AGRONEGÓCIO

Reforma tributária e o agronegócio

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Por sua importância, os impactos da reforma tributária para o setor estão sendo muito discutidos, principalmente nas regiões que se destacam no agronegócio.

Como exemplo podemos citar Goiás, que é reconhecido na produção de sorgo, milho, trigo, tomate, cana-de-açúcar e soja. Em 2017, o Estado exportou aproximadamente 76% de toda a sua produção. Já em 2022 essas exportações trouxeram um faturamento de US$ 11,7 bilhões.

Esses e outros dados consolidam a posição de destaque de Goiás no agronegócio brasileiro. No ciclo 2021/2022, por exemplo, obteve o terceiro lugar em produção de grãos no País e, em 2022, o seu Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) foi o quinto maior do Brasil.

Diante desses números se torna óbvia a necessidade de que os produtores da região tenham pleno conhecimento sobre os efeitos da reforma tributária para o agronegócio.

Alguns pontos da reforma preocupam os produtores. O primeiro deles está relacionado ao enfraquecimento do pacto federativo, tendo em vista a extinção do ICMS. Além disso, é possível que ocorra uma diminuição na arrecadação para todos os estados brasileiros.

Outro ponto preocupante é a extinção dos benefícios fiscais, que podem gerar migração do capital para outros centros econômicos.

Com as novas regras serão criados o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), cuja cobrança será feita no território nacional e com alíquota única para todos os setores da economia.O Governo Federal estima que a alíquota base pode variar entre 26,9% e 27,5%.

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A proposta de reforma tributária, aprovada pelo Senado, confirmou a intenção de colocar um fim nos regimes especiais e/ou diferenciados.Como dito, esse movimento gera insegurança ao setor do agro, que possui inúmeros benefícios fiscais com o objetivo de equilibrar todos os riscos envolvidos em sua exploração, por causa da sua importância indiscutível, visto que são bens que garantem a subsistência humana.

Para compensar essa situação, o texto prevê a redução das alíquotas do IBS e CBS em 60% para alimentos destinados ao consumo humano, produtos agropecuários, aquícolas, pesqueiros, florestais e extrativistas vegetais in natura e insumos agropecuários e aquícolas.

Outra previsão já contemplada pela reforma é a redução das alíquotas do IBS e CBS para zero nos produtos destinados à alimentação humana, que comporão a Cesta Básica Nacional de Alimentos.

Essas reduções, que ainda dependem de lei Complementar, são recebidas com otimismo, pois não só trazem vantagens para o consumidor como também estimulam a produção e a comercialização desses itens essenciais.

Caso implementadas conforme aprovadas, essas medidas têm o potencial de impedir uma elevação nos preços dos produtos, o que alivia os encargos fiscais que estão preocupando as empresas do setor.

No entanto, essa redução vem acompanhada de uma inquietação: além do IBS e CBS, teremos ainda o Imposto Seletivo (IS), que incidirá sobre a produção, a extração, a comercialização ou a importação de bens e serviços prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.

Esse imposto pode anular a redução concedida ao setor, aumentando a carga tributária sobre insumos vitais como pesticidas, herbicidas e inseticidas.

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O receio é que esse acréscimo tributário neutralize os benefícios da redução da alíquota geral e afete negativamente o custo de produção, com possíveis repasses ao consumidor final.

Um dos maiores benefícios da reforma é a implementação da não cumulatividade plena, o que permite o aproveitamento integral dos créditos tributários que certamente trará benefícios ao setor.

Esse é o alicerce sobre o qual a reforma se sustenta, visando a erradicação do efeito cascata que tanto encarece e torna complexa a tributação nacional. Com isso, a agroindústria poderá desfrutar de um ambiente fiscal mais previsível e equitativo.

Entretanto, é prudente manter cautela moderada quanto à reforma. Ainda que proponha um cenário promissor, a implementação das mudanças e a manutenção da carga tributária efetiva ainda exigirão uma observação atenta e uma gestão fiscal assertiva, até porque ainda falta a lei complementar, na qual os assuntos mais sensíveis deverão ser tratados e solucionados.

As discussões sobre a reforma tributária ainda não estão fechadas, muito menos se sabe qual será a sua real abrangência, mas algo é certo, a compreensão dos temas que estão sendo tratados deve ser prioridade para que haja uma devida preparação para os próximos pontos que serão objeto de análise e mudanças.

Angelo Ambrizzi é head Tributário no Marcos Martins Advogados

Fonte: Marcos Martins Advogados

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Fertilizante fosfatado começa a ser produzido no RS com operação em Caçapava do Sul e reforça oferta regional de insumos

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Caçapava do Sul entra no mapa da produção de fertilizantes fosfatados

A Águia Fertilizantes iniciou oficialmente as operações do Pampafos, primeiro fertilizante fosfatado produzido no Rio Grande do Sul. A unidade industrial está localizada em Caçapava do Sul e marca a etapa inicial do Projeto Fosfato Três Estradas, que tem base mineral no município de Lavras do Sul.

O empreendimento representa um avanço estratégico para o agronegócio gaúcho ao ampliar a oferta regional de insumos agrícolas, reduzindo a dependência de fertilizantes importados de outras regiões e países.

Projeto nasceu de descoberta inédita de rocha fosfática no Estado

O projeto tem origem na identificação da primeira jazida de rocha fosfática do Rio Grande do Sul, localizada em um distrito de Lavras do Sul. As pesquisas minerais começaram em 2011, conduzidas pela própria Águia Fertilizantes.

Os estudos geológicos apontaram um depósito com recursos estimados superiores a 100 milhões de toneladas de minério, consolidando a viabilidade econômica do empreendimento e abrindo caminho para a implantação industrial.

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Licenciamento ambiental foi concluído em maio

O início das operações ocorre após a concessão da Licença de Operação do Projeto Fosfato Três Estradas, emitida em 15 de maio no Palácio Piratini, em Porto Alegre.

O documento foi liberado pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul, com participação da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura e da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), concluindo uma etapa decisiva para o início da produção.

Produção inicial e expansão do complexo industrial

A produção inicial do Pampafos terá capacidade de até 150 mil toneladas por ano. A expectativa da empresa é produzir cerca de 70 mil toneladas ainda em 2026.

Com a implantação do novo complexo industrial previsto para Lavras do Sul em 2027, a capacidade produtiva poderá chegar a 300 mil toneladas anuais de fertilizantes fosfatados.

Esse volume é estimado para atender aproximadamente 15% da demanda de fertilizantes fosfatados do Rio Grande do Sul, fortalecendo a autonomia regional no fornecimento de insumos agrícolas.

Investimentos já somam R$ 230 milhões

Desde 2011, a Águia Fertilizantes já investiu cerca de R$ 230 milhões no desenvolvimento do projeto. Os recursos foram aplicados em pesquisas minerais, estudos ambientais, infraestrutura de mina, adequações industriais e no processo de licenciamento ambiental.

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Impacto para o agronegócio gaúcho

A entrada em operação do Pampafos representa um marco para a cadeia produtiva do agronegócio no Estado. Além de ampliar a oferta de fertilizantes fosfatados, o projeto contribui para o fortalecimento da indústria mineral e para a segurança no abastecimento de insumos essenciais à produção agrícola.

Com a expansão prevista, o Rio Grande do Sul passa a consolidar uma nova frente produtiva estratégica no setor de fertilizantes, com potencial de impacto direto na competitividade do campo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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