histórico é que, a partir do ano que vem, as fontes de energia limpa ultrapassarão o carvão mineral para tornarem-se as maiores geradoras de eletricidade. Daqui a cinco anos, segundo as projeções da AIE, as fontes de energia limpa representarão mais de 42% da eletricidade global —com a participação das eólica e solar dobrando para 25%.

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Neste cenário, o Brasil se destaca com o aumento da capacidade de geração a partir da luz solar e de ventos; enquanto a Europa e os Estados Unidos também atingiram níveis recordes. Hoje, o Brasil já tem a maior parcela de sua geração a partir de energia limpa, com a primazia das hidrelétricas.

Mas é a China que será a protagonista do aumento da oferta interna de energia limpa e da transição energética histórica em curso. O país responderá por quase 60% da nova capacidade que deve estar operacional globalmente até 2028. Apesar da eliminação progressiva de programas estatais de subsídios em 2020 e 2021, a implantação de energia eólica e solar onshore continua acelerando.

No final de 2028, quase metade da geração de eletricidade da China virá de fontes de energia limpa. Em 2023, o país comissionou tanta energia solar quanto o mundo todo o fez em 2022.

Vem da China também a grande oportunidade de expansão da energia solar no resto do mundo, sobretudo no Brasil. Segundo Ronaldo Koloszuk, presidente da Absolar (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica), há atualmente uma superoferta de painéis solares no país asiático.

Segundo a AIE, os preços médios dos painéis no mercado internacional despencaram mais de 50% em relação a um ano atrás. Ao fim de 2024, a capacidade de produção global destas peças deve atingir 1.100 GW, excedendo significativamente a demanda.

Estima-se também que 96% das novas plantas de energia solar e eólica onshore instaladas no ano passado tiveram custos menores do que as novas plantas de geração por carvão mineral e gás natural. Além disso, três quartos das novas centrais eólicas e solares despacharam energia mais barata do que as instalações existentes de combustíveis fósseis.

“Este parece ser o melhor momento para investimentos em energia solar”, afirma Koloszuk, que prevê aportes de R$ 38,9 bilhões neste ano, com a geração de 281,6 mil empregos. Esses investimentos devem adicionar 9,3 GW de potência instalada ao sistema solar brasileiro, que passará a contar com 45,5 GW —26% acima da capacidade atual e o equivalente a mais de três usinas de Itaipu.

Desses 45,5 GW, 31 GW referem-se a pequenas e médias unidades, em residências e empresas. Segundo Koloszuk, a energia solar cobre atualmente só 3,6% do equivalente ao total de 92 milhões de contas de luz no Brasil, o que mostra seu potencial de crescimento.

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Na energia eólica, o Brasil encerrará 2024 com capacidade instalada de 32,8 GW; e a previsão é que chegue a 55,4 GW (quatro usinas de Itaipu) até 2029 . Diferentemente dos painéis solares, em sua maioria importados, 80% das turbinas para energia eólica são fabricadas no Brasil.

Segundo Elbia Gannoum, presidente-executiva da ABEEólica, que reúne as empresas do setor, o crescimento na área tem sido “exponencial”. “A cada ano superamos os recordes de produção do período anterior”, afirma.

Pelos cálculos da ABEEólica, cada 1 GW de energia eólica instalada corresponde a investimentos de R$ 7 bilhões e à criação de 11 mil empregos. “Como a maior parte da produção das turbinas ocorre no Brasil, seu efeito multiplicador na economia é enorme”, diz Gannoum.

O Brasil tem hoje 1.003 parques eólicos, com quase 11 mil aerogeradores em operação, que podem abastecer mais de 41,5 milhões de residências por mês. Há predominância no Nordeste, onde a maior parcela da energia consumida vem desta fonte.

Na área de biocombustíveis (etanol e biodiesel), a AIE prevê que o Brasil responderá por 40% da expansão global na produção até 2028. Segundo o órgão, a adição de capacidade no mundo, especialmente em Brasil, Índia e Indonésia, ocorrerá 30% mais rapidamente do que nos últimos cinco anos.

Apesar dos avanços na área, o Brasil segue aumentando a extração de petróleo. Segundo Bráulio Borges, economista da LCA e pesquisador do FGV Ibre, o país deverá ampliar a produção do óleo em até 50% ao fim da atual década.

“Depois, haverá queda na extração, daí a discussão se devemos explorar a margem equatorial [amazônica]”, diz. “Em países em desenvolvimento, o petróleo continuará tendo papel importante. Não está morto.”

Mas, em meio à corrida por energia limpa e renovável, a AIE alerta para o risco de gargalos na distribuição. Cita “investimentos insuficientes em infraestrutura de rede para acomodar maior participação de energias renováveis”.

