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Publicação traz recomendações para a sustentabilidade da cadeia de valor do açaí

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O desafio agora é, portanto, buscar soluções que garantam uma cadeia de produção sustentável e, consequentemente, a manutenção da floresta em pé. Neste cenário, a rede Diálogos Pró-Açaí lança o Caderno de Recomendações para a Cadeia de Valor do Açaí, cujo objetivo é apresentar os principais temas e recomendações relacionados ao setor a partir de abordagens com foco na sustentabilidade ambiental, social e econômica.

A publicação conta com a realização do Instituto Terroá e com o suporte do projeto Bioeconomia e Cadeias de Valor, desenvolvido no âmbito da Cooperação Brasil-Alemanha para o Desenvolvimento Sustentável, por meio da parceria entre o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e a Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH, com apoio do Ministério Federal da Cooperação Econômica e do Desenvolvimento (BMZ) da Alemanha.

O caderno é uma sistematização de anos de eventos e estudos realizados pela rede setorial multi-atores Diálogos Pró-Açaí, criada, em 2018, para promover debates qualificados a favor do fortalecimento e da sustentabilidade da cadeia do açaí. “Para o governo e para o MDA, este espaço de diálogo é muito importante, uma vez que une diversos setores, como as empresas, e principalmente as cooperativas, associações, representações das comunidades e também das instituições de pesquisa. Estes diálogos nos subsidiam para a construção de políticas públicas, de soluções que vêm de todo o setor unido, em prol do açaí”, comenta Tarcila Portugal, coordenadora-geral de Acesso e Conservação de Biomas, Sociobiodiversidades e Bens Comuns do MDA.

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Durante o processo de construção, foram consultados estudos e documentos científicos de maior destaque sobre as temáticas abordadas na publicação. O resultado foi um caderno dividido em temas e subtemas com 436 recomendações voltadas para os atores capazes de concretizar as ações com foco na sustentabilidade da cadeia de valor do açaí.

Empreendimentos comunitários tradicionais, agroextrativistas e artesanais, setor privado, governo, universidades e centros de pesquisa, além de organizações da sociedade civil, são o público-alvo do material, que traz ações indispensáveis para o êxito de práticas como: manejo, cumprimento de legislações sanitárias e industrialização, gestão do empreendimento, governança comunitária, questão fundiária, entre outras.

“A produção do açaí, na contramão do monocultivo, é em sua grande parte agroextrativista. Esse caderno traz recomendações para mantermos a produção do açaí na floresta, com sustentabilidade, agregando valor no mercado nacional e internacional, gerando emprego e renda a partir da conservação”, explica Renata Guerreiro, coordenadora de projetos do Instituto Terroá.

São nove os temas fundamentais abordados pelo caderno: Normas Regulatórias, Direitos Humanos, Assistência Técnica e Extensão Rural, Manejo Florestal Sustentável, Beneficiamento, Comercialização, Organização Social, Pesquisa e Inovação, e Articulação Intersetorial. “O trabalho desenvolvido em cooperação pelo Diálogos Pró-Açaí, do qual resultam as recomendações apresentadas no Caderno, mostra como a transformação nas cadeias de valor da sociobiodiversidade devem passar por processos inclusivos, com foco em promover um desenvolvimento mais justo em todas as etapas produtivas”, ressalta Tatiana Balzon, diretora do projeto Bioeconomia e Cadeias de Valor, da GIZ Brasil.

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Desdobradas em outros 39 subtemas, as temáticas compõem uma abordagem integrada e abrangente, ligadas à uma colaboração estratégica entre diferentes atores. No decorrer do material, são propostas ações para cada um dos agentes envolvidos na cadeia de valor, como o subtema Regularização Tributária, que sugere ao governo uma política de isenção fiscal para produtos agroextrativistas de povos e comunidades tradicionais. Já no tema dos Direitos Humanos, o material aborda ações de combate ao racismo ambiental ao trabalho infantil, enquanto na temática da Comercialização trata-se desde as etapas iniciais da produção até questões como o acesso a crédito rural e políticas públicas.

Fonte: Alter Contúdo

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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