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Indústria química pode voltar a crescer em 2024

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A crescente demanda por produtos químicos em setores-chave, como agricultura, pecuária, indústria de ração animal, de limpeza e farmacêutica, entre tantos outros, juntamente com a busca contínua por soluções sustentáveis e ecologicamente corretas, está estimulando a inovação e o investimento na indústria química.

Dados recentemente divulgados pela Conab (Companhia Nacional Abastecimento) mostram que as exportações de soja em grãos, de janeiro a novembro de 2023, continuam elevadas. Os embarques do grão foram elevados de 98,06 milhões de toneladas para 100,03 milhões de toneladas. Para 2024, as exportações da oleaginosa estão estimadas em 101,59 milhões de toneladas. Apesar de as mudanças climáticas afetarem o cultivo de muitos produtos, o mercado mantém a confiança nos negócios.

Já em evento realizado recentemente sobre “Perspectivas Agropecuárias para 2024”, iniciativa do Instituto Desenvolve Pecuária, Alex Lopes, gerente de estratégia do Minerva Foods Brasil, disse que a estimativa interna para 2024 é de que o Brasil aumente o consumo de carne em 2,5% – prevendo que a estabilização aguardada para o próximo ano antecipe a alta no ciclo pecuário aguardada para 2025.

Na indústria de ração animal, as projeções do Rabobank para 2024 indicam uma retomada nas entregas de fertilizantes. O banco projeta um grande crescimento no mercado de biológicos em 2024, com uma performance de vendas melhor do que os defensivos químicos. “Devemos esperar uma redução nos custos operacionais das principais culturas do país, em especial os relacionados à adubação”, afirma o analista de Insumos do banco, Bruno Fonseca.

Diante da expectativa de um 2024 estável, vale destacar o quanto essas perspectivas impactam a indústria química nacional. De acordo com João César de Freitas, diretor comercial da Katrium Indústrias Químicas – maior fabricante de potassa cáustica da América Latina – as análises divulgadas mostram que a indústria química tem vários desafios pela frente.

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Segundo Freitas, o maior consumidor da potassa cáustica é o setor agropecuário, que a emprega na produção de defensivos agrícolas e fertilizantes foliares. “A potassa cáustica (hidróxido de potássio) é um álcali parecido com a soda cáustica, mas é destinada a aplicações mais nobres, em que o potássio agrega um nutriente ao terreno, em caso de aplicações agrícolas. A eletrólise do sal gera a potassa, mas também cloro, hidrogênio e ácido clorídrico – além do hipoclorito de sódio, que tem como base o cloro”.

Já a indústria de ração animal emprega o fosfato bicálcico na produção de alimento para todas as espécies e fases de criação, sendo a mais nobre fonte de fósforo utilizada. “O fósforo é o segundo macromineral com maiores concentrações no organismo animal, ficando atrás apenas do cálcio. Por ser muito reativo, o fósforo não existe como elemento livre, mas na forma de fosfatos – fundamentais para a saúde das estruturas ósseas e dentária, além de várias outras funções metabólicas. Ou seja, trata-se de um mineral imprescindível para a vida animal”.

Como o Brasil é um dos maiores produtores e exportadores de carne do mundo, o setor agropecuário nacional encara o desafio de continuamente suprir a deficiência de fósforo nos solos e nos alimentos básicos para a produção de rações. “Existe uma sinergia entre vários segmentos da economia. Desde o criador e produtor rural, passando pelo fabricante de fertilizantes, de defensivos agrícolas, de ração animal, até a indústria química – que fornece produtos que são a base de todas as formulações citadas. Por isso, toda boa ou má notícia de um desses segmentos impacta a nossa indústria”, diz o executivo da Katrium.

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Outra indústria em ascensão que deve impactar positivamente a indústria química em 2024 é a indústria da limpeza. A ascensão das plataformas de comércio eletrônico tornou os produtos de limpeza domésticos mais acessíveis aos consumidores. A conveniência das compras online contribuiu para o crescimento do mercado. Além disso, pesquisas indicam que os consumidores estão mais dispostos a gastar em produtos de limpeza premium ou especializados – que oferecem benefícios adicionais.

“Desde a pandemia de Covid-19, a população vem se dando conta da relação entre higiene e saúde. Isso tem impulsionado as vendas de produtos de limpeza domésticos, já que os consumidores estão mais conscientes da importância da limpeza e desinfecção dos seus espaços residenciais e de trabalho. Como o ácido clorídrico/cloro entra na composição de vários produtos, a indústria química acaba sentindo as flutuações da indústria da limpeza”, diz Freitas.