Atualmente, cerca de 3.000 GW de capacidade instalada de geração limpa estão à espera de linhas de transmissão, embora mais da metade desses projetos esteja em fase final de conclusão. A construção dessas redes é significativamente mais demorada do que a implantação, por exemplo, de plantas solares.

Fonte: Folha de S. Paulo

Fonte: Portal do Agronegócio

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Mercado de arroz segue travado no Brasil, mas fundamentos globais apontam cenário mais favorável para os preços

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O mercado brasileiro de arroz continua operando em ritmo lento, com baixa liquidez e poucas referências de preços, refletindo a cautela de produtores e compradores diante de um cenário ainda marcado pelo excesso de oferta e pela necessidade de ampliar as exportações. Apesar das dificuldades no mercado interno, indicadores internacionais começam a sinalizar fundamentos mais positivos para o setor no médio prazo.

Segundo análise de Safras & Mercado, o ambiente segue sem fatores capazes de provocar mudanças significativas na dinâmica entre oferta e demanda, mantendo os agentes à espera de sinais mais consistentes para a tomada de decisões comerciais.

“O sentimento predominante continua sendo de espera, tanto por parte dos vendedores quanto dos compradores”, destaca o analista e consultor Evandro Oliveira.

Escoamento dos excedentes continua sendo principal desafio

Após a conclusão da colheita, o setor arrozeiro concentra atenções na necessidade de reduzir os estoques acumulados. O volume disponível no mercado doméstico permanece elevado, aumentando a dependência do comércio exterior para equilibrar a oferta.

Embora as exportações sigam ocorrendo, o ritmo dos embarques ainda está abaixo do necessário para promover uma redução significativa da disponibilidade física do cereal.

Na avaliação dos especialistas, o desempenho das vendas externas será determinante para a recuperação dos preços e para o equilíbrio do mercado nos próximos meses.

Dólar mais fraco reduz competitividade do arroz brasileiro

Outro fator que tem limitado o avanço do setor é o comportamento do câmbio. Após um período de valorização, o dólar perdeu força nas últimas semanas e voltou a operar próximo da faixa de R$ 5,00.

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A movimentação reduz a competitividade do arroz brasileiro no mercado internacional, uma vez que diminui a atratividade das exportações e enfraquece a paridade de exportação.

Em um momento em que o setor depende fortemente da ampliação dos embarques para absorver os excedentes da safra, o recuo da moeda norte-americana representa um desafio adicional para a cadeia produtiva.

Relatório do USDA fortalece perspectiva altista para o mercado global

Enquanto o mercado doméstico enfrenta dificuldades, o cenário internacional apresenta sinais mais construtivos para os próximos meses.

O relatório de junho do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) trouxe revisões importantes para o balanço global do arroz, indicando um aperto gradual na oferta mundial.

Entre os principais destaques estão:

  • Redução de 3,53 milhões de toneladas na produção global de arroz beneficiado;
  • Corte de 1,51 milhão de hectares na área cultivada mundial;
  • Diminuição dos estoques finais globais;
  • Manutenção do consumo mundial em níveis recordes.

Os números reforçam a percepção de que o mercado internacional poderá operar com menor folga entre oferta e demanda durante a temporada 2025/26.

Embora os estoques globais ainda sejam considerados confortáveis, a redução observada em relação aos últimos ciclos fortalece a expectativa de um ambiente mais favorável para a sustentação dos preços internacionais.

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Preços continuam pressionados no Rio Grande do Sul

Mesmo diante dos sinais positivos no mercado externo, os preços do arroz seguem pressionados no principal estado produtor do país.

A média da saca de 50 quilos de arroz em casca no Rio Grande do Sul, com padrão de 58% a 62% de grãos inteiros e pagamento à vista, encerrou a última quinta-feira cotada a R$ 58,79.

O valor representa:

  • Queda de 0,37% em relação à semana anterior;
  • Recuo de 3,54% na comparação mensal;
  • Desvalorização de 13,03% frente ao mesmo período de 2025.

Os números refletem a dificuldade do mercado em absorver a oferta disponível e a necessidade de uma aceleração das exportações para que ocorra uma recuperação mais consistente das cotações.

Perspectiva para o setor

A expectativa dos agentes do mercado é de que a combinação entre redução da oferta mundial, estoques globais menores e consumo crescente possa criar um ambiente mais favorável para o arroz nos próximos meses.

Entretanto, a recuperação dos preços no Brasil continuará diretamente ligada ao desempenho das exportações, ao comportamento do câmbio e à capacidade de escoamento dos excedentes da safra.

Enquanto esses fatores não apresentarem mudanças mais significativas, o mercado deverá permanecer operando com baixa liquidez, negociações pontuais e forte atenção aos movimentos do cenário internacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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