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CST dos Pacientes Oncológicos encerra trabalhos na AL com avanços com relação aos atendimentos

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A Câmara Setorial Temática (CST) dos Pacientes Oncológicos realizou a última reunião e apresentou um balanço sobre os principais avanços conquistados, como a priorização dos pacientes oncológicos no atendimento, realização de biópsias para diagnósticos e atualização do fluxo de acesso do paciente. A partir de agora o Comitê dos Pacientes Oncológicos, liderado pelo Ministério Público do Estado (MPE), vai dar continuidade aos trabalhos de fiscalização e cobrança de implementação de políticas públicas, como a unificação da regulação dos pacientes com câncer.

A presidente da CST e da Associação de Apoio aos Pacientes Oncológicos de Cuiabá (Apoc), Janaína Santana, analisou os trabalhos como “produtivos e com resultados satisfatórios” e afirmou que a CST ajudou na conscientização dos pacientes com relação aos seus direitos. “A Câmara Setorial Temática oportunizou aos pacientes oncológicos saírem da invisibilidade. As pessoas que têm menos condições, geralmente, são as que mais precisam de atenção e muitas vezes não têm conhecimento sobre seus direitos”.

A assessora da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Elizeth Araújo, explicou que os trabalhos da Câmara foram divididos em duas etapas. A primeira, realizada ainda em 2022, identificou as principais demandas trazidas pelos pacientes, consolidou essas informações e encaminhou aos órgãos competentes, o que resultou na criação do Comitê do Ministério Público para discutir o tema.

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“Depois da instalação desse comitê conseguimos discutir e avançar nas propostas para melhorar o atendimento. O documento foi aprovado pela CST e será encaminhado a todos os integrantes do comitê. Outros encaminhamentos são com relação à atualização do Plano Estadual de Atendimento, a regionalização dos atendimentos e a unificação da regulação dos pacientes oncológicos”, afirmou Elizeth Araújo.

A secretária adjunta da Central de Regulação da Secretaria de Estado de Saúde, Fabiana Badi, explicou que a unificação da regulação não depende somente do Estado, uma vez que as prefeituras também fazem gestão e atendimentos. Sobre a atualização do Plano Estadual de Atendimento, Badi explicou que até fevereiro a SES deve entregar o novo documento com números de pacientes e atendimentos por região.

O promotor Milton Mattos, da Promotoria de Saúde, explicou que o Comitê do Ministério Público é fruto de uma decisão judicial que visou somar forças para que as demandas fossem acompanhadas e discutidas com representantes de instituições públicas e da sociedade civil até que os gargalos sejam sanados.

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A médica oncologista Cristina Inocêncio afirmou, durante a reunião de encerramento, que em 30 anos de atuação em Cuiabá, nunca tinha se sentido ouvida e que o trabalho da CST foi fundamental para dar início a uma série de ações que visam garantir o direito de acesso aos serviços de saúde por parte dos pacientes oncológicos. Cristina destacou que, como os tratamentos geralmente são caros, muitas pessoas não conseguem nem mesmo se tratar.

O próximo encontro dos agentes envolvidos será no Comitê dos Pacientes Oncológicos, que tem reunião prevista para fevereiro de 2024.


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Fonte: ALMT – MT

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Audiência pública debate fortalecimento da rede de saúde mental em Mato Grosso

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Foto: Helder Faria

Na tarde desta segunda-feira (18), a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) promoveu audiência pública para discutir a implementação da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e a efetivação da política antimanicomial no estado. O debate, requerido pelo deputado estadual Carlos Avallone (PSDB), foi realizado no Plenário Renê Barbour e fez alusão ao Dia Nacional da Luta Antimanicomial.

A data, dia 18 de maio, marca o movimento nacional em defesa do cuidado em liberdade para pessoas em sofrimento psíquico e reforça os princípios da Reforma Psiquiátrica Brasileira, instituída pela Lei 10.216/2001, conhecida como Lei Paulo Delgado.

Carlos Avallone afirmou que o principal desafio é estruturar a rede de atendimento para garantir que a política antimanicomial funcione de forma efetiva no estado. “Quanto mais a gente melhorar essa atenção, melhor vai funcionar. Não adianta acabar com os hospitais psiquiátricos sem que a rede consiga absorver essas pessoas dentro do sistema necessário”, destacou.

