BRASIL
SP: Orientação sobre câmeras da PM precisa melhorar, diz especialista
Publicado em
24 de janeiro de 2024por
Da Redação
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), modulou o discurso em relação à ampliação do uso de câmeras corporais pela Polícia Militar (PM) do estado. No dia 2 de janeiro, Tarcísio foi enfático: “qual a efetividade das câmeras corporais na segurança do cidadão? Nenhuma”.
Nessa segunda (22), o governador afirmou que o uso da ferramenta pode ser ampliado dentro do programa “Muralha Paulista”, a ser lançado pela Secretaria de Segurança Pública ao longo deste ano.
“A gente vai usar tecnologia. A câmera corporal é uma das componentes de tecnologia que se integram ao Muralha Paulista, então nós vamos avaliar o uso dessas câmeras. A possibilidade é até de ampliação”, disse. Atualmente, São Paulo possui cerca de 10.125 câmeras corporais.
A fala do governador, e a posterior modulação do discurso, reflete a insatisfação e relutância de alguns policiais e agentes políticos na utilização do equipamento. Segundo Cláudio Cardoso, conselheiro e membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP, “há resistência do governador em implantar e investir” por se tratar de “uma decisão política”. No final de julho de 2023, a Operação Escudo, em São Paulo, indicou que o uso das câmeras pelos policiais deveria melhorar.
“Não podemos indicar com precisão a orientação dada pela corporação, porque temos câmeras sem imagens e não queremos acreditar que a orientação é no sentido de mantê-las desligadas”, afirma Cardoso ao Portal iG. “Mas entendemos que a orientação sobre o uso cabe e deve melhorar, uma vez que temos casos que indicam a não captação das imagens”, diz o advogado, que acompanhou a Operação Escudo pela OAB-SP.
A operação deu origem a uma investigação para apurar o assassinato de um homem dentro de casa, na periferia do Guarujá. Às 7h45 do dia 30 de julho de 2023, a câmera corporal do sargento da PM Eduardo de Freitas Araújo não revelou, ao certo, como a morte aconteceu.
Ainda que outros três PMs tenham afirmado, em depoimento, que o sargento gritou para o homem “largar a arma”, as imagens mostram somente o fuzil e a porta, sem som. Segundo a defesa dos policiais, as câmeras “estavam em ‘modo recall’, ou seja, por descuido, não foram acionadas para o ‘modo evidência’”.
O “recall” é um tipo de gravação armazenada em qualidade mais baixa e sem som, destinado a situações do dia a dia que não envolvam perigo. Embora as câmeras da PM paulista sejam programadas para filmar durante todo o turno, para mudar o tipo de gravação é preciso que o agente aperte um botão. As diretrizes da PM, contudo, exigem que isso seja feito em qualquer ação policial ou abordagem.
Implementação nacional
Segundo dados das secretarias estaduais de Segurança Pública, o uso de câmeras corporais pela PM no Brasil quadruplicou. Em 2022, havia 5.995 câmeras em uso. Em 2024, cerca de 30 mil câmeras são usadas.
O número de estados que aderiu ao mecanismo também subiu: se em 2022 apenas Santa Catarina, Rondônia e São Paulo utilizavam o equipamento, neste ano as PMs do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Pará e Rio Grande do Norte se somam aos números, enquanto Bahia, Roraima e Pernambuco realizam testes para aderir às “body cams”.
Em São Paulo, a ideia de instalar câmeras corporais nasceu da própria polícia. O programa foi desenhado em 2019 e criado em 2020, sob o governo de João Dória, a partir da tese de doutorado de um coronel da reserva. Na prática, apenas batalhões específicos passaram a adotá-las – a Rota foi um deles.
A gestão Dória trabalhava, à época, com a escalada de violência policial no estado, que vinha em linha crescente desde 2014. Em média, 832 pessoas eram mortas ao ano pela PM, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2021, que organiza dados de 2019 e 2020 recolhidos pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Cláudio Cardoso argumenta que a implementação das câmeras corporais deveria se estender para todo o país. “A violência, a ação policial e o direito de cada parte, principalmente como limitador dos excessos, tanto dos policiais, como dos cidadãos, são iguais no Brasil como um todo”, diz ao Portal iG, ao se referir às possíveis particularidades de cada batalhão.
O governo federal tem trabalhado nessa hipótese, e o novo Secretário Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, Mário Sarrubbo, que deve tomar posse em fevereiro, é entusiasta do equipamento. “A letalidade policial é muito reduzida com a câmera, assim como a letalidade do policial também é reduzida”, afirmou.
As câmeras corporais surgiram em 2005 na Inglaterra. Depois, dezenas de países também adotaram os aparelhos. Atualmente, pelo menos 25 países utilizam o equipamento.
A regulamentação do uso das câmeras corporais pelos agentes federais seria votada no dia 17 de janeiro pelo Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária do Ministério da Justiça, mas precisou ser adiada por falta de acordo em relação à obrigatoriedade da utilização.
“O que se busca com as câmeras é melhor efetividade do trabalho policial”, argumenta Cardoso. “Se ele [o policial] agir dentro das normas legais, não precisará se preocupar com provas constituídas, não terá preocupação de provas geradas por colegas”, diz. “Será a evolução da atividade policial, buscando uma sociedade onde a população da periferia não tenha medo de uma abordagem policial após às 19hs”.
