AGRONEGÓCIO

Edital abre inscrições de pré-incubação e incubação para startups do agronegócio

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Os estudantes, empreendedores e professores de qualquer instituição de ensino ou pesquisa – pública ou privada de todo Brasil – que desejam empreender no agronegócio com um acompanhamento especializado e gratuito podem participar do edital do Programa de Pré-Incubação e Incubação do Ecossistema de Inovação (Integrow).

O edital vai oferecer diversos serviços para transformar ideias e negócios que tenham base tecnológica, sejam inovadores e sustentáveis. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas até o dia 31 de dezembro de 2023 no link do Integrow.

Múltiplos benefícios

Os participantes terão diversos benefícios como mentoria de profissionais experientes, acesso à infraestrutura e equipamentos, treinamentos e workshops, networking com outros empreendedores, oportunidades de captação de recursos e a possibilidade de atrair investidores para acelerar ou tracionar o negócio.

Mesmo para quem tem somente uma ideia, o Integrow também ajudará na validação do conceito, na estruturação de um plano empresarial, na análise dos concorrentes e no potencial de mercado.

“Queremos estimular o desenvolvimento da mentalidade empreendedora. Teremos grandes parceiros como a Coamo – a maior cooperativa agroindustrial da América Latina e uma das maiores do mundo – e o Sebrae, que ajuda milhares de negócios em todo país. Também vamos mentorar a pessoa que está por trás do negócio para auxiliar em seus medos, anseios e em seu desenvolvimento”, explica Fabrício Pelloso, head de Inovação do Centro Universitário Integrado de Campo Mourão (PR).

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“Buscamos parcerias que possam trazer inovação e novas tecnologias para a melhoria nos processos, principalmente no pós-colheita. O setor é carente de estudos que tragam avanços na armazenagem”, explica João Valderi de Jesus, Analista de Produtos Agrícolas da Coamo.

Acompanhamento por um ano

Outro grande diferencial do programa é o contato regular e gratuito com os mentores do Integrow ao longo de 12 meses. Segundo uma pesquisa realizada pela Universidade de Quebec, no Canadá, o empreendedorismo pode ser uma jornada solitária, com sensação de falta de companhia e sem um espaço seguro de troca e compartilhamento de informações.

Os resultados do estudo mostraram que os estressores profissionais predizem o esgotamento através de um sentimento de solidão ocupacional. Este efeito indireto condicional foi mais forte e significativo quando a orientação empreendedora é baixa.

“Esse acompanhamento por um ano evita a sensação de solidão que acompanha grande parte dos empreendedores. Literalmente, estaremos de mãos dadas e apoiados em parceiros estratégicos”, enfatiza Pelloso.

Critérios de seleção

O processo seletivo do Integrow terá duas etapas. Na primeira, os candidatos devem preencher e enviar um formulário e um pitch com sua ideia ou negócio. Na segunda, os selecionados vão passar por uma entrevista com uma banca avaliadora.

A avaliação obedecerá aos critérios de viabilidade técnica, econômica e comercial da proposta; capacidade técnica e gerencial dos empreendedores; conteúdo tecnológico e grau de inovação dos produtos, processos e serviços a serem ofertados, assim como seu impacto modernizador na economia; adequação e atendimento aos objetivos da incubadora; sustentabilidade e impacto ambiental e social. O resultado será divulgado no site www.grupointegrado.br e enviado por e-mail aos participantes.

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“Uma de nossas características é a inovação. Queremos apoiar os estudantes – mesmo após sua formatura – os empreendedores e professores. Por isso, o edital também vale para todos os interessados. Assim, contribuímos desde o desenvolvimento da ideia e ajudamos para que o município de Campo Mourão se transforme numa região tecnológica e com visão de futuro”, enfatiza o diretor de Negócios do Grupo Integrado, Rafael Zampar.

Sobre o Centro Universitário Integrado

Localizado em Campo Mourão (PR), o Centro Universitário Integrado oferece, há mais de 25 anos, ensino superior de excelência reconhecido pelo MEC com nota máxima (5) no Conceito Institucional. Preocupado com o que o mercado necessita, busca ofertar um ensino de qualidade voltado às competências que precisam ser desenvolvidas por todos os profissionais.

Para isso, conta com infraestrutura moderna, laboratórios com tecnologia de ponta, metodologias de ensino inovadoras e corpo docente com forte experiência acadêmica e vivência prática.

Atualmente, o Integrado oferece mais de 55 cursos de graduação presencial, semipresencial e a distância, incluindo Direito, Medicina e Odontologia e mais de 100 cursos de pós-graduação em diversas áreas do conhecimento.

