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Escritório social de Mirassol D´Oeste ajuda a resgatar cidadania de egressos do sistema prisional

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Cruzando os portões do sistema prisional, entre idas e vindas, Cristiano Batista viveu assim por vinte anos. Dependente químico, não conseguia ficar mais de quatro meses longe do mundo do crime. Sem o devido amparo e vivendo nas ruas, não tinha chances de se reintegrar a sociedade de maneira digna, e enxergava o cárcere como única solução para o seu caso. “Em diversas visitas, ele chegando próximo de sair novamente, ele me pedia que não tirasse ele da unidade. Ele não tinha perspectiva na rua ‘eu [Cristiano] não tenho o que fazer na rua, eu vou cometer crime e voltar, então nem me tira daqui’, então foi chegando próximo à data de sair e ele com essa angústia” comenta Sabrina Andrade Galdino, Juíza da Vara de Execução Penal de Mirassol D’Oeste.
 
Foi a partir do escritório social em Mirassol D’Oeste que o egresso pôde ter um vislumbre de esperança para o seu futuro, com o apoio do programa, ele foi auxiliado e agora possui um trabalho e uma vida da qual se orgulha “hoje sou uma pessoa digna, tenho o meu salário, meu trabalho também, conheço pessoas maravilhosas, tenho outra maneira de pensar, esse escritório abre caminhos, abre portas, transforma vida, realiza sonhos, insere na sociedade novamente, dá dignidade e força para pessoa acreditar nela, que ela pode mudar e que a sua vida pode ser transformada assim como a minha” declara Cristiano Batista.
 
A juíza Sabrina Galdino comenta ainda sobre o importante trabalho feito pelo escritório social, “ele quis ser abraçado e o escritório tem feito esse trabalho psicológico, com diversas terapias, de apoio, o escritório social pôde contratá-lo como uma pessoa em cumprimento de pena, com todos os benefícios que a legislação traz para contratação dessas pessoas, então ele é hoje um funcionário do escritório social, está fora da unidade desde outubro, ele nunca ficou nesses últimos vinte anos, tanto tempo fora, sem nenhum cometimento de crime, sem nenhuma outra infração que tenha sido envolvido e ele está sendo reestruturado”.
 
Cumprindo com o objetivo de facilitar o acesso aos direitos que ajudam a ressocialização das pessoas egressas do sistema prisional, os escritórios sociais, atuam com o suporte de qualificação profissional, saúde e documentação. Sendo uma parceria entre o poder Judiciário e Executivo, o mecanismo de apoio tem mudado a vida de diversos reeducandos e seus familiares. O escritório de Mirassol D’Oeste foi o terceiro a ser instalado no estado e teve a colaboração dos ressocializados em sua construção, essa participação desenvolve o sentimento de união e faz com que esses indivíduos se sintam pertencentes como cidadãos em sua comunidade. 

Emanuelle Caroline Candido da Costa (estagiária)

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Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Estereótipos de gênero podem gerar injustiças no Direito de Família, alerta juíza

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Mulher de blazer preto fala ao microfone diante de plateia sentada. Ao fundo, telão com slide sobre campanha e banner do CEMULHER - Coordenadoria Estadual da Mulher“Não existe pai herói por fazer o que é sua obrigação, nem mãe menos dedicada por trabalhar fora”. A reflexão marcou a palestra da juíza Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa, titular da 2ª Vara Especializada de Família e Sucessões de Cuiabá, durante a capacitação das Equipes Multidisciplinares das Varas Especializadas de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, realizada na tarde desta quarta-feira (15) pelo Poder Judiciário de Mato Grosso.
Com o tema “Estereótipos de Gênero no Direito de Família”, a magistrada chamou a atenção para a necessidade de psicólogos, assistentes sociais e demais profissionais reconhecerem e romperem padrões culturais que ainda influenciam decisões judiciais e atendimentos às mulheres em situação de violência.
Segundo a juíza Ana Graziela, a ideia de que a mulher deve ser sempre a principal cuidadora dos filhos, enquanto o homem ocupa exclusivamente o papel de provedor, ainda provoca julgamentos que podem comprometer a imparcialidade dos processos. “A gente não pode taxar as pessoas por um estereótipo. O pai não é herói por cuidar do filho, porque isso é obrigação. Da mesma forma, a mulher não deixa de ser uma boa mãe porque trabalha o dia inteiro ou conta com uma rede de apoio para cuidar das crianças”, afirmou.
Plateia sentada assiste palestra em auditório. Ao fundo, palestrante de preto fala ao microfone diante de telão com slide e banner do CEMULHER.Atendimento sem julgamentos
Durante a palestra, a juíza explicou que esses estereótipos podem resultar em violência processual, quando preconceitos e ideias pré-concebidas interferem na forma como mulheres são ouvidas, acolhidas e avaliadas pelo sistema de Justiça.
Ela destacou que é preciso evitar perguntas e conclusões que responsabilizem a vítima pela violência sofrida ou coloquem em dúvida sua credibilidade. “Não adianta essa mulher ser vítima em casa e, quando chega ao Fórum, sofrer um outro tipo de violência praticada pelo próprio poder público. Ela precisa encontrar acolhimento, não julgamento”, comentou.
Ao abordar a evolução histórica dos direitos das mulheres, Ana Graziela lembrou que muitos padrões sociais foram construídos ao longo dos séculos e ainda se refletem nas relações familiares e nas decisões judiciais. Por isso, defendeu que magistrados e equipes técnicas utilizem o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) como instrumento para reduzir vieses e garantir decisões mais justas.
Como mensagem final aos participantes, a magistrada reforçou que empatia e imparcialidade devem orientar a atuação de todos os profissionais que lidam com famílias e mulheres em situação de violência. “Precisamos quebrar os estereótipos de gênero. Um laudo deve ser construído sem julgamentos e baseado na realidade dos fatos. Quem trabalha com essas famílias precisa compreender o contexto em que elas vivem e atuar com empatia para evitar novas formas de violência”, concluiu.

Autor: Roberta Penha

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Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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