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Hidrogênio verde pode competir com óleo no Brasil (e sem subsídios), diz presidente da Fortescue

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Em conversa com a imprensa em visita ao Brasil, defendeu ser justa a expectativa em torno de um energético com menor impacto ambiental que não onere o consumidor.

O executivo da companhia australiana esteve em Brasília (DF), nesta quinta (9/11), para um encontro com o presidente Lula (PT) e o ministro da Casa Civil, Rui Costa.

“Espera-se que nós possamos competir imediatamente com o óleo e o gás, o que é justo, porque o custo de vida é muito importante. Mas também vamos lembrar a história. A indústria de óleo e gás começou cerca de 200 anos atrás e consumiu bilhões de dólares de subsídios. Hoje, o barril de petróleo custa menos de US$ 100, mas começou a US$ 1.600”.

Forrest observa, no entanto, que o caso do hidrogênio é diferente. Como a eletricidade representa a maior parte dos custos de produção do H2, a oferta de solar e eólica a preços baixos dá ao Brasil condições de competir com a indústria fóssil desde o começo.

“Se você combina um sol barato, um vento barato, com amônia verde e hidrogênio verde, o conjunto é significativamente mais barato do que queimar óleo e gás. Então, estou empolgado com a possibilidade de competir com o setor de combustíveis fósseis direto”, disse à agência epbr.

Além disso, o executivo acredita que o mercado será a principal influência sobre o preço e o tipo de hidrogênio que será consumido.

“Há as economias que demandam o hidrogênio verde. Coreia do Sul, Alemanha, Japão, a maior parte da Europa, América do Norte. Há demanda, só precisa de alguém para fazer”.

Subsidiária da mineradora australiana Fortescue Metals Group, a Fortescue Future Industries (FFI) está construindo um portfólio global de projetos de hidrogênio e amônia verde para produzir 15 milhões de toneladas por ano até 2030, aumentando para 50 milhões de toneladas por ano na década seguinte.

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No Brasil, o primeiro projeto está em fase de pré-contrato no Porto do Pecém, no Ceará. Com investimentos de US$ 5 bilhões, o empreendimento terá capacidade de produzir 837 toneladas de hidrogênio verde por dia a partir do consumo de 2.100 MW de energia renovável.

Na semana passada, o grupo recebeu a aprovação do seu Estudo de Impacto Ambiental (EIA), o que permite o avanço do projeto para as próximas fases.

“Não precisamos de subsídios”

Questionado sobre a necessidade de subsídios, Forrest disse que o governo pode ajudar de outras maneiras, como apoio à infraestrutura, entendendo que a indústria do hidrogênio pode ser um multiplicador na economia.

“Não precisamos de subsídios [diretos], mas é preciso infraestrutura disponível para que essa indústria avance”, comentou.

“Nos Estados Unidos, a Lei de Redução da Inflação (IRA, em inglês) é considerada um pacote de subsídios. Eu fui parte do grupo que argumentou com o presidente Joe Biden que, se isso começasse a se pagar a cada 3 a 5 anos, não é mais um subsídio, é um investimento”.

No caso do Brasil, o executivo classificou a inclusão do hidrogênio verde na reforma tributária com um sinal positivo.

“Eu me sinto confiante que o governo consiga aprovar uma regulação para essa indústria. Eles são incentivados a fazer isso porque a indústria verde é considerada a maior indústria futurista do mundo”.

Descarbonização da indústria brasileira

Insumo para descarbonizar diferentes cadeias produtivas — agricultura (fertilizantes), mineração, produção de aço e fabricação de cimento — o hidrogênio verde é apontado como estratégico nos planos do governo brasileiro para a neoindustrialização.

Mas a abundância de recursos renováveis do país está atraindo, principalmente, investidores estrangeiros interessados na exportação de energia na forma de combustíveis, como amônia e metanol.

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A estratégia da Fortescue é combinar as duas possibilidades. Os planos incluem a transformação em amônia para exportação, mas segundo Forrest, a prioridade será abastecer a indústria local.

“Vamos olhar para a indústria brasileira primeiro. Em seguida, a exportação. O Brasil queima centenas de bilhões de dólares por ano importando fertilizantes da Rússia. Nós podemos converter eletricidade excedente em hidrogênio e amônia e em fertilizantes”, afirma o executivo.

