BRASIL
São Paulo se prepara para a eleição mais acirrada da história em 2024
Publicado em
24 de dezembro de 2023por
Da Redação
O ano de 2024 deve reservar uma das disputas mais acirradas pelo comando da maior cidade da América Latina. Ao menos seis candidatos buscam o controle do orçamento R$ 111 bilhões, um dos maiores do país.
De um lado, Ricardo Nunes, atual prefeito, que tenta se consolidar no alto escalão da política compondo a cabeça de chapa para o Executivo pela primeira vez. Do outro, Guilherme Boulos, deputado federal, que tenta repetir o sucesso na campanha de 2020 — quando chegou ao segundo turno.
Ambos devem alavancar a polarização existente no Brasil desde 2013, repetindo o que ocorreu na disputa pela presidência em 2022, com Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encabeçando as campanhas.
Representante de uma ‘terceira via’ na capital paulista, Tabata Amaral (PSB) também figura entre os favoritos na disputa. Essa será a primeira vez em que a parlamentar vai concorrer ao comando de São Paulo e que também tenta se colocar no alto escalão política paulista.
O pleito deve contar ainda com Kim Kataguiri (União Brasil), embora sua candidatura ainda enfrente resistência em sua legenga, o União Brasil. Outra que tem seu nome confirmado é Marina Helena (Novo), novata no meio político, mas que busca fortalecer o campo da direita.
A dúvida principal está sobre Ricardo Salles, fiel escudeiro do ex-presidente Jair Bolsonaro, que protagonizou brigas internas no PL pela candidatura. Fontes dão como certo o apoio de Bolsonaro a Nunes, o que incomodou Salles, principalmente após as sinalizações do ex-presidente à sua candidatura.
Fiel da balança
Os candidatos paulistanos devem apostar em fortes nomes para conseguir alavancar as campanhas, que tende a ser uma das mais equilibradas da história. Fora isso, os nomes devem investir pesado em publicidade e em ataques contra os adversários.
Ricardo Nunes tem Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como trunfos na disputa de 2024. Mesmo se colocando como um candidato de Centro, Nunes aposta na dupla para como “trunfo” para derrotar Guilherme Boulos, candidato que lidera as pesquisas de opinião.
O emedebista deve aproveitar a polarização e tentar enfraquecer a imagem do deputado. De quebra, Nunes quer potencializar sua imagem junto aos eleitores, já que até pouco tempo atrás era um “prefeito desconhecido”, como classificam alguns interlocutores.
Entretanto, o prefeito paulistano deverá encarar outro percalço: a insatisfação de Bolsonaro. Embora tenha confirmado o apoio à Ricardo Nunes, o ex-presidente ficou incomodado com o distanciamento do atual chefe da capital ao seu nome. Nas últimas semanas, Jair Bolsonaro sinalizou apoio a Salles, mas recuou após pesquisas eleitorais mostrarem avanço da esquerda em São Paulo.
Já Guilherme Boulos entrou na disputa após um acordo entre ele e Lula. Na avaliação de aliados, o primeiro ano de Lula em frente ao Planalto somado à atuação de Haddad na fazenda podem fortalecer o psolista.
Boulos, entretanto, terá que encarar a resistência de algumas alas do PT sobre a sua candidatura. Entre os nomes resistentes está o clã Tatto, que defendia uma candidatura própria do partido.
O candidato também deve apostar nos ataques a Nunes e ressaltar o desconhecimento da população sobre o trabalho do emedebista à frente da prefeitura. O parlamentar também deve investir nas dificuldades das comunidades para tentar enfraquecer o prefeito paulistano.
Tabata Amaral contará com apoio do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e do ministro da Micro e Pequena Empresa, Márcio França, para conseguir alçar o segundo turno. Ela vê os dois nomes muito fortes na capital e acredita que o palanque poderá angariar votos para “dar trabalho” aos demais candidatos.
Outro trunfo de Tabata está no vice de sua chapa. Embora não tenha confirmado o nome, o apresentador José Luiz Datena é o mais cotado para o posto. Datena se filiou na última semana ao PSB e prepara sua sexta candidatura política.
Ao contrário dos outros candidatos, Tabata Amaral deverá focar mais nos nomes e investir em propostas educacionais, principal bandeira política da parlamentar.
Pré-candidato pelo União Brasil, Kim Kataguiri não deve ter palanque fortalecido na cidade de São Paulo. Seus principais apoiadores estão na executiva nacional da legenda, enquanto a local quer apostar em Nunes para a prefeitura.
Caso se consolide entre os candidatos, Kim deve apostar nos casos de violência na capital paulista em sua campanha. O deputado pretende atacar as medidas impostas por Nunes e apresentar tentativas de soluções para a Cracolândia. Outra aposta é no Movimento Brasil Livre (MBL), grupo que comanda desde 2013.
Marina Helena pretende investir em pautas ligadas a privatizações de empresas municipais, além de outras ligadas a infraestrutura. Já Ricardo Salles aposta em seu nome ligado ao governo Bolsonaro para convencer a direita de que poderá comandar a maior cidade do país pelos próximos quatro anos.
Conheça cada um dos candidatos
Ricardo Nunes
Empresário, Ricardo Nunes é filiado ao MDB e tem a região Sul da capital paulista como seu principal polo eleitoral. Líder comunitário, Nunes montou uma empresa de controle de pragas que atende diversos portos do país.
Entrou para a política em 2012 quando venceu a disputa para vereador em São Paulo. Foi reeleito em 2016, mas deixou a vereança ao ser eleito vice-prefeito na chapa de Bruno Covas (PSDB).
À época, o nome de Nunes não estava cotado para a campanha tucana, mas um acordo com o MDB obrigou a inclusão do então vereador na chapa. Ricardo Nunes, então, desbancou nomes como José Luiz Datena, Marta Suplicy e até o presidente da Câmara Municipal, Milton Leite.
Após o afastamento e morte do tucano, Nunes passou a comandar a capital paulista e teve uma gestão voltada à infraestrutura. Com o fim do mandato, o emedebista tenta emplacar obras de recapeamento nas principais ruas e avenidas de São Paulo e deve ser sua principal bandeira no período eleitoral.
Guilherme Boulos
Filho de médicos e professores da USP, Guilherme Boulos é professor, filosofo e um dos líderes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). Foi um dos líderes dos protestos contra o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e um forte crítico do governo de Michel Temer.
Se candidatou à presidência da República em 2018, sendo o mais jovem a concorrer ao cargo na história do país. Obteve pouco mais de 600 mil votos e ficou na 10ª colocação.
Em 2020, se candidatou pela primeira vez à Prefeitura de São Paulo, ocasião em que encarou a chapa Covas-Nunes. Surpreendeu ao chegar ao segundo turno e obter mais de 2 milhões de votos.
Dois anos mais tarde, abdicou da campanha pelo governo do estado em prol de Fernando Haddad e se candidatou pela primeira vez a um cargo no Legislativo. Foi o deputado federal mais votado do país com pouco mais de 1 milhão de votos.
Tabata Amaral
Cria da Vila Missionária, zona Sul de SP, Tabata Amaral é formada em Astrofísica e Ciência Política pela Universidade de Havard, nos Estados Unidos. Estou parte da vida em escola pública, até conseguir uma bolsa em um instituto particular e receber propostas de outras universidades americanas, como Yale, Columbia e a Caltech.
Trabalhou nas secretarias da Educação das cidades de Sobral (CE) e Salvador (BA), antes de se candidatar pela primeira vez ao cargo de deputada federal em 2018, sendo eleita pelo PDT. Entrou em conflito com o partido após votar favorável à Reforma da Previdência do ex-presidente Jair Bolsonaro e decidiu se filiar ao PSB.
Em 2022, foi reeleita deputada federal, mas pretende disputar a prefeitura de São Paulo pela primeira vez. O vice de sua chapa tende a ser o apresentador José Luiz Datena.
Kim Kataguiri
Kim Kataguiri é um estudante de Direito, político e um dos líderes do Movimento Brasil Livre (MBL), que eclodiu em 2014. Foi um dos maiores defensores do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e fez oposição aos governos Jair Bolsonaro e Lula.
Filiado ao União Brasil, Kataguiri foi eleito deputado pela primeira vez em 2018, sendo reeleito em 2022.
Marina Helena
Economista, Marina Helena é filiada ao Partido Novo e trabalhou por 20 anos em políticas públicos para o setor privado. Se candidatou pela primeira vez em 2022, sendo alçada como suplente de deputado federal.
Antes, foi diretora de Desestatização do Ministério da Economia durante o governo Jair Bolsonaro. Ela também foi a responsável pelo programa de governo do candidato Felipe D’Ávila nas eleições do último ano.
Será a primeira vez que ela se candidata à prefeitura de São Paulo
Ricardo Salles
Ricardo Salles é advogado formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e foi secretário do Meio Ambiente na gestão Geraldo Alckmin no estado de São Paulo. Um dos fiéis escudeiros de Jair Bolsonaro, foi ministro do Meio Ambiente, onde colecionou uma série de polêmicas.
Além do aumento no índice de desmatamento, Salles criou alvoroço ao pedir para que o Congresso “passasse a boiada” em projetos que desburocratizem regras ambientais. A fala foi corroborada pela importância dada à pandemia de Covid-19 na época e que declarou que o tema não teria tanto desgaste ao governo Bolsonaro.
Deixou a pasta em 2021, após uma série de investigações da Polícia Federal por suspeita de contrabando ilegal e por atrapalhar investigações sobre apreensão de madeira.
Em 2022, foi candidato à deputado federal, sendo eleito pelo PL com o apoio de Bolsonaro. Entretanto, entrou em disputa com a legenda para se candidatar à prefeitura da capital paulista após o partido declarar apoio à Ricardo Nunes.
