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Indicador do boi gordo CEPEA/B3: instrumento consolidado de reduções de incerteza e oportunismo de mercado

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Organização e melhoramento na gestão das propriedades por parte dos pecuaristas já foram notados em um passado mais recente. Muitas vezes, pressionados por mercados externos exigentes, sobretudo o europeu, frigoríficos e produtores enfrentam alguns desafios, mas os processos de organização dentro e fora da porteira vêm contribuindo para a melhora na produção e na comercialização e, consequentemente, para a busca de eficiência e rentabilidade no conjunto da cadeia produtiva, com preços competitivos e adequados para produtores, indústria e consumidores.

Desde o meio da década de 1990 e o início deste século 21, alguns fatores contribuíram para uma rápida mudança no ambiente organizacional e produtivo da pecuária, sendo um deles a criação do Indicador do boi gordo CEPEA/B3.

A necessidade de se definir um valor para a liquidação financeira de cada contrato de boi gordo negociado na então Bolsa de Mercadorias & Futuros brasileira, atual B3, levou a Bolsa a firmar parceria com o Cepea-Esalq/USP, em outubro de 1993. Era preciso criar um Indicador de Preços de alta credibilidade, e a elaboração se deu a partir de intenso envolvimento de pesquisadores do Cepea com operadores de diferentes elos do mercado físico e com técnicos da Bolsa.

Então, em março de 1994, o mercado passou a contar com o Indicador do Boi Gordo, que vem sendo divulgado em todos os dias comerciais de forma ininterrupta nestes últimos quase 30 anos. Em um país continental como o Brasil, que detém o maior rebanho comercial do mundo e é o maior exportador de carne bovina, ter um Indicador de preços é de extrema importância, à medida que este torna-se referência de governança mercadológica, reduzindo incerteza e custos de informações para agentes do setor.

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Desse modo, debruçado na Teoria Econômica, para entender um sistema de coordenação, no caso de um Indicador de preços com liquidação financeira, é necessário conhecer as relações existentes entre agentes da cadeia produtiva, desde a realização da produção até a comercialização.

As características do uso de um Indicador são justificadas pela intensa relação entre agentes e a necessária coordenação de suas atividades produtivas, diante de cenários de elevada incerteza e de possibilidade de oportunismo.

Para entender o comportamento dos agentes envolvidos nas transações, os pressupostos básicos relacionados à Economia dos Custos de Transação num ambiente incerto são: a) a racionalidade restrita, assumindo que os indivíduos agem racionalmente, mas de forma limitada – assim, a obtenção de informações e a capacidade de processamento dessas informações são limitadas, o que torna as relações entre agentes incompletas, levando-os a incluir salvaguardas contratuais; e b) oportunismo, em que cada parte extrai as suas respectivas “quase-rendas” (quasi-rents) da outra parte. Há também a existência de incertezas em uma negociação.

Esse fator pode apresentar problemas devido às discrepâncias inesperadas das transações e às dimensões necessárias para as estruturas de monitoramento e controle. Se as estruturas forem excessivamente grandes, acabam sendo onerosas. Sendo assim, a incerteza comportamental (behavioral uncertainty), como resultado da utilização oportunista, traduz certa influência sobre as formas organizacionais para amenizar as disparidades e reduzir os custos de transação.

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A incerteza num ambiente de negociação de boi gordo torna-se importante para apresentar o comportamento do produtor e da indústria. O principal fator de incerteza nessa relação é o preço recebido pelos produtores. Nesse sentido, o uso de um Indicador de preços se torna importante para diminuir essa incerteza.

Nesses últimos 30 anos, em várias análises estatísticas e econométricas, entre elas de transmissão de preços, nota-se relação direta e significativa entre o Indicador CEPEA/B3 (que tem como base o estado de São Paulo) e as demais 28 regiões espalhadas em 11 estados brasileiros.

Tais análises apontam que a transmissão do Indicador para as demais praças tem intensidade bem próxima de 1. Fica evidente que, quanto mais organizadas as localidades e sua posição regional, maior é a intensidade de transmissão de preço. A intensidade nos coeficientes de elasticidade de transmissão observada do Indicador para as regiões mostra que, no máximo no período de três dias, a região incorpora as variações do Indicador.

Isso sinaliza que o mercado de boi gordo nacional assimilou a ideia de um Indicador financeiro como referencial de preços, reduzindo incerteza e custos de informações para os agentes do setor de outras localidades em sua tomada de decisão. A ampla divulgação do Indicador é, assim, de suma importância para democratizar as informações mercado, reduzindo suas assimetrias e o espaço para o oportunismo.

