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UNICA: Posicionamento – Brasilcom divulga análise distorcida para tentar desfigurar o RenovaBio e estudo sugere que distribuidoras utilizaram CBio para ampliar suas margens

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O estudo publicado pela Associação apresenta uma análise econométrica que simplifica demasiadamente o funcionamento dos mercados de gasolina e diesel, obtendo resultados absolutamente desconectados da realidade.

De janeiro a outubro deste ano, por exemplo, a análise apresentada pela Associação indica que a compra de Créditos de Descarbonização (CBios) exigiu um aumento de preço equivalente a R$ 0,14 por litro no caso diesel e de R$ 0,12 por litro para a gasolina. Se multiplicarmos esses valores pelo consumo de diesel e gasolina observado nesse período, obtemos um total de R$ 12,24 bilhões que, segundo o estudo apresentado, foram acrescidos ao preço dos combustíveis fósseis para custear a compra de CBios.

Ocorre, entretanto, que, segundo dados públicos disponíveis no site da B3, nesse mesmo período a compra de CBios pelos distribuidores totalizou apenas R$ 3,15 bilhões. Essa condição atesta de forma inequívoca que o impacto calculado pelo estudo é superestimado e não representa a realidade. Caso contrário, caberia à Associação explicar por que os distribuidores cobraram R$ 12,24 bilhões no preço dos combustíveis fósseis se o gasto com a aquisição de CBios totalizou apenas R$ 3,15 bilhões.

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A lógica apresentada para 2023 se repete nas estimativas obtidas pela Associação para todos os anos. A superestimação dos efeitos do CBio nos preços de bomba dos combustíveis fósseis é tão destoante da realidade ao ponto de multiplicar toda a movimentação financeira desde o início do RenovaBio em quase quatro vezes.

Entre as limitações do estudo, é possível citar a especificação das equações, que pressupõe uma relação linear entre as variáveis independentes e dependentes, além de não considerar problemas de endogeneidade inerentes a estimativas de equações de oferta e demanda. A ausência de variáveis importantes nas estimativas, como a quantidade consumida, a renda das famílias e, especialmente, o preço dos combustíveis fósseis na refinaria, também pode explicar o enorme equívoco presente nos resultados divulgados.

Esse tipo de distorção apresentada por um grupo de distribuidoras contrárias ao RenovaBio é recorrente. Em julho deste ano, essas mesmas empresas afirmaram que não haveria créditos suficientes para o cumprimento das suas metas em setembro. Entretanto, o que se viu ao final de setembro foi uma oferta de CBios muito superior ao necessário para o atendimento das metas.

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Essa dinâmica de divulgação constante de narrativas distorcidas sobre o RenovaBio se apresenta como exercício de desonestidade intelectual com as autoridades e com a opinião pública brasileira. Tais investidas contra o Programa são uma clara agressão dessas empresas ao meio ambiente, à geração de emprego e renda, e aos investimentos no Brasil.

Fonte: Unica – União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia

Fonte: Portal do Agronegócio

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Acordo Mercosul-UE entra em vigor e abre mercado para agro brasileiro, com desafios distintos para café e frutas

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Após mais de duas décadas de negociações, o acordo entre Mercosul e União Europeia inicia uma nova fase com a entrada em vigor do chamado Acordo Interino de Comércio, marcando a abertura gradual do mercado europeu para produtos do agronegócio brasileiro. A partir de 1º de maio, o foco recai sobre o Pilar Comercial, permitindo a redução imediata de tarifas sem a necessidade de aprovação pelos parlamentos dos 27 países do bloco europeu.

O movimento representa uma janela relevante de oportunidades para o Brasil, mas com impactos distintos entre setores. Enquanto o café solúvel avança de forma mais gradual e sob forte pressão regulatória, o segmento de frutas tende a capturar benefícios mais rapidamente, embora ainda enfrente desafios logísticos e sanitários.

Acesso ampliado, mas condicionado à sustentabilidade

A abertura tarifária não garante, por si só, o aumento das exportações. Especialistas destacam que o acesso ao mercado europeu dependerá do cumprimento de exigências ambientais rigorosas, especialmente ligadas ao Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR).

Nesse cenário, produtores brasileiros precisarão comprovar, de forma estruturada, a rastreabilidade e a sustentabilidade de suas cadeias produtivas. A adaptação a essas regras deve ser um dos principais desafios no curto prazo, sobretudo para o setor cafeeiro.

Café solúvel: recuperação gradual e exigências mais rígidas

No caso do café solúvel, o acordo prevê redução tarifária progressiva ao longo de quatro anos. Já na fase inicial, há uma diminuição de 1,8 ponto percentual sobre a tarifa atual, hoje em 9%.

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O setor avalia que o novo cenário pode ajudar o Brasil a recuperar participação no mercado europeu, perdida nas últimas décadas. Atualmente, a União Europeia responde por cerca de 20% a 22% das exportações brasileiras de café solúvel, com volume próximo de 16 mil toneladas ao ano.

Mesmo em caráter provisório, o acordo já começa a gerar efeitos positivos. Empresas exportadoras iniciaram negociações com compradores europeus, que passaram a demandar informações detalhadas sobre o novo ambiente tarifário e as condições de fornecimento.

A expectativa é de crescimento gradual das exportações, acompanhando a redução das tarifas e o avanço na adequação às exigências ambientais.

Frutas: ganho mais imediato e expansão de mercado

Para o setor de frutas, o impacto tende a ser mais direto, embora varie conforme o produto. Algumas categorias, como a uva de mesa, passam a ter tarifa zerada já na entrada em vigor do acordo. Outras frutas seguirão cronogramas de redução tarifária que podem se estender por quatro, sete ou até dez anos.

A avaliação do setor é de que o cenário é positivo, com potencial de aumento da competitividade e ampliação da presença brasileira no mercado europeu.

Exportadores já iniciaram processos de adaptação, com ajustes na documentação e nos padrões exigidos pelos compradores internacionais. A tendência é de avanço mais rápido em relação ao café, especialmente pela menor pressão regulatória ambiental direta sobre algumas cadeias produtivas.

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Desafios estruturais e competitividade

Apesar da abertura comercial, especialistas apontam que o principal obstáculo não está na produção, mas na capacidade de organização e adequação às exigências do mercado europeu.

A necessidade de consolidar sistemas de rastreabilidade, comprovação de origem e conformidade ambiental exige investimentos e coordenação entre produtores, cooperativas e exportadores.

Cenário político e limites do acordo

Outro ponto relevante é que o acordo mais amplo entre Mercosul e União Europeia ainda não foi totalmente ratificado, especialmente no que se refere às cláusulas ambientais. No entanto, a entrada em vigor do pilar comercial reduz a capacidade de países críticos ao acordo de interferirem no curto prazo.

Na prática, isso significa que a redução de tarifas já passa a valer, mesmo sem consenso total dentro do bloco europeu.

Perspectivas para o agro brasileiro

A implementação do acordo inaugura uma nova fase para o comércio entre Brasil e União Europeia, com potencial de ampliar exportações e diversificar mercados. No entanto, o sucesso dessa abertura dependerá diretamente da capacidade do agronegócio brasileiro de atender às exigências regulatórias e fortalecer sua competitividade internacional.

A janela está aberta, mas o avanço efetivo dependerá da adaptação do setor às novas regras do comércio global.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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