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Inovação na suinocultura: Teste permite identificação ágil e precisa da Coccidiose

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A coccidiose suína impacta significativamente o desenvolvimento dos leitões, sendo um desafio disseminado em nível mundial devido às perdas produtivas substanciais e declínio no desempenho zootécnico dos animais.

Ocasionada pelo protozoário Cystoisospora suis, pertencente à família Eimeriidae, a parasitose comumente afeta os leitões nos primeiros 5 a 15 dias de vida, resultando da ingestão de oocistos presentes no ambiente. A multiplicação desses oocistos nas células do hospedeiro, especialmente no trato digestivo, induz a lesões e diarreia persistente.

Pedro Filsner, médico-veterinário gerente nacional de serviços veterinários de suínos da Ceva Saúde Animal, destaca a elevada pressão de infecção da coccidiose. “Uma vez introduzida na granja, a doença se torna endêmica devido à excreção abundante de oocistos por animais doentes. Os oocistos podem perdurar no ambiente por meses, sendo transportados por insetos, roedores ou pessoas. Os suínos adultos, que muitas vezes são portadores assintomáticos do protozoário, também contribuem para a disseminação dos oocistos pelo ambiente”, detalha.

O diagnóstico precoce da coccidiose suína é fundamental para a implementação de estratégias eficazes de controle e prevenção da doença. Identificar a presença do Cystoisospora suis permite a adoção de medidas específicas, como o tratamento proativo dos animais afetados e a implementação de práticas de biosseguridade para conter a disseminação.

Além disso, a identificação da doença proporciona aos produtores a capacidade de avaliar o impacto da coccidiose no rebanho, otimizando a gestão da saúde suína e contribuindo para a manutenção do bem-estar dos animais.

No entanto, a ausência de um padrão consistente na excreção de oocistos em leitões e a necessidade de provas repetidas apresentam desafios substanciais no diagnóstico dessa doença.

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Estudos como o de Silva et al. (2018) destacam a variabilidade na quantidade de oocistos eliminados, os leitões apresentam períodos de excreção intermitentes de excreção ou até mesmo sendo assintomáticos em determinadas fases da infecção.

Essa variabilidade na excreção de oocistos impacta diretamente a execução dos métodos diagnósticos convencionais. A análise microscópica de fezes, uma abordagem comum, pode resultar em falsos negativos devido à baixa carga parasitária em certos momentos, esse fator torna um desafio detectar a presença do parasita em estágios específicos da infecção. Devido à ausência de um padrão consistente na excreção de oocistos, a repetição das provas é frequentemente necessária para confirmar o diagnóstico.

Desta forma, o avanço para métodos moleculares destaca-se como uma alternativa promissora na busca por diagnósticos mais sensíveis e precisos. Para auxiliar os suinocultores no controle da doença, a Ceva Saúde Animal firmou uma parceria com o Centro de Diagnósticos de Sanidade Animal (Cedisa) para a criação de um teste inovador e altamente eficaz.

A ferramenta utiliza uma técnica de biologia molecular semi quantitativa, desenvolvida pelo time de pesquisa da Ceva e compartilhada com o Cedisa. Essa abordagem aumenta a sensibilidade, especificidade e acurácia do diagnóstico para a coccidiose, representando um avanço significativo para o setor.

A técnica visa melhorar a sensibilidade e especificidade diagnóstica. A abordagem permite a identificação do material genético do parasita, superando as limitações das técnicas convencionais.

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O método se baseia na amplificação do material genético do parasita por meio da reação em cadeia da polimerase (PCR). Amostras de fezes dos suínos são coletadas e processadas para extrair o DNA parasitário. Em seguida, a PCR é utilizada para amplificar segmentos específicos do genoma do parasita.

A análise dos resultados permite a identificação da presença do agente causador e a estimativa da quantidade relativa de DNA, indicando a carga parasitária. Essa abordagem é valiosa para monitorar a prevalência da coccidiose suína em rebanhos, facilitando a implementação de estratégias de controle e prevenção adequadas.

“Dada a importância da coccidiose no que diz respeito às perdas zootécnicas e sua grande prevalência nos rebanhos comerciais, torna-se fundamental identificar sua presença no rebanho. Essa nova solução apresenta maior especificidade proporcionada pela técnica de biologia molecular. Desta forma, o setor produtivo conta agora com uma ferramenta ágil e precisa para o diagnóstico da coccidiose em rebanhos, contribuindo para a eficiência da produção suinícola”, finaliza Pedro.

