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Grupo de Fiscalização do Sistema Carcerário de Mato Grosso visita Cadeia Pública de Barra do Garças

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O Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo de Mato Grosso (GMF/MT) inspecionou na quarta-feira (18 de outubro) a Cadeia Pública da Comarca de Barra do Garças.
 
A unidade prisional localizada no centro do município oferece diversas atividades de ressocialização relacionadas à leitura, ao estudo e ao trabalho às pessoas privadas de liberdade, como serigrafia, oficina de costura e artesanato, além de parcerias com prefeituras da região.
 
O supervisor do GMF, desembargador Orlando de Almeida Perri, destacou os atendimentos oferecidos aos recuperandos no cumprimento da pena. “A unidade de Barra do Garças, mesmo com uma estrutura limitada consegue oferecer dignidade aos reeducandos, com atendimento médico, odontológico e atividades de remição. Isso é muito importante para a ressocialização dos que estão aqui cumprindo pena e que querem uma oportunidade.”
 
Para o juiz da Vara de Execução Penal da Comarca de Barra do Garças, Douglas Bernardes Romão, o trabalho realizado é um grande esforço para inserir valores e tornar o cumprimento da pena mais humanista.
 
“Estamos criando condições para que a execução penal facilite a vida social e minimize a reincidência ou a prática de crimes. A ferramenta de entrega da dignidade, do trabalho remunerado, será um fator decisivo para que as conquistas que estão sendo consolidadas hoje sejam ainda mais amplas no futuro.”
 
Estrutura – A unidade carcerária possui 261 recuperandos, destes, 30 participam de atividades de estudo, 130 fazem remição pela leitura, 15 trabalham extramuro e 16 intramuro.
 
Reunião com prefeitos – Durante a visita a unidade, o líder do GMF se reuniu com os gestores municipais de Barra do Garças e Pontal do Araguaia para observar as parcerias realizadas com o Judiciário mato-grossense e o Governo Estadual por meio da Fundação Nova Chance (Funac).
 
“Estamos trabalhando para aumentar ainda mais a parceria com os municípios e o empresariado. Queremos ampliar a contratação da mão de obra de pessoas privadas de liberdade. Empregabilidade, leitura e o estudo, com a oferta de cursos profissionalizantes, são formas inteligentes de ressocialização, para reinserir essas pessoas no bom convívio com a sociedade.”
 
De acordo com o prefeito de Barra do Garças, Adilson Gonçalves, o objetivo da reunião foi ratificar as parcerias já firmadas com o Poder Judiciário e Cadeia Pública. “Hoje nós temos diversos reeducandos que prestam excelentes serviços para o nosso município e nós queremos ampliar essa parceria. Acredito que somente com o trabalho nós iremos conseguir levar dignidade para essas pessoas que estão terminando de cumprir suas penas.”
 
Projeto de acessibilidade – Um dos destaques da unidade é o projeto de acessibilidade realizado em parceria com a Prefeitura de Pontal do Araguaia e que oferece, através da mão de obra de recuperandos, adaptações estruturais em residências de pessoas com deficiência e/ou mobilidade reduzida do município.
 
Segundo o Prefeito de Pontal do Araguaia, Aldecino Lopo, a iniciativa completa dois anos de muito sucesso.
“É um projeto social onde a prefeitura entra com o recurso para compra dos materiais e a mão de obra é de reeducandos. Pegamos casas de pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida e fazemos as adaptações de acessibilidade necessárias nos banheiros, nos quartos e nas cozinhas. É impressionante e muito emocionante, justamente por ver a emoção das pessoas ao receberem as reformas concluídas, pois elas jamais teriam condições de fazer as adaptações sem o apoio do município, do Poder Judiciário e dos recuperandos”, conclui o gestor municipal.
 
A visita da comitiva do GMF contou também com a participação do coordenador do GMF, juiz Geraldo Fernandes Fidelis Neto, do secretário-adjunto de Administração Penitenciária, Jean Carlos Gonçalves, e do presidente da Funac, Winkler de Freitas Teles.
 
#Paratodosverem
Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual.
Primeira imagem: supervisor do GMF, desembargador Orlando Perri, em visita ao pátio da unidade prisional. Ele está em pé, olhando em direção aos recuperandos que estão sentados.
Segunda imagem: supervisor do GMF, desembargador Orlando Perri, e coordenador do GMF, juiz Geraldo Fernandes Fidelis Neto, de costas, olhando por entre as grades de uma cela.
Terceira imagem: Membros do GMF reunidos com autoridades de municípios da Comarca de Barra do Garças. Em destaque, o desembargador Orlando Perri e o juiz Geraldo Fidelis Neto.
 
Marco Cappelletti/ Fotos: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Justiça de MT não cumpre reintegração de posse há 19 anos e gera prejuízo milionário

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O caso vem gerando denúncias no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e dentro do próprio Tribunal de Justiça
O caso vem gerando denúncias no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e dentro do próprio Tribunal de Justiça

A demora de quase duas décadas no cumprimento de uma decisão judicial de reintegração de posse da Fazenda Poconé, em Querência (945 km de Cuiabá), segundo a defesa, teria causado prejuízo na ordem de R$ 500 milhões referente a lucros cessante do Espólio de Itagiba Carvalho Diniz.

