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Infraestrutura de armazenagem, o grande desafio do agronegócio brasileiro

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O saldo positivo é que, além de ajudar a controlar a inflação, o cenário contribuiu de forma significativa para equilibrar as exportações. No entanto, apesar da comemoração por grande parte dos agricultores e produtores rurais, nos deparamos com um desafio a ser vencido com urgência: a infraestrutura de armazenagem.

Ao longo do ano, tivemos safra recorde de grãos, cereais, leguminosas e oleaginosas. O agronegócio está pujante novamente, depois de enfrentar percalços com o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, em fevereiro de 2022, e os quase três anos da pandemia da Covid-19.

O volume recorde na produção das lavouras é fruto da maior produção prevista para a soja (19,1%), milho primeira safra (16,8%), algodão herbáceo em caroço (2%), sorgo (5,7%) e para o feijão primeira safra (4,9%). A soja e o milho primeira safra também devem ter aumento na área colhida, de 1,2% e 0,9%, respectivamente.

Se no campo as lavouras – mesmo que afetadas por graves ondas de calor no Centro-Oeste e chuvas torrenciais no Sul do país – estão indo de vento em popa, a capacidade de armazenagem agrícola também teve aumento, chegando a 201,4 milhões de toneladas no primeiro semestre, um percentual 4,8% superior ao semestre anterior. Apesar da pequena melhora, na prática é pouco para nossa realidade.

O armazenamento de grãos é questão de extrema relevância para a agricultura, pois é um gargalo do setor. Isso porque tudo o que o produtor colhe ele precisa escoar imediatamente, pois não tem como estocar. Nem de terceiros. Com isso, além de não conseguir negociar precificação dos produtos, ele escoa tudo pelo valor estabelecido pelo mercado, deixando seu negócio pouco competitivo.

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Os silos são essenciais para o equilíbrio do mercado, ou seja, a gente colher os grãos na safra e vendê-los na entressafra. É um olhar mercadológico, principalmente para os produtores que têm investido em bioinsumos em suas lavouras com o objetivo de reduzir os insumos químicos e recuperar a saudabilidade do solo, a exemplo do que as fazendas da BMG Agro vêm adotando nos últimos sete anos.

Fato é que o Brasil não tem investimento em armazenagem. Para se ter ideia, um silo – de concreto armado ou aço – capaz de armazenar 60 mil sacas, custa entre R$ 7 milhões a R$ 8 milhões. É um custo inviável para a maioria dos produtores. Geralmente, as estruturas são projetadas pelo tamanho da propriedade e pela estimativa média de produção.

Dados de 2021/2022 indicavam que os estados do Rio Grande do Sul e o Mato Grosso detinham as melhores estruturas de armazenagem: o RS tinha o maior número de estabelecimentos (2.183), enquanto o MT liderava com a maior capacidade de estocagem (46,9 milhões de toneladas).

Muitos produtores têm usado como alternativa de baixo investimento o silo bolsa, uma espécie de bexiga, de plástico, que fica no chão, rente ao solo. Mas essa estrutura é descartável e para pequenos volumes de armazenagem.

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O que vem sendo discutido no setor do agronegócio é um incentivo melhor do governo federal, com taxas menores de juros, isenção de impostos, pois a questão do armazenamento de grãos influencia diretamente na cadeia logística do país dentro do agro. O BNDES já tem linhas exclusivas para a montagem de silos, com taxas diferenciadas, o que me parece ainda insuficiente para atender uma massa maior de produtores.

Os Estados Unidos são o maior produtor de milho do mundo e segundo maior produtor de soja. Nós estamos em primeiro lugar na soja e em segundo na produção de milho. Os EUA têm uma safra apenas, nós temos duas, por isso nos tornarmos o número um em soja e estamos num cenário bastante favorável e competitivo no mercado. Mas os EUA têm mais armazenagem e esse déficit entre nós certamente poderá influenciar na cadeia produtiva brasileira, uma vez que estamos aumentando a capacidade produtiva, como prevê a Conab para as safras de 2023. Não consigo ver um mercado agro competitivo, saudável e rentável sem o setor resolver isso conjuntamente com o governo.

