AGRONEGÓCIO
Tecnologia e cooperativismo impulsionam o mercado de grãos e sementes
Publicado em
26 de outubro de 2023por
Da RedaçãoO modelo de comercialização de grãos vem passando por profunda transformação com a digitalização dos fluxos comerciais e a intercooperação está exercendo papel fundamental para otimizar recursos e aproveitar oportunidades entre as participantes da plataforma, fortalecendo o movimento cooperativo. Para discutir o assunto e gerar oportunidades, foi realizado, no dia 23 de outubro, o 1° Workshop de Grãos & Sementes, no Grand Mercure Curitiba Rayon, na capital paranaense. A iniciativa, da Agtech Supercampo, reuniu líderes de diversas cooperativas.
A Supercampo é um hub de digitalização, sendo a maior iniciativa intercooperativista do agro brasileiro e tem como uma das áreas de atuação uma central de compra e venda de commodities, a Supercampo Sementes. Vale ressaltar que a semente é o principal ativo comprado pelo agricultor. “Sabemos que o mercado de sementes tem grandes players no Brasil e a Supercampo foi pensada para otimizar a malha logística, frete e ocupação, facilitando a compra, venda e troca de grãos, sementes, defensivos e fertilizantes, tudo isso com a taxa de corretagem mais baixa do mercado”, afirma Diego Zardo, Head Comercial & Operações da Supercampo.
Um dos palestrantes convidados, Lars Schobinger, Fundador e CEO na Blink, abordou o mercado de sementes e reforçou o fato do produtor estar ávido para adotar tecnologia. “A nova geração de produtores é muito pragmática. Quer otimizar o digital, com foco em planejamento e soluções orientadas ao rendimento”, afirma.
Ronald Koch, Gerente de Plataforma e Produto da Supercampo, palestrou sobre “O Futuro é tech: I.A. no agro”. “A Supercampo não pode ser simplesmente uma empresa de tecnologia, temos que ter diferenciais e, entre eles, estão o C2F, IA, API e App offline. O conceito C2F (“Cooperative to Farmer” – cooperativa para o agricultor), por exemplo, é um modelo de negócios nem totalmente B2C, nem totalmente B2B que foi aplicado nas nossas plataformas”, conta. Além disso, está em fase de testes um App offline da Supercampo. “O normal é ter um aplicativo conectado à internet. O nosso não vai precisar estar para ser operado. Basta que antes que o vendedor saia para atender o cliente, faça a sincronização. O APP busca todo o estoque e a cartela de clientes e a plataforma vai operar 100% offiline”, complementou. “Estamos prontos para desenvolver qualquer tipo de negócio. Vale ressaltar que também usamos a inteligência artificial para analisar dados, confrontar informações, saindo um pouco da planilha de Excel”, diz Koch.
Já Sarah Dare, Head da área de pesquisa e inteligência de mercado da CERES Agroconsulting, abordou as “Perspectivas para os Grãos em 2024”. Segundo ela, o grande desafio do mundo pós-pandemia é a inflação. Atrelado a isso, a oferta ainda é limitada por questões de guerra, gargalos logísticos e problemas climáticos. “Por outro lado, o Brasil tem um papel importante e está surpreendendo este ano. Há superávit na balança comercial, puxado pelo setor agropecuário. Mas, quanto ao padrão climático, as previsões são de 60% de probabilidade de acontecimento do El Nino até maio de 2024 e, além disso, as chuvas excessivas em grande parte da região do Sul podem influenciar os preços”.
Sibelle de Andrade Silva, Assessora da Presidência da Embrapa, foi convidada a falar da “Transformação sustentável potencializada pelo digital”. Ela apresentou as megatendências para a agricultura, entre elas, sustentabilidade, adaptação à mudança do clima, agrodigital, intensificação tecnológica e concentração da produção, biorrevolução, transformações rápidas no consumo e na agregação de valor, integração de conhecimento e de tecnologias e incremento da governança de riscos. “Dados da McKinsey de 2022 apresentados à Embrapa mostram que 71% dos agricultores usam o digital em sua jornada de compras. Há preferência por interações digitais; a maioria usa mix presencial e digital e tem crescido o uso de marketplaces para compras”, apresentou.
Leandro Carvalho, CEO da Supercampo, reforçou como a Agtech tem se tornado um braço das cooperativas, não apenas das 12 sócias, mas também de outras que precisam ser digitalizadas. “Somos uma central de desenvolvimento tecnológico e criamos plataformas flexíveis às diversas necessidades, automatizando processos, e, como um hub, espelhando produtos das cooperativas em multicanais, gerando dados e ampliando as vendas”, reforçou.
A Supercampo é formada por 12 das 20 maiores cooperativas agro brasileiras, sendo elas: Agrária, Alfa, Capal, Castrolanda, Coopertradição, Copacol, Copercampos, Coplacana, Cotrijal, Frísia, Integrada e Lar, com o intuito de conectar o produtor rural com as melhores oportunidades de negócios em ambientes digitais.
Fonte: RS Comunicação
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja
Published
15 minutos agoon
15 de outubro de 2026By
Da Redação
A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.
A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.
O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui
Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.
A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.
Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br
Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.
O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.
Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.
Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.
Isan Rezende
Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.
O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.
“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.
“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.
Fonte: Pensar Agro
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