AGRONEGÓCIO
Clima já faz Brasil perder 11 milhões de toneladas de grãos
Publicado em
12 de janeiro de 2024por
Da RedaçãoA cada mês que passa, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) vem reduzindo o potencial total de produção. Em outubro, eram de 317,5 milhões de toneladas. Nesta quarta-feira (10), o volume foi reavaliado para 306,4 milhões.
O Rio Grande do Sul, estado que mais tem sido atingido pelos efeitos do clima nos anos recentes, será a salvação do país. Os gaúchos serão os únicos, entre os principais produtores nacionais, que conseguirão elevar o volume de grãos neste ano. Eles vão colher 44% a mais de milho; 68% a mais de soja, e 11% a mais de arroz.
Já os mato-grossenses, castigados pela irregularidade das chuvas nesta safra, deverão ter uma queda na produção de grãos de 11,4 milhões de toneladas, recuando dos 101 milhões de 2023 para 89,6 milhões neste ano.
O Paraná, segundo principal produtor, terá a safra reduzida para 43,2 milhões de toneladas, 3 milhões a menos do que no ano passado. Além de Rio Grande do Sul, Ceará, Roraima, Amazonas e Pará, todos com participações restritas na produção nacional, terão aumento no volume a ser produzido. Rio de Janeiro, o menor produtor nacional, manterá o mesmo volume.
O Rio Grande do Sul, terceiro maior produtor nacional, deverá elevar a produção de grãos para 39 milhões de toneladas neste ano, um volume 41% superior ao de 2023, mas ainda 2 milhões abaixo do volume previsto anteriormente em outubro.
As condições climáticas são desfavoráveis para os dois principais itens da produção agrícola brasileira: soja e milho. A produção de soja, estimada inicialmente em 162 milhões de toneladas, cai para 155 milhões, conforme as previsões mais recentes da Conab.
Esses dados levam em consideração o desempenho das lavouras até o final de dezembro. O El Niño, no entanto, fenômeno que vem provocando as adversidades climáticas de forma diferente nas diversas regiões do país, manterá seus efeitos durante os próximos meses, com potencial para uma redução ainda maior da safra.
Algumas consultorias já estimam a produção de soja em 151 milhões de toneladas, um volume que, se concretizado, ficará abaixo do recorde de 154,6 milhões de 2023.
O clima gera incertezas também para os produtores de milho. Em outubro, a Conab estimava a área que seria destinada ao cereal em 21,2 milhões de hectares. O potencial de produção era de 119,4 milhões de toneladas.
Nesta quarta-feira, o órgão federal reduziu a área para 21 milhões de hectares, com produção de 117,6 milhões. A safrinha, a principal do país, terá redução de 4,5% na área e de 11% no volume. O líder Mato Grosso, que obteve 51 milhões de toneladas na segunda safra do ano passado, tem produção prevista, por ora, de 45 milhões. A safra de inverno, a chamada safrinha, será semeada após a colheita de soja.
O clima afeta também os produtos básicos. A primeira safra de feijão terá quebra de 4% no volume, que recua para 916 mil toneladas. A de arroz foi reajustada para 10,7 milhões, uma pequena redução, mas ainda um volume superior ao de 2023.
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) também refez suas projeções de safra para 2024. O volume total de grãos será de 306,5 milhões, 2 milhões a menos do que estimava em outubro.
O IBGE eleva a produção de soja para 154 milhões de toneladas, 1,3% a mais do que previa antes, e reduz a de milho para 117 milhões, uma queda de 1,4%.
O volume previsto de grãos ainda é confortável para o consumo do país. O recorde de exportação de 102 milhões de toneladas de soja em 2023, porém, não deverá ser repetido neste ano.
A primeira posição no ranking mundial de milho também deverá ser perdida, principalmente porque o consumo interno cresce com a evolução da produção de proteínas e do aumento da moagem do cereal para a produção de etanol.
Em 2023, o país gerou receitas externas de US$ 167 bilhões no setor de agronegócio, um valor que dificilmente voltará a ocorrer neste ano. Os números foram apurados pela Folha com base nas vendas de alimentos e de outros produtos relacionados ao setor.
Um aumento das receitas ocorreria com elevação dos preços internacionais, o que, por ora, não está no radar do mercado. Apesar de estimativas de restrições na produção brasileira, outras regiões produtoras, como a Argentina, se recuperam de perdas no ano passado.
