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Estoque de CPR registradas está bem próximo de atingir R$ 300 bi

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Os estoques dos títulos de financiamento privado do agro continuaram apresentando incrementos relevantes em novembro deste ano. Tal comportamento ascendente também foi observado no patrimônio líquido do Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro), conforme pode ser observado no quadro abaixo.

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Com relação à Cédula de Produto Rural (CPR), os valores em estoque registrados estão bastante próximos a R$ 300 bilhões, sendo que o tíquete médio das operações está em R$ 1,49 milhão. Vale destacar que o número de CPR registradas, em estoque, em novembro, atingiu 196 mil títulos, quase o dobro do observado há um ano.

Por outro lado, considerando o acumulado de valores registrados na Safra 2023/24, de julho a novembro, observa-se que houve retração de cerca de 11%, quando comparado com o mesmo período do ano passado.

“O mercado de títulos do agro é muito dinâmico, sendo que essa redução nos valores da CPR, registrados na atual safra, pode estar associada a fatores como a redução dos custos de produção e a concorrência com outros meios de financiamento do setor, entre outros”, esclareceu o coordenador-geral de Instrumentos de Mercado e Financiamento do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Jonathas Alencar.

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No caso da Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), os estoques chegaram a quase R$ 450 bilhões. No acumulado da atual safra, de julho a novembro, as LCA depositadas tiveram elevação de 22,5% no valor, quando comparadas a igual intervalo da temporada anterior.

“As LCA têm sido a principal fonte de recursos livres do Plano Safra 2023/24, sendo responsáveis por cerca de 47% do funding total destinado ao Crédito Rural. A maior disponibilidade de recursos financeiros, proporcionada pelo crescimento da emissão desse título, tende a resultar em taxas de juros mais acessíveis em operações de crédito rural com recursos livres”, comentou o Diretor de Política de Financiamento ao Setor Agropecuário do Mapa, Wilson Araújo.

Em novembro, o patrimônio líquido dos Fiagro alcançou R$ 19,57 bilhões, um salto de 120% frente a igual período do ano passado. O número atual de fundos é de 84, ante 36 fundos em igual período de 2022.

Maiores detalhes sobre a CPR e LCA, bem como de outros títulos do agronegócio e do Fiagro podem ser acessados no Boletim de Finanças Privadas do Agro.

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Fonte: MAPA

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Plano Safra 2026/27 confirma avanço do crédito privado e reduz dependência do financiamento oficial no agro

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O anúncio do Plano Safra 2026/27 trouxe um novo recorde nominal para o crédito rural empresarial, com R$ 525,1 bilhões destinados a médios e grandes produtores. Apesar do volume expressivo, o crescimento de apenas 1,7% em relação à safra anterior ficou abaixo da inflação acumulada e do avanço esperado para o setor, gerando questionamentos sobre a capacidade do programa de sustentar sozinho a expansão do agronegócio brasileiro.

Mais do que o valor anunciado, o que chama a atenção é a mudança estrutural que vem ocorrendo no sistema de financiamento rural. O crédito privado, impulsionado por instrumentos como CPR, Fiagro, CRA e LCA, assume papel cada vez mais relevante, reduzindo a dependência histórica dos recursos subsidiados pelo governo.

Plano Safra cresce menos e reflete cenário de maior cautela

O novo ciclo do Plano Safra foi lançado em um contexto marcado por margens mais apertadas no campo, aumento da inadimplência em algumas cadeias produtivas e maior seletividade das instituições financeiras.

Dos R$ 525,1 bilhões anunciados, R$ 384,9 bilhões serão destinados ao custeio e comercialização da produção, uma redução de 7,2% em relação à safra anterior. Já os recursos para investimentos somam R$ 140,2 bilhões, alta de 38,1%, sinalizando prioridade para projetos de modernização, tecnologia e infraestrutura.

Além disso, houve redução nas principais taxas de juros das linhas de financiamento, acompanhando o início do ciclo de queda da taxa Selic. O crédito de custeio empresarial passou de 14% para 12,5% ao ano, enquanto o Pronamp caiu de 10% para 9%.

Crédito privado ganha protagonismo no financiamento rural

Embora o Plano Safra continue sendo um importante instrumento de política agrícola, sua participação relativa no financiamento do setor vem diminuindo.

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Nas últimas cinco safras, o crescimento do crédito rural ocorreu principalmente por meio de recursos livres, captados a mercado. Enquanto o crédito subsidiado permaneceu praticamente estável, as operações com recursos privados avançaram de forma consistente.

Esse movimento mostra que o agronegócio brasileiro está cada vez menos dependente dos subsídios governamentais e mais conectado ao sistema financeiro e ao mercado de capitais.

A participação dos recursos equalizados — aqueles em que o Tesouro Nacional subsidia parte dos juros — caiu significativamente nos últimos anos, representando atualmente cerca de 22% do total disponibilizado pelo Plano Safra.

Cooperativas ampliam presença no campo

Outro destaque da transformação do crédito rural é o avanço das cooperativas financeiras.

Nos últimos dez anos, a participação dessas instituições nas operações de crédito rural praticamente dobrou. Em diversas regiões do país, especialmente no interior, as cooperativas se tornaram a principal fonte de financiamento para produtores rurais.

Além da proximidade com o associado, essas instituições ampliaram sua capacidade de captação no mercado, fortalecendo sua atuação em um cenário de maior demanda por crédito e menor participação dos bancos tradicionais.

CPR alcança R$ 565 bilhões e lidera expansão do mercado privado

A principal evidência da mudança estrutural está no crescimento da Cédula de Produto Rural (CPR), instrumento que se consolidou como a espinha dorsal do crédito privado no agronegócio.

O estoque de CPR saltou de aproximadamente R$ 170 bilhões para R$ 565 bilhões em apenas seis safras, crescimento superior a 230%. O avanço supera com folga a expansão registrada pelo próprio Plano Safra no mesmo período.

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Paralelamente, outros instrumentos também ganharam espaço. O estoque de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) alcançou cerca de R$ 176 bilhões, enquanto os Fiagros já administram aproximadamente R$ 62 bilhões em ativos distribuídos em centenas de fundos.

Somados a operações de barter e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), os mecanismos privados movimentam atualmente cerca de R$ 1,4 trilhão, consolidando uma nova realidade para o financiamento da produção agropecuária.

Desafio para produtores passa a ser gestão financeira

Especialistas apontam que o principal desafio para os próximos anos não será apenas acessar crédito, mas administrar diferentes fontes de financiamento de forma estratégica.

Ferramentas como CPR, barter, Fiagro e operações estruturadas passam a integrar cada vez mais o planejamento financeiro das propriedades rurais. Nesse cenário, gestão de risco, proteção de margem e eficiência operacional tornam-se fatores tão importantes quanto produtividade e tecnologia.

Nova fase do crédito rural já começou

O Plano Safra 2026/27 reforça uma tendência que vem se consolidando no agronegócio brasileiro: o financiamento da produção deixou de depender exclusivamente dos recursos oficiais.

Embora continue relevante, o programa governamental passa a atuar como parte de um sistema mais amplo, formado por cooperativas, mercado financeiro, investidores e instrumentos privados.

A mensagem para o setor é clara: o futuro do crédito rural será construído pela combinação entre recursos públicos e privados. Mais do que acompanhar o tamanho dos anúncios oficiais, produtores, empresas e investidores precisarão observar a qualidade do funding, a gestão dos riscos e a capacidade de execução dos projetos para garantir competitividade nos próximos ciclos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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