Fonte: Nacional
BRASIL
Credores aprovam plano do Grupo HPAR e fortalecem recuperação judicial da companhia
Assembleia com 80% de adesão consolida continuidade do conglomerado e reforça confiança do mercado
Published
1 mês agoon
15 de maio de 2026By
Da Redação
O Grupo HPAR teve o plano de recuperação judicial aprovado nesta quarta-feira (13/05), durante Assembleia Geral de Credores realizada no processo que tramita na 1ª Vara Cível de Cuiabá (MT). A decisão representa uma das etapas mais relevantes da reestruturação financeira do Grupo.
O plano recebeu apoio maciço dos credores, alcançando adesão de 80,58% do valor total dos créditos presentes à assembleia. Instituições financeiras como Daycoval e Bradesco deram voto favorável às condições previstas no plano e no termo aditivo apresentado pelas recuperandas.
A aprovação consolida a continuidade operacional do Grupo HPAR, que atua nos setores de tecnologia, telecomunicações, infraestrutura de redes e serviços corporativos, reunindo as empresas Globaltask, SPE Piauí Conectado, H.Tell Telecom e Bao Bing Infraestrutura.
Internamente, o grupo trata a aprovação como um marco estratégico para preservação das atividades empresariais diante da crise provocada pelo descumprimento do contrato envolvendo a PPP-Piauí Conectado, considerada uma das maiores iniciativas de infraestrutura digital do país. O projeto implantou aproximadamente 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.
O grupo sustenta que houve encampamento ilegal da infraestrutura implantada sem a correspondente indenização pelos investimentos realizados.
O plano aprovado prevê que os recursos financeiros advindos (1) do procedimento de arbitragem que sujeita o Estado do Piauí, (2) da ação judicial de execução que tem contra o Banco do Brasil, garantidor do investimento realizado ou (3) da decisão que determina o pagamento da garantia na recuperação judicial — classificados como “Eventos de Liquidez” — sejam destinados ao cumprimento das obrigações previstas na recuperação judicial e ao pagamento dos credores.
Entre os principais pontos de tensão está o litígio envolvendo garantias financeiras relacionadas à PPP. Segundo o grupo, o Banco do Brasil teria se recusado a liberar o dinheiro depositado e vinculado ao investimento realizado, esgotando financeiramente a empresa para levá-la à quebra para posterior tomada dos investimentos efetuados. Um recurso de agravo de instrumento, que vai decidir a liberação do valor para a empresa está pautado para ser julgado dia 20/05 no TJMT.
Para o advogado especialista em recuperação judicial do Grupo ERS, Euclides Ribeiro, a aprovação do plano demonstra maturidade do ambiente negocial e reforça a viabilidade econômica do grupo.
“Essa aprovação representa um importante sinal de confiança dos credores na capacidade de recuperação da companhia e principalmente na tese de que o Banco do Brasil deve sim liberar o dinheiro bloqueado pois é garantidor e caucionante dos recursos que estão na conta corrente do projeto. O processo demonstrou que, mesmo em cenários de forte complexidade institucional e financeira, é possível construir soluções jurídicas voltadas à manutenção da operação, proteção dos empregos e satisfação coletiva dos credores”, afirmou.
A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado é acompanhada com atenção por investidores, operadores de PPPs e agentes do mercado financeiro, diante dos possíveis impactos sobre a segurança jurídica de projetos públicos de infraestrutura no Brasil.
Entenda o caso
A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado transformou-se em uma das maiores disputas jurídico-empresariais já registradas no setor de infraestrutura digital brasileiro. A concessionária foi responsável pela implantação do projeto Piauí Conectado, considerado um dos maiores projetos públicos de conectividade do país, com cerca de 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.
O modelo foi estruturado como uma Parceria Público-Privada (PPP), na qual a iniciativa privada realizou os investimentos necessários para construção, operação e manutenção da infraestrutura tecnológica estadual, enquanto o Estado se comprometeu contratualmente a remunerar a concessionária ao longo dos 30 anos da concessão.
Segundo as recuperandas, aproximadamente R$ 650 milhões foram investidos diretamente na implantação da rede óptica, datacenter, centros operacionais e infraestrutura de telecomunicações. A empresa sustenta que o projeto contribuiu para elevar o Piauí aos primeiros lugares nacionais em indicadores de conectividade entre 2022 e 2024.
A partir de 2023, com a posse do governador Rafael Fonteles, a relação entre a concessionária e o Governo do Piauí sofreu uma mudança abrupta e o conflito escalou rapidamente.
Segundo a concessionária, apesar de o contrato ter sido integralmente executado e a rede ter permanecido plenamente operacional durante toda a execução da concessão, o Estado passou a promover retenções massivas das contraprestações mensais previstas contratualmente, comprometendo severamente o fluxo financeiro da operação, tudo arquitetado para tomada da empresa pelo Estado sem pagamento dos investimentos.
Na sequência, sucederam-se auditorias técnicas, instauração de processos sancionatórios, decretação de intervenção estatal e, posteriormente, a caducidade da concessão. Além do conflito com o Governo do Piauí, o Grupo HPAR obteve a negativa do Banco do Brasil em pagar a garantia prestada, em que pese já ter ganho a arbitragem na Câmara Brasil Canadá. Segundo as recuperandas, a não liberação dessas garantias agravou significativamente o cenário de crise financeira das empresas.

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