Bruno Sampaio é gestor das fazendas BMG Agro

Fonte: Link Comunicação Empresarial

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Selic a 14,50% pressiona crédito e leva agroindústrias a buscar linhas subsidiadas para investir

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Mesmo com a taxa básica de juros em 14,50% ao ano, o custo do capital segue como um dos principais fatores nas decisões estratégicas das empresas, especialmente no agronegócio. Em um ambiente de crédito mais caro e restritivo, agroindústrias têm intensificado a busca por linhas subsidiadas para financiar investimentos, modernização e expansão.

A definição da taxa pelo Banco Central mantém o crédito tradicional em patamares elevados, impactando diretamente o planejamento corporativo. Projetos passam a ser analisados com maior rigor, considerando retorno ajustado ao risco, impacto no fluxo de caixa e estrutura de capital.

Crédito caro adia investimentos no agro

Com a alta da Selic, operações atreladas ao CDI acompanham o movimento da política monetária, encarecendo financiamentos e reduzindo a viabilidade de projetos, principalmente os de longo prazo e maior intensidade tecnológica.

Nesse cenário, empresas enfrentam um dilema: investir para ganhar competitividade ou preservar liquidez. O resultado, em muitos casos, é o adiamento de projetos produtivos, como ampliação de plantas industriais, aquisição de máquinas e adoção de novas tecnologias.

Além disso, instrumentos do mercado privado, como debêntures e operações estruturadas, continuam concentrados em grandes empresas com maior acesso a investidores e governança consolidada. Para pequenas e médias empresas (PMEs), o crédito se torna mais restrito, com prazos menores, custos mais altos e exigências mais rígidas de garantias.

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Linhas subsidiadas ganham protagonismo

Diante desse cenário, linhas de crédito subsidiadas operadas por bancos de desenvolvimento voltam ao centro da estratégia financeira das empresas, especialmente no agronegócio e na indústria.

Programas voltados à inovação e à digitalização produtiva têm ampliado a oferta de recursos com condições mais atrativas. Iniciativas conduzidas por instituições como BNDES e Finep priorizam investimentos em tecnologias como automação, robótica, Internet das Coisas (IoT) e manufatura avançada.

Com prazos mais longos, carência ampliada e taxas inferiores às do mercado tradicional, essas linhas alteram significativamente o cálculo de viabilidade dos projetos, permitindo que empresas mantenham seus planos de crescimento mesmo em um ambiente de juros elevados.

PMEs ampliam acesso a investimentos

Para micro, pequenas e médias empresas, o impacto das linhas subsidiadas é ainda mais relevante. O acesso a crédito com condições diferenciadas permite diluir o investimento inicial e viabilizar ganhos de produtividade que seriam inviáveis no crédito tradicional.

No entanto, acessar esses recursos exige mais do que identificar a linha disponível. Cada instituição financeira trabalha com critérios técnicos específicos, incluindo métricas de inovação, exigências regulatórias e modelagem financeira estruturada.

Engenharia financeira vira diferencial competitivo

Nesse contexto, a estruturação do funding ganha papel estratégico. A escolha da fonte de capital — considerando prazo, indexador, custo e exigências — passa a influenciar diretamente a competitividade e a sustentabilidade financeira das empresas.

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Consultorias especializadas têm atuado na chamada engenharia de funding, estruturando operações que combinam diferentes fontes de recursos para reduzir o custo médio da dívida e ampliar a capacidade de investimento.

Casos recentes mostram empresas de setores como agronegócio, engenharia, varejo e recursos humanos acessando linhas como o Pró-Inovação, voltado ao financiamento de projetos tecnológicos, com apoio técnico na estruturação e aprovação dos financiamentos.

Estratégia financeira define crescimento

Com a Selic elevada, o crédito tradicional tende a pressionar margens e alongar o prazo de retorno dos investimentos. Nesse cenário, linhas subsidiadas deixam de ser apenas alternativas e passam a integrar a estratégia financeira das empresas.

A definição correta do funding pode determinar o sucesso ou fracasso de um projeto. Escolhas inadequadas comprometem o fluxo de caixa por anos, enquanto uma estrutura bem planejada sustenta o crescimento e melhora a competitividade.

Empresas que tratam o financiamento como variável estratégica conseguem avançar em suas agendas de modernização, mesmo em um ambiente macroeconômico adverso. Já aquelas que dependem exclusivamente do crédito tradicional tendem a operar de forma mais conservadora, priorizando a preservação de caixa.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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