Thiago Bernardino de Carvalho – Pesquisador do Cepea

Fonte: CEPEA

Fonte: Portal do Agronegócio

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Raízen reduz moagem de cana em quase 10% na safra 2025/26, mas amplia produção de açúcar e etanol de segunda geração

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A Raízen, uma das maiores produtoras de açúcar, etanol e bioenergia do mundo, encerrou a safra 2025/26 (abril de 2025 a março de 2026) com uma moagem de 70,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, volume 9,8% inferior ao registrado no ciclo anterior, quando foram processadas 78,2 milhões de toneladas.

Segundo a companhia, o desempenho foi impactado principalmente pelas condições climáticas adversas ao longo da safra, que reduziram a disponibilidade de matéria-prima e afetaram a produtividade agrícola dos canaviais. Além dos efeitos do clima, decisões estratégicas relacionadas à otimização dos ativos industriais também contribuíram para a retração do volume processado.

Clima reduziu oferta de cana

Em comunicado ao mercado, a Raízen informou que a principal razão para a queda da moagem foi o impacto das condições climáticas registradas durante o ano-safra.

A empresa estima que a menor produtividade agrícola provocou uma redução de aproximadamente 900 mil toneladas de cana disponível para processamento, refletindo os desafios enfrentados pelos canaviais em diferentes regiões produtoras.

A menor oferta de matéria-prima confirma os efeitos das adversidades climáticas sobre o setor sucroenergético brasileiro, que também atingiram outros produtores ao longo da temporada.

Estratégia operacional também reduziu o volume processado

Além do clima, a Raízen destacou que parte da redução da moagem decorreu de decisões estratégicas voltadas à otimização do portfólio de ativos.

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Entre as medidas adotadas estão:

  • venda de aproximadamente 2 milhões de toneladas de cana-de-açúcar;
  • hibernação da usina MB, paralisada desde novembro de 2024 e sem operação durante a safra 2025/26;
  • hibernação da usina Santa Elisa, que interrompeu as atividades em julho de 2025.

De acordo com a companhia, desconsiderando esses efeitos extraordinários, a moagem teria alcançado 69,2 milhões de toneladas, o que representaria uma retração mais moderada, de 3,9% em relação à safra anterior.

Mix priorizou açúcar para aumentar rentabilidade

Mesmo diante da menor moagem, a Raízen manteve sua estratégia de direcionar uma parcela maior da cana para a fabricação de açúcar, aproveitando as condições mais favoráveis do mercado internacional.

Na safra 2025/26, o mix de produção ficou em:

  • 53% destinado ao açúcar
  • 47% destinado ao etanol

No ciclo anterior, a divisão havia sido equilibrada, com 50% para açúcar e 50% para etanol.

Segundo a companhia, a alteração do mix acompanhou sua estratégia de maximização de rentabilidade, sustentada pelos preços previamente fixados para o açúcar e pela qualidade da matéria-prima disponível durante a safra.

Produção de etanol de segunda geração avança

Outro destaque apresentado pela empresa foi a evolução da produção de etanol de segunda geração (E2G).

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A Raízen informou que os volumes produzidos cresceram na comparação anual, impulsionados pela estabilização operacional das unidades de:

  • Bonfim;
  • Univalem;
  • Barra.

O desempenho dessas plantas reforça a estratégia da companhia de ampliar a produção de biocombustíveis de maior valor agregado, utilizando resíduos da cana-de-açúcar como matéria-prima e contribuindo para a expansão da oferta de combustíveis renováveis de baixa emissão de carbono.

Perspectivas para o setor sucroenergético

O resultado da safra 2025/26 evidencia os desafios enfrentados pelo setor sucroenergético brasileiro diante das oscilações climáticas, que vêm afetando a produtividade dos canaviais em diversas regiões do país.

Ao mesmo tempo, a decisão da Raízen de ampliar a participação do açúcar no mix de produção demonstra a busca por maior rentabilidade em um cenário de preços internacionais mais atrativos, enquanto os investimentos em etanol de segunda geração reforçam a estratégia de diversificação e fortalecimento da matriz de biocombustíveis.

Mesmo com a redução na moagem, a companhia mantém o foco na eficiência operacional, na otimização de ativos industriais e na expansão de tecnologias voltadas à produção de energia renovável, consolidando sua posição entre as principais empresas do agronegócio e do setor sucroenergético brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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