Segundo o parlamentar, a audiência também teve como objetivo discutir gargalos e encaminhamentos para fortalecer a política de saúde mental em Mato Grosso. Entre os pontos debatidos estão a ampliação dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), a qualificação das equipes e a integração da rede para garantir atendimento adequado dos pacientes de saúde mental em qualquer lugar em que ele esteja. “Nós temos recursos para a saúde mental, ainda que não seja muito. O que está faltando é organização para gastar esses recursos”, apontou.

O presidente do Conselho Regional de Psicologia de Mato Grosso, Gabriel Figueiredo, explicou que a Reforma Psiquiátrica mudou o modelo de cuidado em saúde mental no Brasil. “A Lei Paulo Delgado trouxe diretrizes para o cuidado em liberdade e no território. A partir dela, o Brasil passou a enxergar essas pessoas com dignidade e direitos, garantindo reinserção social e acesso à família e ao trabalho”, afirmou.

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Segundo Gabriel, a RAPS foi criada justamente para substituir o modelo manicomial tradicional por serviços territorializados, como CAPS, residências terapêuticas e unidades de acolhimento. Ele ressaltou, no entanto, que a atual capacidade da rede ainda é insuficiente para atender a demanda do estado. “Mato Grosso possui uma pluralidade de povos e territórios que precisam de atenção específica, como indígenas e quilombolas. Ainda temos insuficiência de serviços mesmo nos centros urbanos, principalmente CAPS e unidades de acolhimento”, disse.

O promotor de Justiça Milton Mattos da Silveira Neto afirmou que o Ministério Público vem acompanhando a situação da saúde mental nos últimos anos e apontou avanços na ampliação do financiamento da rede. “Conseguimos um aporte de R$ 88 milhões em quatro anos para melhorar a contrapartida do [Governo do] Estado no financiamento dessas unidades”, explicou. Ele também destacou a necessidade de ampliar o número de profissionais especializados. “Não basta só ter a estrutura física. Se não houver profissionais qualificados, principalmente psiquiatras, o serviço não consegue funcionar plenamente”, disse.

Já o presidente da Associação Mato-Grossense de Psiquiatria, Paulo Saldanha, afirmou que a psiquiatria historicamente apoia o cuidado humanizado em saúde mental, mas alertou para a dificuldade de contratação de profissionais devido à baixa remuneração oferecida na rede pública. Segundo ele, um recente processo seletivo em Cuiabá ofertou salário de R$ 5,9 mil para médicos psiquiatras com carga horária de 20 horas semanais, valor muito abaixo dos pisos nacionais da categoria.

“A grande maioria dos psiquiatras do Brasil foi formada e fez sua especialização no SUS. Por que não podemos trabalhar onde fomos formados? Por que não podemos contribuir para isso?”, questionou.

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Representando a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES/MT), a enfermeira e Coordenadora de Organização das Redes de Atenção à Saúde (CORAS), Daniely Beatrice, participou da audiência e destacou que, embora a saúde mental seja tratada de forma transversal integrando diferentes linhas de cuidado, a ausência de uma coordenação estadual exclusiva e a limitação da equipe técnica representam grandes desafios estruturais.

Beatrice explicou que o estado possui atualmente 55 centros de atenção psicossocial (CAPS), mas necessita de mais 30 para atingir a meta populacional, um cenário complexo devido ao grande número de municípios com menos de 15 mil habitantes. Segundo ela, para preencher essa lacuna, a gestão investe na qualificação da Atenção Primária, tendo já capacitado 80 profissionais para o manejo de transtornos mentais baseado nas diretrizes da OMS.

A coordenadora sinalizou que a principal meta técnica para este ano é a implantação de leitos específicos de saúde mental em Hospitais Gerais e Regionais, desmistificando o atendimento de crise e consolidando os princípios da luta antimanicomial por meio do acesso qualificado em toda a rede. Ela ainda garantiu que levaria as demandas apresentadas para o poder executivo, garantindo que há orçamento e vontade para viabilizar ações.

Durante a audiência, representantes de órgãos públicos, entidades de saúde e movimentos sociais também discutiram estratégias para fortalecer a RAPS, ampliar o atendimento em saúde mental e garantir a reinserção social das pessoas em sofrimento psíquico no estado. Carlos Avallone também é presidente da Câmara Setorial Temática (CST) de Atenção Psicossocial da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). O organismo realiza reuniões para tratar das demandas desse setor.

Fonte: ALMT – MT

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