BRASIL

Tarcísio ‘esquece’ social e investe apenas 1% em vulneráveis

Publicado em

Governo de Tarcísio de Freitas Governo destinou apenas R$ 3 milhões para atender beneficiários do Bolsa do Povo em situação vulnerável;
Renato Pizzutto/iG – 13.09.2023

Governo de Tarcísio de Freitas Governo destinou apenas R$ 3 milhões para atender beneficiários do Bolsa do Povo em situação vulnerável;

O governo de São Paulo ignorou o orçamento e reduziu os investimentos destinados a programas sociais do estado entre janeiro e setembro deste ano. Os dados foram confirmados pelo iG junto à Secretaria da Fazenda.

De acordo com a secretaria, o governo Tarcísio de Freitas investiu apenas 1% do orçamento previsto para pessoas em situação de vulnerabilidade social cadastradas no Bolsa do Povo. A dotação inicial previa o investimento de R$ 542 milhões para esse público, mas apenas R$ 3,5 milhões foram pagos até o dia 28 de setembro.

Criado em 2021, o programa é uma espécie de Bolsa Família do estado e prevê o pagamento de parcelas de até R$ 500 para a população de baixa renda. Dos três programas na alçada na pasta do Desenvolvimento Social, apenas o Viva Leite (88%) e os custos para a operação do programa (91%) tiveram o maior empenho do governo.

O Palácio dos Bandeirantes também segurou os gastos com programas para melhoria da condição de pessoas em situação de vulnerabilidade social, que abarca programas como o Criança Feliz, ligado à primeira infância, e o atendimento a mulheres vítimas de violência doméstica. Dos R$ 200,4 milhões previstos da Lei Orçamentária Anual (LOA), apenas R$ 52,2 milhões foram empenhados, o que corresponde a 26% da dotação inicial.

Para o cientista social e professor da Universidade de São Paulo (USP) Sérgio Kodato, a decisão do governo em segurar os custos com o setor impacta a vida da população e empobrece o estado. Kodato ainda classificou o orçamento usado para a assistência social como ‘catastrófico’.

“Isso tende a agravar todo o quadro de miséria, de falta de sustentabilidade, de saúde, principalmente das crianças e adolescentes. [Podemos esperar] um aumento da violência, o que vai acarretar a mais pobreza, mais miséria, mais desassistência, mais doença, menos recursos para atender as populações desassistidas, e, consequentemente, estimula a violência em todos os níveis da vida social, não só na periferia, mas a periferia vai acabar chegando no centro”, afirma.

“O impacto disso é uma catástrofe, é uma tragédia. É um pessoal que está em situação de risco, de vulnerabilidade, condições precárias e moradias sem saneamento básico, e crianças precocemente adoecidas, sem poder ir à escola. Então, eu entendo que nós estamos diante de uma tragédia, diante de uma catástrofe social”, completa.


Drogas e moradores de rua

O governo de São Paulo ainda contingenciou verbas para a promoção, saída e autonomia da população em situação de rua no estado. Segundo a Secretaria da Fazenda, o Bandeirantes investiu apenas R$ 6,6 milhões dos R$ 15,7 milhões previstos para este ano, o que corresponde a 42% da dotação inicial.

Leia Também:  Sumaré e Faria Lima: avenidas de SP terão faixa exclusiva para motos

A redução acontece em meio ao aumento da população em situação de rua no estado, segundo dados do Cadastro Nacional de Empregados e Desempregados (Caged). Em 2022, o Caged registrou 95,1 mil pessoas em situação de rua no estado, sendo 53,8 mil só na cidade de São Paulo.

A Secretaria de Desenvolvimento Social também segurou verbas para o Programa Recomeço, que visa dar assistência e acolhimentos aos ex-usuários de drogas. Para a reintegração dos usuários, o governo paulista investiu apenas 23% (R$ 1,9 milhão) dos R$ 8,4 milhões previstos pela LOA.

Sérgio Kodato vê a omissão do poder público como forma de colaborar para o aumento de usuários na Cracolândia, um dos maiores problemas sociais da capital paulista. Para o especialista, a tendência é que o cenário piore com o passar dos anos.

“Quanto maior a miséria, quanto maior emprego, quanto maior a desassistência, a tendência é ver o maior consumo de álcool e drogas, não só junto à população pobre, mas também junto à classe média. Se você somar isso com todos os quadros de ansiedade e depressão social, que estão tomando drogas tarja preta — que são legais, mas que também são drogas —, você vai ter consequências de uma certa imobilização, inatividade”.