Referências
  • Silva, M., et al. (2018). Variability in shedding of Cystoisospora suis oocysts and characterization of the infection in suckling piglets under field conditions. Veterinary Parasitology, 255, 79-82.
  • Viena, Anja., et al. (2018) Detection of Cystoisospora suis in faeces of suckling piglets – when and how? A comparison of methods

Fonte: Ceva Saúde Animal

Fonte: Portal do Agronegócio

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Milho recua no Brasil, Chicago opera estável e B3 fecha sem direção única em meio a oferta elevada

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Mercado do milho no Brasil acumula queda de 3,5% em junho com forte pressão da oferta

O mercado brasileiro de milho mantém trajetória de baixa ao longo de junho, pressionado principalmente pelo avanço da safrinha e pelo nível elevado dos estoques de passagem.

Na praça de Campinas (SP), referência para o Centro-Sul, o milho foi negociado a R$ 62,00 por saca de 60 kg nesta quarta-feira (24), reforçando o movimento de recuo observado ao longo do mês. A média parcial de junho ficou em R$ 63,06 por saca, queda de 3,5% frente a maio, quando o valor médio foi de R$ 65,35.

Segundo dados de mercado, o principal fator de pressão segue sendo a combinação entre oferta abundante e demanda interna sem força suficiente para absorver o volume disponível, o que mantém compradores mais cautelosos nas negociações.

A safrinha 2026 é estimada em 112,5 milhões de toneladas, segundo projeções do setor, configurando-se como uma das maiores já registradas no país. O cenário reforça a expectativa de excedente estrutural no curto e médio prazo, com impacto direto sobre a formação de preços.

No mercado físico, a liquidez permanece baixa. Produtores relatam resistência em aceitar valores abaixo do custo de produção, enquanto compradores atuam de forma mais seletiva, aguardando possíveis novas quedas ou oportunidades pontuais.

Chicago opera em estabilidade com equilíbrio entre demanda e clima favorável

No mercado internacional, os contratos futuros de milho na Bolsa de Chicago (CBOT) iniciaram a quinta-feira (25) próximos da estabilidade, refletindo um cenário de equilíbrio entre fatores altistas e baixistas.

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Os vencimentos mais negociados apresentaram variações mistas: julho/26 com leve queda, setembro/26 estável e contratos mais longos com pequenas altas, indicando ajuste técnico após sessões recentes de volatilidade.

Entre os fatores de suporte, destaca-se a demanda externa. O México realizou compras de aproximadamente 100 mil toneladas de milho dos Estados Unidos, parte destinada ao atual ciclo comercial e parte para a safra 2026/27, segundo dados do USDA.

Por outro lado, o clima favorável no cinturão produtor norte-americano segue limitando movimentos de alta. A maioria das lavouras permanece em boas condições, o que sustenta expectativas de oferta confortável e reduz pressão sobre os preços.

B3 inicia sessão em leve queda com influência externa e fundamentos domésticos

Na Bolsa Brasileira (B3), o milho também começou o pregão desta quinta-feira com viés levemente negativo, acompanhando o comportamento mais contido do mercado internacional.

Por volta das 09h, os contratos futuros operavam entre R$ 63,97 e R$ 73,10. O vencimento julho/26 recuava para R$ 63,97, enquanto setembro/26 e janeiro/27 também registravam leves baixas, refletindo cautela dos investidores.

Na sessão anterior, o mercado havia encerrado de forma mista. O suporte inicial veio da valorização do dólar, mas perdeu força ao longo do dia com a queda das cotações em Chicago e o avanço da colheita da safrinha no Brasil.

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Relatos de produtividade irregular em algumas regiões, especialmente em Mato Grosso, adicionaram volatilidade ao mercado. Ao mesmo tempo, chuvas em áreas produtoras atrasaram os trabalhos de colheita e ajudaram a limitar quedas mais intensas.

No mercado físico regional, a liquidez segue reduzida. No Sul do país, compradores abastecidos mantêm negociações pontuais. No Paraná e em Santa Catarina, a diferença entre ofertas e pedidos continua travando acordos. Em Mato Grosso do Sul, a entrada gradual da segunda safra pressiona os preços, embora a demanda da indústria de bioenergia siga como fator de sustentação pontual.

Panorama geral: oferta elevada mantém mercado sob pressão no curto prazo

O mercado global de milho entra no segundo semestre com predominância de fundamentos baixistas, especialmente no Brasil, onde a safrinha volumosa reforça o cenário de superoferta.

Enquanto Chicago oscila de forma lateral, sustentada por exportações pontuais e clima favorável, a B3 reflete o ajuste entre fatores externos e a realidade doméstica de ampla disponibilidade.

No curto prazo, o comportamento dos preços deve continuar condicionado ao ritmo de colheita, ao apetite das exportações e à capacidade de absorção do mercado interno, especialmente do setor de proteína animal e da indústria de etanol.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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