Fonte: Folha de S. Paulo
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Farelo e óleo de soja: demanda global sustenta mercado, mas excesso de oferta pressiona preços no segundo semestre
Published
11 minutos agoon
19 de junho de 2026By
Da Redação
O mercado de farelo e óleo de soja atravessa um momento de contrastes em 2026. Enquanto o óleo segue sustentado pela crescente demanda do setor energético e dos programas globais de biocombustíveis, o farelo enfrenta um ambiente mais desafiador, marcado pelo aumento da produção mundial e pela ampliação da concorrência internacional.
A avaliação faz parte do relatório Agro Mensal de junho, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, que analisa as perspectivas para o complexo soja diante do avanço do esmagamento global e do crescimento da oferta dos principais países produtores.
Óleo de soja lidera valorização impulsionado por biocombustíveis
O óleo de soja foi o principal destaque do complexo soja ao longo de maio. As cotações internacionais avançaram fortemente em Chicago, impulsionadas pela valorização do petróleo e pela expectativa de ampliação dos mandatos de biodiesel em importantes mercados consumidores.
Entre os fatores que sustentaram o movimento estão a adoção da mistura B50 na Indonésia e as discussões sobre a implementação do B15 na Malásia, iniciativas que reforçam a demanda estrutural pelo derivado.
Mesmo com a correção observada no fim do mês, após a queda do petróleo diante das negociações envolvendo Estados Unidos e Irã, o óleo encerrou maio com valorização média de 8,3%, consolidando-se como o produto de melhor desempenho dentro do complexo soja.
Farelo encontra resistência diante da ampla oferta global
Em sentido oposto, o farelo de soja apresentou desempenho mais moderado. Apesar de registrar leve valorização no mercado internacional, o produto continua enfrentando pressão decorrente do aumento da oferta mundial.
A expansão do esmagamento na América do Sul, especialmente no Brasil e na Argentina, ampliou significativamente a disponibilidade do insumo para alimentação animal, limitando ganhos mais expressivos nos preços.
No mercado brasileiro, a situação foi ainda mais evidente. Em Mato Grosso, principal polo de processamento do país, os preços recuaram diante da combinação entre oferta abundante e valorização do real frente ao dólar.
Exportações seguem em ritmo acelerado
Apesar da pressão sobre os preços, o comércio exterior continua sendo um importante suporte para o setor.
As exportações brasileiras de farelo de soja cresceram 4,6% no acumulado de 2026 até maio, enquanto os embarques de óleo registraram expansão expressiva de 40,9% no mesmo período.
O desempenho reflete a combinação entre maior processamento doméstico, disponibilidade de produto e demanda internacional consistente, especialmente de compradores da Ásia e da Europa.
Segundo o Itaú BBA, o mercado internacional continua absorvendo volumes relevantes, contribuindo para o escoamento da produção brasileira.
Segundo semestre deve ter mais oferta e preços menores
As projeções para a safra 2026/27 indicam continuidade da expansão da produção global de derivados de soja.
O aumento do esmagamento nos Estados Unidos, Brasil e Argentina deverá elevar ainda mais a oferta de farelo, criando um ambiente de maior competição entre exportadores e pressionando os preços internacionais.
A expectativa é que a Argentina, tradicional líder mundial nas exportações de farelo, amplie gradualmente seus embarques nos próximos meses, aumentando a concorrência direta com o produto brasileiro e reduzindo os prêmios de exportação.
Já para o óleo de soja, o cenário permanece relativamente mais favorável. O crescimento da demanda por biocombustíveis continua oferecendo suporte estrutural ao mercado, embora a volatilidade dos preços do petróleo siga sendo um fator relevante para as cotações.
Mercado acompanha equilíbrio entre energia e alimentos
O relatório destaca que o comportamento do complexo soja nos próximos meses dependerá do equilíbrio entre a crescente demanda energética e o aumento da oferta agrícola global.
Enquanto o óleo tende a permanecer sustentado pelos programas de transição energética e expansão do biodiesel, o farelo deverá enfrentar um ambiente mais competitivo, exigindo atenção dos produtores e indústrias quanto às estratégias de comercialização.
Com produção recorde prevista para os principais países exportadores e estoques globais confortáveis, a tendência para o segundo semestre é de um mercado abastecido, com preços mais pressionados, especialmente para o farelo de soja.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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