Fonte: Nacional
BRASIL
Credores aprovam plano do Grupo HPAR e fortalecem recuperação judicial da companhia
Assembleia com 80% de adesão consolida continuidade do conglomerado e reforça confiança do mercado
Published
1 semana agoon
15 de maio de 2026By
Da Redação
O Grupo HPAR teve o plano de recuperação judicial aprovado nesta quarta-feira (13/05), durante Assembleia Geral de Credores realizada no processo que tramita na 1ª Vara Cível de Cuiabá (MT). A decisão representa uma das etapas mais relevantes da reestruturação financeira do Grupo.
O plano recebeu apoio maciço dos credores, alcançando adesão de 80,58% do valor total dos créditos presentes à assembleia. Instituições financeiras como Daycoval e Bradesco deram voto favorável às condições previstas no plano e no termo aditivo apresentado pelas recuperandas.
A aprovação consolida a continuidade operacional do Grupo HPAR, que atua nos setores de tecnologia, telecomunicações, infraestrutura de redes e serviços corporativos, reunindo as empresas Globaltask, SPE Piauí Conectado, H.Tell Telecom e Bao Bing Infraestrutura.
Internamente, o grupo trata a aprovação como um marco estratégico para preservação das atividades empresariais diante da crise provocada pelo descumprimento do contrato envolvendo a PPP-Piauí Conectado, considerada uma das maiores iniciativas de infraestrutura digital do país. O projeto implantou aproximadamente 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.
O grupo sustenta que houve encampamento ilegal da infraestrutura implantada sem a correspondente indenização pelos investimentos realizados.
O plano aprovado prevê que os recursos financeiros advindos (1) do procedimento de arbitragem que sujeita o Estado do Piauí, (2) da ação judicial de execução que tem contra o Banco do Brasil, garantidor do investimento realizado ou (3) da decisão que determina o pagamento da garantia na recuperação judicial — classificados como “Eventos de Liquidez” — sejam destinados ao cumprimento das obrigações previstas na recuperação judicial e ao pagamento dos credores.
Entre os principais pontos de tensão está o litígio envolvendo garantias financeiras relacionadas à PPP. Segundo o grupo, o Banco do Brasil teria se recusado a liberar o dinheiro depositado e vinculado ao investimento realizado, esgotando financeiramente a empresa para levá-la à quebra para posterior tomada dos investimentos efetuados. Um recurso de agravo de instrumento, que vai decidir a liberação do valor para a empresa está pautado para ser julgado dia 20/05 no TJMT.
Para o advogado especialista em recuperação judicial do Grupo ERS, Euclides Ribeiro, a aprovação do plano demonstra maturidade do ambiente negocial e reforça a viabilidade econômica do grupo.
“Essa aprovação representa um importante sinal de confiança dos credores na capacidade de recuperação da companhia e principalmente na tese de que o Banco do Brasil deve sim liberar o dinheiro bloqueado pois é garantidor e caucionante dos recursos que estão na conta corrente do projeto. O processo demonstrou que, mesmo em cenários de forte complexidade institucional e financeira, é possível construir soluções jurídicas voltadas à manutenção da operação, proteção dos empregos e satisfação coletiva dos credores”, afirmou.
A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado é acompanhada com atenção por investidores, operadores de PPPs e agentes do mercado financeiro, diante dos possíveis impactos sobre a segurança jurídica de projetos públicos de infraestrutura no Brasil.
Entenda o caso
A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado transformou-se em uma das maiores disputas jurídico-empresariais já registradas no setor de infraestrutura digital brasileiro. A concessionária foi responsável pela implantação do projeto Piauí Conectado, considerado um dos maiores projetos públicos de conectividade do país, com cerca de 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.
O modelo foi estruturado como uma Parceria Público-Privada (PPP), na qual a iniciativa privada realizou os investimentos necessários para construção, operação e manutenção da infraestrutura tecnológica estadual, enquanto o Estado se comprometeu contratualmente a remunerar a concessionária ao longo dos 30 anos da concessão.
Segundo as recuperandas, aproximadamente R$ 650 milhões foram investidos diretamente na implantação da rede óptica, datacenter, centros operacionais e infraestrutura de telecomunicações. A empresa sustenta que o projeto contribuiu para elevar o Piauí aos primeiros lugares nacionais em indicadores de conectividade entre 2022 e 2024.
A partir de 2023, com a posse do governador Rafael Fonteles, a relação entre a concessionária e o Governo do Piauí sofreu uma mudança abrupta e o conflito escalou rapidamente.
Segundo a concessionária, apesar de o contrato ter sido integralmente executado e a rede ter permanecido plenamente operacional durante toda a execução da concessão, o Estado passou a promover retenções massivas das contraprestações mensais previstas contratualmente, comprometendo severamente o fluxo financeiro da operação, tudo arquitetado para tomada da empresa pelo Estado sem pagamento dos investimentos.
Na sequência, sucederam-se auditorias técnicas, instauração de processos sancionatórios, decretação de intervenção estatal e, posteriormente, a caducidade da concessão. Além do conflito com o Governo do Piauí, o Grupo HPAR obteve a negativa do Banco do Brasil em pagar a garantia prestada, em que pese já ter ganho a arbitragem na Câmara Brasil Canadá. Segundo as recuperandas, a não liberação dessas garantias agravou significativamente o cenário de crise financeira das empresas.

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