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O que se sabe da tragédia de Brumadinho cinco anos depois?

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Rompimento da barragem Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho
Vinicius Mendonça/ Ibama

Rompimento da barragem Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho


No dia 25 de janeiro de 2019, a tranquilidade da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, Minas Gerais, foi interrompida por um dos maiores desastres ambientais e humanos da história brasileira. O rompimento da barragem da Vale S.A. resultou em consequências devastadoras que ainda ecoam cinco anos depois.

O balanço humano foi trágico, com 270 vidas perdidas, incluindo duas gestantes. Além disso, a contaminação ambiental ao longo de 300 km do Rio Paraopeba gerou um impacto ambiental sem precedentes. Comunidades foram destruídas, deixando um legado de dor e um significativo impacto socioeconômico.

Em uma tentativa de reparar os danos, mais de 23 mil atingidos fecharam acordos com a Vale, liderados pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). Um acordo de reparação para danos coletivos foi assinado em fevereiro de 2021, e indenizações trabalhistas foram concedidas para mais de 90% dos funcionários mortos.

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No entanto, divergências entre dados apresentados pela Vale e instituições de Justiça persistem, alimentando críticas da Associação dos Familiares das Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem em Brumadinho (Avabrum). A falta de negociação e as preocupações com o processo indenizatório são pontos criticados.

Negociações individuais entre Defensoria Pública e Vale foram estabelecidas, mas críticas da Avabrum à falta de espaço para argumentação e pressões persistem. Enquanto algumas vítimas buscam acordos individuais, resultados variados na Justiça levantam questionamentos sobre a equidade do processo.

A denúncia contra a Vale, TÜV SÜD e diretores por homicídios, crimes ambientais e poluição resultou em um processo criminal. Contudo, após cinco anos, a falta de condenações criminais gera críticas à demora e alimenta a sensação de impunidade.

O lançamento do Observatório das Ações Penais sobre a Tragédia de Brumadinho busca trazer transparência ao processo. Estudos do Núcleo de Assessoria às Comunidades Atingidas por Barragens (Nacab) indicam uma redução nas indenizações em segunda instância, enquanto famílias buscam justiça através de ações individuais.

Um avanço significativo foi o acordo judicial cível de reparação de R$ 37,68 bilhões em 160 projetos na Bacia do Rio Paraopeba. Com a execução de 68% do acordo, a Vale destaca a implementação de transferência de renda, ações ambientais e segurança hídrica.

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O desdobramento internacional inclui a Justiça alemã abrindo uma ação contra a TÜV SÜD. Enquanto isso, a Vale reafirma respeito às famílias e colaboração com autoridades, buscando uma resposta global à tragédia.


Cinco anos após a tragédia de Brumadinho, desafios na busca por justiça persistem, destacando a demora no processo e críticas à redução de indenizações em segunda instância.

Fonte: Nacional

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Credores aprovam plano do Grupo HPAR e fortalecem recuperação judicial da companhia

Assembleia com 80% de adesão consolida continuidade do conglomerado e reforça confiança do mercado

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O Grupo HPAR teve o plano de recuperação judicial aprovado nesta quarta-feira (13/05), durante Assembleia Geral de Credores realizada no processo que tramita na 1ª Vara Cível de Cuiabá (MT). A decisão representa uma das etapas mais relevantes da reestruturação financeira do Grupo.

O plano recebeu apoio maciço dos credores, alcançando adesão de 80,58% do valor total dos créditos presentes à assembleia. Instituições financeiras como Daycoval e Bradesco deram voto favorável às condições previstas no plano e no termo aditivo apresentado pelas recuperandas.

A aprovação consolida a continuidade operacional do Grupo HPAR, que atua nos setores de tecnologia, telecomunicações, infraestrutura de redes e serviços corporativos, reunindo as empresas Globaltask, SPE Piauí Conectado, H.Tell Telecom e Bao Bing Infraestrutura.

Internamente, o grupo trata a aprovação como um marco estratégico para preservação das atividades empresariais diante da crise provocada pelo descumprimento do contrato envolvendo a PPP-Piauí Conectado, considerada uma das maiores iniciativas de infraestrutura digital do país. O projeto implantou aproximadamente 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.