Transformação na indústria pesada

Para Forrest, a indústria pesada precisa assumir sua responsabilidade na emissão de gases de efeito estufa e impacto sobre o clima, e agir mais rápido para mudar a forma de produção baseada em combustíveis fósseis para alternativas mais amigáveis ao planeta.

“[A crise climática] não é culpa do público. Não é culpa das pessoas nas ruas. Isso é culpa da indústria pesada. Nós devemos entregar aço, ferro e energia sem fazer mal para o nosso planeta”.

Ele conta que, na Austrália, está trabalhando com a brasileira Vale para pressionar outras grandes mineradoras a abandonar os combustíveis fósseis.

As operações da Fortescue Metals na Austrália utilizam uma grande frota de veículos leves e pesados, e alguns dos maiores trens e navios do mundo para transportar minério e está fazendo a transição dessa malha para combustíveis renováveis, hidrogênio e eletrificação.

O objetivo é substituir toda a demanda por fósseis em cinco anos.

“Não é em 2050. É em cinco anos. Se nós podemos parar com os combustíveis fósseis, eles também podem”, defende Forrest.

Fonte: Agência epbr

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Milho no RS entra na reta final da colheita com produtividade acima de 7,4 t/ha

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Mercado Externo

O cenário internacional para o milho segue marcado por volatilidade, com atenção às safras da América do Sul e ao ritmo das exportações dos Estados Unidos. A evolução da colheita no Sul do Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul, contribui para a oferta global, ainda que em menor escala frente ao Centro-Oeste. A regularidade climática recente no Estado ajuda a sustentar expectativas positivas de produtividade, fator que pode influenciar o equilíbrio global de oferta.

Mercado Interno

A colheita do milho no Rio Grande do Sul se aproxima da conclusão, atingindo 90% dos 803.019 hectares cultivados na safra 2025/26, conforme a Emater/RS-Ascar. O avanço foi mais lento na última semana devido às chuvas, principalmente na Metade Sul, que elevaram a umidade dos grãos e dificultaram a operação de máquinas.

As áreas restantes correspondem a lavouras implantadas fora da janela ideal, ainda em fases reprodutivas ou de enchimento de grãos. As precipitações recorrentes desde março favoreceram o desenvolvimento dessas áreas, consolidando o potencial produtivo.

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No milho destinado à silagem, a colheita também está praticamente concluída, alcançando 87% da área. No entanto, a umidade elevada tem prejudicado o processo de ensilagem, podendo impactar a qualidade da fermentação.

Preços

Os preços do milho no mercado interno tendem a refletir o avanço da colheita e a qualidade do produto. A elevada umidade dos grãos em algumas regiões pode gerar descontos na comercialização, além de aumentar os custos com secagem. Por outro lado, a produtividade consistente no Estado ajuda a equilibrar a oferta regional.

Indicadores
  • Área cultivada (milho grão): 803.019 hectares
  • Área colhida: 90%
  • Produtividade média: 7.424 kg/ha
Produção estimada: 5,96 milhões de toneladas
  • Milho silagem:
    • Área: 345.299 hectares
    • Colheita: 87%
    • Produtividade média: 37.840 kg/ha
  • Soja (RS):
    • Área cultivada: 6,62 milhões de hectares
    • Colheita: 68%
    • Produtividade média: 2.871 kg/ha
  • Feijão 1ª safra:
    • Área: 23.029 hectares
    • Produtividade média: 1.781 kg/ha
  • Feijão 2ª safra:
    • Área: 11.690 hectares
    • Produtividade média: 1.401 kg/ha
  • Arroz irrigado:
    • Área: 891.908 hectares
    • Colheita: 88%
    • Produtividade média: 8.744 kg/ha
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Análise

A reta final da colheita do milho no Rio Grande do Sul confirma uma safra tecnicamente positiva, sustentada por produtividade acima da média histórica. No entanto, o excesso de chuvas no período final impõe desafios logísticos e pode afetar a qualidade dos grãos, exigindo maior gestão pós-colheita.

O cenário climático também impacta outras culturas relevantes no Estado. A soja avança de forma mais lenta, com grande variabilidade produtiva devido ao regime irregular de chuvas ao longo do ciclo. Já o arroz mantém bom desempenho, enquanto o feijão evidencia forte dependência de irrigação para alcançar melhores rendimentos.

No curto prazo, o produtor gaúcho segue atento às condições climáticas para concluir a colheita e preservar a qualidade da produção, fator determinante para a rentabilidade em um ambiente de margens mais apertadas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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