O caso vem gerando denúncias no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e dentro do próprio Tribunal de Justiça, para apurar a conduta do juiz e diretor da Comarca, Thalles Nóbrega Miranda Rezende de Britto, e da secretaria da Vara Única de Querência-MT, que é responsável pela ação.

A matéria voltará à pauta da Corte no próximo dia 29 de julho, quando os desembargadores analisarão mais de dez incidentes processuais que, conforme o espólio, ainda impedem a conclusão da fase de execução e a restituição integral da propriedade.

“Embora a sentença que reconheceu o direito possessório do espólio tenha transitado em julgado em 2007 e uma segunda sentença tenha definido os limites da fazenda após extensa produção de provas e perícias técnicas que se prolongou por quase 30 anos, a maior parte da área permanece fora da posse dos proprietários”, sustentam os advogados.

Levantamentos técnicos anexados ao processo indicam que a Fazenda Poconé possui 7.237 hectares, dos quais aproximadamente 3.921 hectares são agricultáveis.

Desse total, apenas 604 hectares estariam atualmente sob posse direta do espólio. Outros 3.317 hectares permanecem pendentes de restituição e continuam sendo explorados economicamente por terceiros, segundo a petição.

O espólio afirma que cerca de 1.653 hectares de lavouras seguem sendo cultivados por empresas e produtores que figuram na própria ação judicial, enquanto outros ocupantes apresentaram embargos de terceiro para tentar impedir ou retardar o cumprimento das decisões judiciais.

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Para os proprietários, a demora na execução permitiu que a área permanecesse produzindo riqueza por mais de 20 anos, apesar da existência de decisões judiciais favoráveis ao espólio.

Compromisso firmado antes da disputa

Um dos documentos anexados aos autos, revela um ‘Termo de Compromisso’, firmado em 5 de maio de 1997 pelos então proprietários das áreas envolvidas na futura ação demarcatória.

No documento, os signatários assumiram o compromisso de preservar a situação existente até a definição técnica dos limites das propriedades. O texto estabelece que eles se obrigavam a “não realizar alteração alguma e expansão das respectivas posses atuais enquanto não se proceder o levantamento topográfico que as delimite e as caracterize segundo a titulação legítima”, prevendo que a demarcação seria realizada “por meio judicial ou amigável”.

O compromisso também registra que “a atual localização das posses não representa em definitivo a coerência destas com os respectivos títulos de domínio que cada um detém” e determina que o grupo tinha a obrigação de “promover a demarcatória a fim de definir a propriedade e em consequência a posse”.

Na avaliação do espólio, o documento demonstra que os próprios signatários concordaram em submeter a definição dos limites ao resultado da futura demarcação judicial, comprometendo-se a respeitar a solução técnica do conflito.

Patrimônio continua produzindo riqueza

Enquanto a execução permanece pendente, a atividade agrícola continua em ritmo intenso na região. Segundo o relatório consolidado de capacidade financeira que A Gazeta teve acesso, diversos ocupantes ou pessoas ligadas às áreas em disputa possuem patrimônio rural expressivo, empresas e participações societárias relevantes.

Entre eles está a Indústria e Comércio de Máquinas Agrícolas Mantovani Ltda., empresa com capital social de R$ 3 milhões e proprietária da Fazenda Paraíso, em Ribeirão Cascalheira, com mais de 2.400 hectares.

O relatório também aponta que Benildo Carvalho Teles possui patrimônio rural no Pará, participação na AgroGalaxy, da qual alienou ações em operação superior a R$ 31 milhões, além de integrar empresas do agronegócio com capital superior a R$ 15 milhões.

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Outro é Claudio Augusto Diniz, proprietário de fazendas em Mato Grosso e Goiás, sócio de empresas rurais e credor da recuperação judicial do Grupo AgroGalaxy em mais de R$ 3,2 milhões.

O levantamento ainda relaciona a JMSW Agropecuária Ltda., empresa voltada ao cultivo de soja com capital social de R$ 17,6 milhões e proprietária de fazenda superior a 7 mil hectares em Querência.

Também aparecem produtores rurais e empresários como Leandro De Conti, Adalberto Backes, Carlos Caneppele, Gelson Caneppele, Sérgio Caneppele, Ivanete Lurdes Caneppele, Leandro Caneppele, Fernando Passinatto, José Adelar Jaenisch, além das empresas AGL Administradora e Participações Ltda. e MPS Empreendimentos Imobiliários Ltda., todos descritos como proprietários de imóveis rurais, beneficiários de financiamentos públicos ou integrantes de grupos empresariais ligados ao agronegócio.

O relatório atribui a esse conjunto de pessoas físicas e jurídicas patrimônio imobiliário rural, empresas e ativos considerados de elevada expressão econômica.

Julgamento

O espólio sustenta que a controvérsia deixou de ser sobre quem é o proprietário da Fazenda Poconé. Segundo os advogados, a discussão atual restringe-se ao cumprimento de decisão já transitada em julgado e à retirada dos ocupantes remanescentes.

A expectativa é que o julgamento marcado para 29 de julho pelo TJMT destrave a fase de execução e permita a efetiva restituição da área, encerrando um litígio que se arrasta há quase duas décadas e que, segundo o espólio, gerou perdas patrimoniais estimadas em aproximadamente R$ 500 milhões em razão da exploração agrícola contínua da fazenda.

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