“Eu entendo que a tendência também uma maior invasão desses usuários, desses drogados, ocupando todas as Praças. Basta ver a Cracolândia em São Paulo, que apesar de todos os esforços, a falta de políticas de Assistência Social de Saúde faz com que a gente não consiga acabar com essa vergonha que está no centro da capital paulista. Acredito que isso vai afetar diretamente a produtividade da nossa sociedade”, ressaltou.

O advogado especialista em direito eleitoral Luiz Eugênio Scarpino Júnior não vê impacto jurídico sobre o congelamento das verbas da assistência social neste momento, mas ressalta a importância de se dar transparência aos motivos do contingenciamento dos repasses. Ele acredita que a decisão de segurar os valores da pasta está ligado mais ao campo político.

“Inúmeros fatores podem levar com que o gestor não aplique adequadamente aquilo que foi estipulado, seja porque não teve receitas, seja porque teve outras prioridades. Não existe uma sanção específica com relação a não execução integral do orçamento. A lei estipula, em alguns momentos, para saúde e para educação um percentual mínimo de investimento, mas não há nada previsto para a assistência social, para o desenvolvimento social. Então, sai um pouco do plano jurídico e entra mais para o plano político, sobre uma incapacidade, ou demonstra talvez pouca preocupação, ou um foco menor, ou mesmo dificuldades operacionais de execução, ou mudança de linha de atuação quando você tem um orçamento e ele não é cumprido dentro de um planejamento que é estabelecido”, afirma.

Leia Também:  Somente no eixo da Assistência Social, investimento em obras supera os R$ 10 milhões

“Nesse primeiro momento é um ponto de atenção, mas se eventual orçamento estiver sendo priorizado para outras áreas, isso pode ser avaliado [caso seja constatada alguma irregularidade] para algum tipo de consequência jurídica direta”.

Baixa prioridade

O deputado estadual Paulo Fiorilo (PT) criticou a ação do governador e disse que ‘faltou sensibilidade’ a Tarcísio para os programas sociais.

“É um prejuízo para as pessoas mais vulneráveis e mais carentes. É um equívoco, porque o governo tem recurso e poderia continuar dispondo esse recurso para pagar o Bolsa do Povo, o que ajudaria as pessoas numa situação difícil. Nem todo mundo está empregado, nem todo mundo voltou a ter os recursos”, afirma

“São exemplos claros de um governo que não tenha sensibilidade para aqueles que mais precisam. Recursos que poderiam ser utilizados para as pessoas de alta vulnerabilidade, ou mesmo a população em situação de rua, o governo não investe. Já era pouco investiu menos do que deveria”,

O petista acredita que a cobrança poderá aumentar sobre o governo nos próximos com a chegada da LOA 2024. O texto deve ser entregue à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) até sábado (30).

“O que a gente tem feito é o debate aqui interno, e agora há possibilidade de fazer o debate no orçamento do próximo ano. A ideia é a gente expor as contradições e propor aumentos em obrigação importantes como essas, que eles estão retirando. Agora, óbvio, a peça orçamentária é uma peça que tem uma flexibilidade muito grande por conta dos índices de remanejamento. Apesar da gente brigar aqui, o governo depois pode acabar com o orçamento que a Assembleia aprova”, afirma Fiorilo.

O iG entrou em contato com o governo de São Paulo para questionar os investimentos realizados em programas sociais e para onde os recursos foram alocados, mas não houve respostas até a publicação desta reportagem.

Fonte: Nacional

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

BRASIL

Credores aprovam plano do Grupo HPAR e fortalecem recuperação judicial da companhia

Assembleia com 80% de adesão consolida continuidade do conglomerado e reforça confiança do mercado

Published

on

O Grupo HPAR teve o plano de recuperação judicial aprovado nesta quarta-feira (13/05), durante Assembleia Geral de Credores realizada no processo que tramita na 1ª Vara Cível de Cuiabá (MT). A decisão representa uma das etapas mais relevantes da reestruturação financeira do Grupo.

O plano recebeu apoio maciço dos credores, alcançando adesão de 80,58% do valor total dos créditos presentes à assembleia. Instituições financeiras como Daycoval e Bradesco deram voto favorável às condições previstas no plano e no termo aditivo apresentado pelas recuperandas.

A aprovação consolida a continuidade operacional do Grupo HPAR, que atua nos setores de tecnologia, telecomunicações, infraestrutura de redes e serviços corporativos, reunindo as empresas Globaltask, SPE Piauí Conectado, H.Tell Telecom e Bao Bing Infraestrutura.