O grupo sustenta que houve encampamento ilegal da infraestrutura implantada sem a correspondente indenização pelos investimentos realizados.

O plano aprovado prevê que os recursos financeiros advindos (1) do procedimento de arbitragem que sujeita o Estado do Piauí, (2) da ação judicial de execução que tem contra o Banco do Brasil, garantidor do investimento realizado ou (3) da decisão que determina o pagamento da garantia na recuperação judicial — classificados como “Eventos de Liquidez” — sejam destinados ao cumprimento das obrigações previstas na recuperação judicial e ao pagamento dos credores.

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Entre os principais pontos de tensão está o litígio envolvendo garantias financeiras relacionadas à PPP. Segundo o grupo, o Banco do Brasil teria se recusado a liberar o dinheiro depositado e vinculado ao investimento realizado, esgotando financeiramente a empresa para levá-la à quebra para posterior tomada dos investimentos efetuados. Um recurso de agravo de instrumento, que vai decidir a liberação do valor para a empresa está pautado para ser julgado dia 20/05 no TJMT.

Para o advogado especialista em recuperação judicial do Grupo ERS, Euclides Ribeiro, a aprovação do plano demonstra maturidade do ambiente negocial e reforça a viabilidade econômica do grupo.

“Essa aprovação representa um importante sinal de confiança dos credores na capacidade de recuperação da companhia e principalmente na tese de que o Banco do Brasil deve sim liberar o dinheiro bloqueado pois é garantidor e caucionante dos recursos que estão na conta corrente do projeto. O processo demonstrou que, mesmo em cenários de forte complexidade institucional e financeira, é possível construir soluções jurídicas voltadas à manutenção da operação, proteção dos empregos e satisfação coletiva dos credores”, afirmou.

A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado é acompanhada com atenção por investidores, operadores de PPPs e agentes do mercado financeiro, diante dos possíveis impactos sobre a segurança jurídica de projetos públicos de infraestrutura no Brasil.

Entenda o caso

A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado transformou-se em uma das maiores disputas jurídico-empresariais já registradas no setor de infraestrutura digital brasileiro. A concessionária foi responsável pela implantação do projeto Piauí Conectado, considerado um dos maiores projetos públicos de conectividade do país, com cerca de 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.

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O modelo foi estruturado como uma Parceria Público-Privada (PPP), na qual a iniciativa privada realizou os investimentos necessários para construção, operação e manutenção da infraestrutura tecnológica estadual, enquanto o Estado se comprometeu contratualmente a remunerar a concessionária ao longo dos 30 anos da concessão.

Segundo as recuperandas, aproximadamente R$ 650 milhões foram investidos diretamente na implantação da rede óptica, datacenter, centros operacionais e infraestrutura de telecomunicações. A empresa sustenta que o projeto contribuiu para elevar o Piauí aos primeiros lugares nacionais em indicadores de conectividade entre 2022 e 2024.

A partir de 2023, com a posse do governador Rafael Fonteles, a relação entre a concessionária e o Governo do Piauí sofreu uma mudança abrupta e o conflito escalou rapidamente.

Segundo a concessionária, apesar de o contrato ter sido integralmente executado e a rede ter permanecido plenamente operacional durante toda a execução da concessão, o Estado passou a promover retenções massivas das contraprestações mensais previstas contratualmente, comprometendo severamente o fluxo financeiro da operação, tudo arquitetado para tomada da empresa pelo Estado sem pagamento dos investimentos.

Na sequência, sucederam-se auditorias técnicas, instauração de processos sancionatórios, decretação de intervenção estatal e, posteriormente, a caducidade da concessão. Além do conflito com o Governo do Piauí, o Grupo HPAR obteve a negativa do Banco do Brasil em pagar a garantia prestada, em que pese já ter ganho a arbitragem na Câmara Brasil Canadá. Segundo as recuperandas, a não liberação dessas garantias agravou significativamente o cenário de crise financeira das empresas.

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