Fonte: Mem Comunicação

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Seguro paramétrico no agro não pode ser tratado como solução imediata para problema estrutural, alerta especialista

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A ampliação do debate sobre seguro paramétrico, crédito rural e políticas públicas colocou a gestão de risco agropecuário no centro da agenda institucional do setor no Brasil. A avaliação é de Daniel Miquelluti, especialista em seguro paramétrico e cofundador da Picsel, ao analisar os rumos da discussão no país.

Segundo o especialista, o avanço é positivo, pois o sistema brasileiro de proteção ao produtor rural precisa evoluir diante da maior volatilidade climática e da crescente exposição a eventos extremos. No entanto, ele alerta para um risco recorrente: transformar uma ferramenta técnica em uma solução excessivamente ampla para problemas estruturais do agronegócio.

Seguro paramétrico avança, mas não substitui modelos tradicionais

O seguro paramétrico é baseado em índices previamente definidos — como volume de chuva, temperatura e níveis de estiagem — e permite pagamentos mais rápidos quando comparado aos modelos tradicionais, reduzindo a necessidade de perícias detalhadas.

Na avaliação de Miquelluti, essa característica torna o instrumento relevante em um cenário de aumento de custos de produção, restrição de crédito e maior frequência de eventos climáticos extremos.

Apesar disso, o especialista destaca que o debate perde consistência quando a proposta deixa de ser complementar e passa a ser vista como substituta dos modelos convencionais de seguro rural.

Risco agropecuário brasileiro é sistêmico e altamente correlacionado

O risco no agro brasileiro, segundo a análise, não pode ser tratado como individual ou isolado. Eventos como secas no Centro-Oeste, geadas no Sul ou excesso de chuvas em regiões produtivas atingem simultaneamente grandes áreas e diversas cadeias produtivas.

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Esse comportamento caracteriza um risco sistêmico, que impacta carteiras de crédito, seguradoras, resseguradoras e a própria capacidade de pagamento do produtor rural.

Nesse contexto, modelos simplificados de expansão do seguro paramétrico exigem cautela, especialmente quando vinculados a políticas públicas de crédito rural.

Um estudo técnico do Observatório do Crédito e Seguro Rural da Fundação Getulio Vargas alerta que a eventual adoção obrigatória de seguro paramétrico atrelado ao crédito subsidiado poderia provocar mudanças estruturais relevantes no sistema, com impactos fiscais, regulatórios, jurídicos e operacionais, além da necessidade de transição gradual e planejamento de longo prazo.

Risco de base pode comprometer confiança do produtor

Um dos principais desafios do modelo paramétrico é o chamado risco de base (basis risk), que ocorre quando o índice acionado não corresponde exatamente à perda real do produtor.

Isso pode gerar duas situações críticas: pagamento sem prejuízo efetivo ou ausência de indenização mesmo diante de perdas significativas.

Segundo especialistas, esse desalinhamento tende a comprometer a confiança dos produtores rurais, especialmente em um setor onde previsibilidade financeira é essencial para o planejamento da safra.

Limitações fiscais e pressão sobre o seguro rural no Brasil

Outro ponto de atenção está na sustentabilidade fiscal do sistema de seguro rural.

A Confederação Nacional das Seguradoras revisou suas projeções para 2026 e passou a estimar queda nominal de 3,9% no mercado de seguro rural, refletindo a redução de recursos destinados ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural.

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O início do ano já mostrou retração de 12,2% na arrecadação do segmento, evidenciando fragilidades na previsibilidade orçamentária do setor.

Para analistas, a expansão de modelos paramétricos sem garantia de funding e governança adequada pode aumentar ainda mais a pressão sobre o sistema.

Política pública avança para modelos mais técnicos e baseados em dados

Apesar das críticas, o debate não é de rejeição à inovação, mas de aprimoramento da estrutura de gestão de risco no campo.

O avanço do Zoneamento Agrícola de Risco Climático representa uma mudança relevante na forma como políticas públicas são desenhadas, com maior uso de dados técnicos, critérios objetivos e integração entre manejo agrícola e risco climático.

O Ministério da Agricultura e Pecuária tem ampliado o programa, com expansão territorial e incentivos diferenciados para produtores que adotam melhores práticas de manejo do solo.

Seguro paramétrico deve ser complementar, não substituto

Na avaliação do especialista, o seguro paramétrico tende a ganhar espaço no Brasil, especialmente pela integração com crédito rural, resseguro e dados climáticos.

No entanto, seu uso deve ocorrer dentro de uma arquitetura mais ampla de proteção ao produtor, e não como solução isolada.

A combinação entre instrumentos tradicionais, inovação tecnológica e políticas públicas estruturadas é vista como o caminho mais consistente para fortalecer a gestão de risco no agro brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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