Internamente, o grupo trata a aprovação como um marco estratégico para preservação das atividades empresariais diante da crise provocada pelo descumprimento do contrato envolvendo a PPP-Piauí Conectado, considerada uma das maiores iniciativas de infraestrutura digital do país. O projeto implantou aproximadamente 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.

O grupo sustenta que houve encampamento ilegal da infraestrutura implantada sem a correspondente indenização pelos investimentos realizados.

O plano aprovado prevê que os recursos financeiros advindos (1) do procedimento de arbitragem que sujeita o Estado do Piauí, (2) da ação judicial de execução que tem contra o Banco do Brasil, garantidor do investimento realizado ou (3) da decisão que determina o pagamento da garantia na recuperação judicial — classificados como “Eventos de Liquidez” — sejam destinados ao cumprimento das obrigações previstas na recuperação judicial e ao pagamento dos credores.

Leia Também:  Felipe Neto usa rede social para revelar ameaças feitas à irmã de 6 anos: ‘Ódio’

Entre os principais pontos de tensão está o litígio envolvendo garantias financeiras relacionadas à PPP. Segundo o grupo, o Banco do Brasil teria se recusado a liberar o dinheiro depositado e vinculado ao investimento realizado, esgotando financeiramente a empresa para levá-la à quebra para posterior tomada dos investimentos efetuados. Um recurso de agravo de instrumento, que vai decidir a liberação do valor para a empresa está pautado para ser julgado dia 20/05 no TJMT.

Para o advogado especialista em recuperação judicial do Grupo ERS, Euclides Ribeiro, a aprovação do plano demonstra maturidade do ambiente negocial e reforça a viabilidade econômica do grupo.

“Essa aprovação representa um importante sinal de confiança dos credores na capacidade de recuperação da companhia e principalmente na tese de que o Banco do Brasil deve sim liberar o dinheiro bloqueado pois é garantidor e caucionante dos recursos que estão na conta corrente do projeto. O processo demonstrou que, mesmo em cenários de forte complexidade institucional e financeira, é possível construir soluções jurídicas voltadas à manutenção da operação, proteção dos empregos e satisfação coletiva dos credores”, afirmou.

A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado é acompanhada com atenção por investidores, operadores de PPPs e agentes do mercado financeiro, diante dos possíveis impactos sobre a segurança jurídica de projetos públicos de infraestrutura no Brasil.

Entenda o caso

A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado transformou-se em uma das maiores disputas jurídico-empresariais já registradas no setor de infraestrutura digital brasileiro. A concessionária foi responsável pela implantação do projeto Piauí Conectado, considerado um dos maiores projetos públicos de conectividade do país, com cerca de 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.

Leia Também:  Malária: gestantes, crianças e pessoas vulneráveis são mais afetadas

O modelo foi estruturado como uma Parceria Público-Privada (PPP), na qual a iniciativa privada realizou os investimentos necessários para construção, operação e manutenção da infraestrutura tecnológica estadual, enquanto o Estado se comprometeu contratualmente a remunerar a concessionária ao longo dos 30 anos da concessão.

Segundo as recuperandas, aproximadamente R$ 650 milhões foram investidos diretamente na implantação da rede óptica, datacenter, centros operacionais e infraestrutura de telecomunicações. A empresa sustenta que o projeto contribuiu para elevar o Piauí aos primeiros lugares nacionais em indicadores de conectividade entre 2022 e 2024.

A partir de 2023, com a posse do governador Rafael Fonteles, a relação entre a concessionária e o Governo do Piauí sofreu uma mudança abrupta e o conflito escalou rapidamente.

Segundo a concessionária, apesar de o contrato ter sido integralmente executado e a rede ter permanecido plenamente operacional durante toda a execução da concessão, o Estado passou a promover retenções massivas das contraprestações mensais previstas contratualmente, comprometendo severamente o fluxo financeiro da operação, tudo arquitetado para tomada da empresa pelo Estado sem pagamento dos investimentos.

Na sequência, sucederam-se auditorias técnicas, instauração de processos sancionatórios, decretação de intervenção estatal e, posteriormente, a caducidade da concessão. Além do conflito com o Governo do Piauí, o Grupo HPAR obteve a negativa do Banco do Brasil em pagar a garantia prestada, em que pese já ter ganho a arbitragem na Câmara Brasil Canadá. Segundo as recuperandas, a não liberação dessas garantias agravou significativamente o cenário de crise financeira das empresas.

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA