AGRONEGÓCIO
Os desafios das potências da América do Sul no agronegócio global
Publicado em
7 de novembro de 2023por
Da RedaçãoNesse contexto, países como Argentina, Brasil, Chile e Peru têm um papel importante e estão ganhando destaque no setor. Enquanto os dois primeiros se destacam no mercado global de commodities, com foco em produtos como soja, milho, trigo e proteína animal, o Chile e o Peru se diferenciam pela capacidade de cultivar produtos com maior valor agregado.
Atualmente, a Argentina é a maior exportadora global de farelo de soja e a terceira maior de milho do mundo, além de ser um importante player nos setores de carne bovina e trigo. Já o Brasil é um dos principais produtores e exportadores de commodities agrícolas do mundo, e o setor é responsável por 25% do Produto Interno Bruto nacional.
O Chile é reconhecido pela produção de salmão e vinhos de alta qualidade, além de frutas frescas e castanhas. O Peru tem se destacado pela oferta de frutas tropicais na entressafra global e pela relevante indústria pesqueira. Essas diferenciações permitem que estes países explorem nichos com retornos econômicos significativos e alimentos com grande importância nutricional (“superfoods”). A estratégia também reduz a dependência de commodities agrícolas tradicionais, tornando as economias desses países mais resilientes às flutuações de preços e às pressões competitivas.
Embora o agronegócio seja relevante para a economia desses países, é importante considerar os desafios a serem enfrentados, como os efeitos negativos das mudanças climáticas, desastres naturais, questões políticas e sociais, e oscilações nos preços das commodities. Além disso, as flutuações nos mercados internacionais e as barreiras comerciais também podem afetar o comércio da região, criando obstáculos para os exportadores.
No Brasil, um dos principais assuntos em discussão hoje é a reforma tributária, medida que visa modernizar a arrecadação de impostos no país e favorecer a competitividade entre as empresas. Os impactos para o agronegócio ainda não estão claramente definidos, mas o setor está atento à possível alta nos alimentos e os desdobramentos para toda a cadeia produtiva. Com uma área plantada em expansão, em 2023 o Brasil colheu uma safra recorde de soja e milho, considerando um aumento de 40 milhões de toneladas se comparado com a safra anterior, de 2021/22, o que resulta em um desafio em termos de custos logísticos elevados para o produtor brasileiro, considerando armazenamento, carregamento, transporte e exportação. Outro aspecto fundamental é a supressão do desmatamento ilegal, que afeta a imagem do país perante os nossos “clientes”, os consumidores globais para os quais exportamos.
Os eventos extremos advindos das mudanças climáticas que impactam o agronegócio, que por sua vez tem uma parcela significativa no PIB dos países da América do Sul, são fatores extremamente relevantes. No Peru, o El Niño aquece a água do mar e afeta a vida marinha da região, impactando a indústria pesqueira. No Chile e Argentina o La Niña pode resultar em secas severas prejudiciais aos cultivos de ambos os países. No Cerrado Brasileiro, cujo atual regime de chuva viabiliza duas ou até três safras, e é dependente da floresta tropical densa da Amazônia, também pode ser seriamente afetado com o aumento das temperaturas médias globais.
A agenda de sustentabilidade ambiental e social também é um desafio comum entre os países para gerenciar seus impactos. No entanto, vimos na última década, uma evolução significativa na forma como as empresas e os produtores exploram o tema, a partir da mudança de paradigma, com a implementação de tecnologias e com novas gerações trazendo visões diversas ao negócio. Com isso, a sustentabilidade passa a ser uma área cada vez mais estratégica, impulsionada pela conscientização e produção sustentável, que faz com que as empresas implementem mudanças reais em suas operações, visando oportunidades de negócio a longo prazo. Ou seja, a tradicional equação do risco e retorno incorporou a sustentabilidade do negócio como terceiro fator!
Nesse cenário, é importante ressaltar as medidas positivas que têm sido adotadas. Produtores têm investido em agricultura regenerativa, abordagem que combina técnicas agrícolas tradicionais com inovações modernas para melhorar a saúde do solo, além de aumentar a biodiversidade e sequestrar carbono da atmosfera. Com isso, todo o sistema agrícola passa a ser mais produtivo e sustentável, com o benefício da mitigação dos efeitos negativos das mudanças climáticas. Os países têm buscado investimentos em tecnologia e inovação para aumentar a eficiência produtiva e reduzir os impactos de suas operações. Além disso, a atual busca de adequação de legislações sociais e ambientais robustas e regulamentações adequadas aos desafios tem sido fundamental. As parcerias com instituições governamentais, privadas e a sociedade civil também são essenciais para promover projetos de conservação e incentivo à agricultura de baixo carbono. Por outro lado, o mercado de carbono precisa amadurecer mais rapidamente na região para contribuir com o processo de conservação, restauração e redução das emissões de gases de efeito estufa.
Esses aspectos demonstram a necessidade do compromisso conjunto da cadeia do Agro e é essencial reconhecer e divulgar as ações positivas. Dessa forma, a ideia da integração do agronegócio na América do Sul oferece sinergia entre as expertises e visões diferentes de cada local, além de fortalecer a relevância global da região. A partir dessa troca, é possível construir um portfólio de soluções mais estável e diversificado, proporcionando conexões que geram negócios, impulsionando o desenvolvimento do setor e fomentando a sustentabilidade e o crescimento do agronegócio nesses países exportadores, favorecendo suas economias locais.
Vivemos uma nova era do agronegócio, onde a atualização da estratégia do setor e a comunicação de forma coordenada se faz necessário para que essas iniciativas sejam reforçadas, disseminadas e contribuam com o reconhecimento do Brasil e da América do Sul como fundamentais não só para segurança alimentar global, mas também como produtores sustentáveis. Com estratégia e comunicação organizadas para lidar com os desafios, poderemos ter a escuta que o Agronegócio desta região merece nos principais fóruns internacionais que discutem o futuro comercial, as regulamentações sobre cadeias produtivas, e ações para conter o impacto climático global.
Por Fabiana Alves, CEO do Rabobank Brasil e Head para a América do Sul
Fonte: Rabobank
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Exportações de algodão do Brasil batem recorde em junho com embarques de 217 mil toneladas
Published
4 horas agoon
7 de julho de 2026By
Da Redação
As exportações brasileiras de algodão registraram desempenho histórico em junho de 2026, alcançando o maior volume já embarcado para o mês. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Brasil exportou 217 mil toneladas da fibra, avanço de 63,4% em relação a junho de 2025.
Em receita, os embarques movimentaram US$ 350,6 milhões, crescimento de 64,1% na comparação anual, reforçando a competitividade do algodão brasileiro e a expansão da presença nacional em mercados estratégicos.
De acordo com a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), o resultado confirma o ritmo elevado das vendas externas e fortalece a posição do Brasil como um dos principais fornecedores globais da fibra.
Algodão brasileiro encerra safra 2025/26 com desempenho histórico
O recorde registrado em junho encerra um ciclo comercial marcado por forte desempenho exportador. A temporada 2025/26, considerada pelo setor entre julho de 2025 e junho de 2026, apresentou volumes expressivos mesmo diante de um início de safra mais lento.
Segundo a Anea, o Brasil registrou recordes mensais de exportação em sete dos 12 meses da temporada, incluindo:
- outubro;
- novembro;
- dezembro;
- março;
- abril;
- maio;
- junho.
Para o presidente da entidade, Dawid Wajs, o resultado demonstra a capacidade do país em manter a regularidade dos embarques e ampliar sua participação internacional.
“Apesar de um início de safra mais lento, o Brasil conseguiu manter volumes elevados ao longo do período e registrar recordes mensais de exportação em diversos meses”, destaca.
Ásia concentra principais compradores do algodão brasileiro
Os mercados asiáticos continuam como principais destinos da fibra nacional. Em junho, Bangladesh, Turquia, Paquistão e Vietnã responderam juntos por 71,1% dos embarques brasileiros.
A distribuição das exportações no mês ficou concentrada nos seguintes países:
- Bangladesh: 21,7% das compras;
- Turquia: 17,7%;
- Paquistão: 17,4%;
- Vietnã: 14,3%;
- Indonésia: 7,6%;
- China: 6,3%;
- Índia: 6,3%.
Também participaram da pauta compradores como Malásia, Egito, Coreia do Sul, Tailândia, Maurício e Japão.
Bangladesh e Turquia ampliam participação no algodão brasileiro
Segundo a Anea, alguns mercados apresentaram crescimento histórico durante a temporada.
Bangladesh alcançou o maior volume já importado do algodão brasileiro, consolidando-se como principal destino da fibra em junho. A Turquia também registrou avanço significativo e manteve trajetória de crescimento nas compras brasileiras.
Outro destaque foi a Índia, que mais que dobrou o maior volume histórico adquirido anteriormente, reforçando sua importância estratégica para o setor exportador.
“A Índia teve um desempenho muito expressivo, mais do que dobrando o maior volume que já havia importado do algodão brasileiro”, afirma Dawid Wajs.
Brasil amplia presença no mercado global de algodão
Com o desempenho de junho, o algodão representou 0,97% das exportações totais brasileiras no mês, ocupando a 17ª posição entre os principais produtos exportados pelo país.
Dentro do agronegócio, a fibra respondeu por 4,31% das vendas externas do setor, ficando na terceira colocação entre os produtos agropecuários mais exportados no período.
O resultado reforça o papel estratégico do algodão brasileiro na geração de divisas e na consolidação do país como fornecedor confiável para a indústria têxtil mundial.
China mantém posição estratégica para o algodão brasileiro
Embora a China não tenha registrado recorde de compras na temporada, o mercado permaneceu relevante para o Brasil.
Segundo a Anea, o volume exportado ao país asiático foi o segundo maior da série histórica, mantendo a presença brasileira em um dos maiores consumidores mundiais da fibra.
A Indonésia também manteve estabilidade nos volumes importados, enquanto Egito, Malásia e Coreia do Sul permaneceram como compradores tradicionais.
O Vietnã apresentou redução em relação a períodos anteriores, mas ainda manteve volumes considerados elevados pelo setor.
Diversificação logística fortalece exportações de algodão
Além do crescimento da demanda internacional, o setor destaca a evolução da infraestrutura logística para o escoamento da fibra brasileira.
O Porto de Santos continua como principal rota de exportação do algodão nacional, mas outros terminais vêm ampliando participação, especialmente o Porto de Salvador, que ganhou relevância nos últimos anos.
Também tiveram participação no embarque da fibra os portos de:
- São Francisco do Sul;
- Paranaguá;
- Itaguaí;
- Itajaí;
- Rio de Janeiro.
Segundo a Anea, a diversificação das rotas contribui para maior eficiência logística e reduz a dependência de um único corredor de exportação.
Algodão brasileiro ganha competitividade no comércio internacional
O recorde de exportações em junho reforça a evolução da cadeia produtiva do algodão no Brasil, marcada pelo aumento da produtividade, qualidade da fibra e ampliação dos mercados compradores.
Com maior presença na Ásia e no Oriente Médio, o país consolida sua posição entre os principais exportadores mundiais e demonstra capacidade de atender à demanda internacional com regularidade e escala.
O cenário positivo para os embarques também fortalece produtores, tradings, cooperativas e toda a cadeia ligada à cotonicultura brasileira.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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