De acordo com Geraldo Alckmin, vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o governo federal está se empenhando para apoiar e estimular a indústria química – que vem sofrendo os reflexos da flutuação de vários setores da economia. “A primeira coisa que fizemos foi recompor os impostos anteriores de importação, que voltam a ser de 11,2%. Também acabamos com os 10% de desconto na Tarifa Externa Comum do Mercosul”, diz o ministro – chamando atenção para a retomada do Reiq (Regime Industrial da Indústria Química). “A volta do regime especial melhora as condições de competitividade de um setor que gera 2 milhões de empregos diretos e indiretos no país e responde por 11% do PIB Industrial”.

Fonte: Press Página

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Pesquisa revela que manejo adequado do solo aumenta infiltração de água e fortalece lavouras contra estiagens

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A compactação do solo tem se consolidado como um dos principais desafios para a produtividade agrícola no Brasil, especialmente em regiões que enfrentam períodos recorrentes de estiagem. Além de restringir o crescimento das raízes, o problema reduz a infiltração de água, limita a circulação de oxigênio no perfil do solo e compromete a eficiência do sistema de plantio direto, amplamente adotado nas principais regiões produtoras de grãos.

Com o objetivo de identificar alternativas capazes de minimizar esses impactos, pesquisadores do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS), campus Ibirubá, conduziram estudos que avaliaram práticas de manejo voltadas à melhoria das condições físicas e químicas do solo sem a necessidade de revolvimento intenso da área.

Descompactação do solo melhora infiltração e ambiente radicular

As pesquisas foram realizadas em áreas experimentais do IFRS e analisaram os efeitos da descompactação mecânica combinada com a aplicação de corretivos agrícolas, como calcário e gesso, sobre os atributos do solo e o desempenho da cultura da soja.

Os estudos compararam diferentes estratégias de manejo dentro do sistema de plantio direto, buscando compreender como a redução da compactação pode favorecer a infiltração de água, melhorar o ambiente radicular e aumentar a eficiência no uso dos recursos disponíveis pelas plantas.

De acordo com os resultados obtidos, a associação entre descompactação mecânica e calagem apresentou os melhores indicadores para a correção da acidez em camadas subsuperficiais do solo.

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Os pesquisadores observaram que o pH permaneceu mais elevado nas áreas onde foi utilizado o descompactador rotativo em conjunto com a aplicação de calcário, indicando maior movimentação do corretivo para profundidades superiores às observadas nos tratamentos com aplicação exclusivamente superficial.

Enquanto a calagem tradicional concentrou seus efeitos nos primeiros 10 centímetros do perfil do solo, os manejos que incluíram a descompactação apresentaram benefícios perceptíveis até aproximadamente 15 centímetros de profundidade.

Ganhos na produtividade da soja reforçam benefícios do manejo

Além das melhorias químicas, os estudos também identificaram reflexos positivos na estrutura física do solo e no desempenho das lavouras.

As áreas submetidas à descompactação registraram ganhos numéricos de produtividade, com rendimento médio próximo de 200 quilos por hectare acima da média geral do experimento. Também foram observados aumentos no peso de mil grãos nos tratamentos que receberam correção do solo.

Segundo os pesquisadores, a melhoria da estrutura física favorece o armazenamento de água no perfil do solo, contribuindo para reduzir os efeitos dos períodos de déficit hídrico e aumentando a capacidade das plantas de enfrentar condições climáticas adversas.

Saúde do solo ganha papel estratégico no agronegócio

A crescente frequência de estiagens e a necessidade de elevar a produtividade sem expansão de área tornam o manejo adequado do solo uma estratégia cada vez mais relevante para a sustentabilidade da produção agrícola.

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Para Silmo de Ávila, diretor da Agross do Brasil, a pesquisa reforça a importância da integração entre ciência e campo para o desenvolvimento de soluções eficientes.

“Hoje, quando o produtor enfrenta estiagens mais frequentes e precisa produzir mais sem ampliar área, olhar para a saúde do solo passou a ser uma questão estratégica. Ver uma instituição como o IFRS estudando os impactos da compactação e avaliando tecnologias voltadas à infiltração de água e à preservação do plantio direto reforça a importância de aproximar pesquisa e realidade do campo. O produtor precisa de soluções que tragam resultado prático e ajudem a construir lavouras mais resilientes no longo prazo”, afirma.

Solo saudável é aliado da produtividade e da segurança hídrica

Os resultados obtidos pelo IFRS evidenciam que práticas de manejo voltadas à redução da compactação podem gerar benefícios que vão além do aumento da produtividade, contribuindo para melhorar a infiltração de água, ampliar a eficiência do uso dos corretivos agrícolas e fortalecer a resiliência das lavouras diante dos desafios climáticos.

Em um cenário de crescente variabilidade do clima, investimentos em qualidade física e química do solo tornam-se cada vez mais importantes para garantir sustentabilidade, estabilidade produtiva e competitividade ao agronegócio brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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